Há anos desejava um jogo que misturasse a atmosfera imbatível da série de televisão Twin Peaks com a ambientação dos jogos do Silent Hill.
Silver Pines literalmente conseguiu fazer isso, trazendo um jogo indie de terror que se sobressai sobre qualquer um, com uma direção de arte e jogabilidade sem paralelos e uma jogabilidade que simplesmente flui com a direção artística.
Prepare-se para imergir em um jogo de horror diferente de qualquer um que você já tenha jogado
Silver Pines não é só mais um jogo indie de horror
É muito fácil falar que um jogo de horror é atmosférico por causa da pesada história, mas títulos que realmente trazem a sensação através do gráfico, jogabilidade e narrativa são raros.
Dos três, é inegável que a direção artística e os gráficos são os que mais chamam a atenção, mas é importante notar que a jogabilidade acompanha bem as animações do personagem e dos cenários.

Na pele do detetive Walker, o jogador começa em um bar no maior estilo Twin Peaks com uma entrada muito misteriosa.
Enquanto investiga Silver Pines, anedotas psicológicas e criaturas muito reais começam a atacar o detetive enquanto busca por uma pessoa, Eddie Velvet, em uma cidade que está com um toque de recolher devido a uma intensa chuva que está para chegar.
E com essa premissa o jogador inicia o que é um dos jogos de survival horror mais originais dos últimos tempos.
Peso de personagem e plataforma estilo Prince of Persia clássico
Em Silver Pines, não temos só uma animação fluida: é, acima disso, um jogo com peso no disparo da arma, na corrida e nas esquivas.

Os quadros das animações são totalmente sincronizados com as ações dos personagens, trazendo não só um belo visual, mas que também uma sensação de controle bem implementada quando desviamos dos inimigos ou no recuo do tiro das armas, trazendo um sistema de batalha (nem sempre justo) que acompanha bem o que realmente acontece na tela.
A cidade que está para ser devastada pela tempestade é extremamente divertida de se explorar e recompensa muito o jogador. Mas é uma aposta de risco e recompensa: será que vale a pena tentar desviar de dois inimigos para pegar seja lá o que estiver na sala ao lado? Essa decisão pesa toda hora no jogador conforme tenta sobreviver na cidade de Silver Pines.
Durante a exploração, o jogador vai encontrando outros personagens, que conversam de forma bem enigmática e filosófica com Walker, que dão pistas do que pode estar acontecendo na cidade. Além disso, os famosos files (os arquivos implementados no primeiro Resident Evil) também existem aqui, trazendo pistas para solução dos quebra-cabeças e um pouco mais sobre a história da cidade. É importante notar que esses arquivos são enxutos, trazendo textos pequenos mas precisos, para não atrapalhar o passo do jogo.

Um Castlevania de terror
O mapa de Silver Pines é pequeno, dividido em três sessões, com bastantes áreas para se explorar.
Conforme o jogador encontra novas ferramentas, como alavancas para abrir bueiros, pé de cabra para destruir madeiras e por aí vai, Walker consegue acessar novas áreas.
O jogo dá uma boa sensação de liberdade para exploração, porém para encontrar itens de ajuda do que realmente para avançar no jogo, neste último caso funciona de uma forma um pouco mais linear.
Além de recursos que podem ser organizados no maior estilo maleta do Leon de Resident Evil 4 e novas armas e peças de armas escondidas pela cidade, o jogador pode encontrar três tipos de melhorias, que são bolsas para aumentar o espaço de armazenamento, máquinas de café para aumentar o vigor e fragmentos de selo que, ao reunir quatro, é possível consumir para equipar um novo memento (objetos únicos que dão vantagens ao jogador, como correr mais rápido, usar menos vigor para ataques corpo a corpo, e por aí vai). Nem preciso dizer o quanto essas melhorias incentivam a exploração da cidade, trazendo não só uma gostosa sensação de explorar a cidade, mas também que faz a diferença na jogabilidade e sobrevivência do protagonista.

Essas melhorias são de extrema importância porque alguns inimigos e chefes são muito rápidos e causam um dano considerável, e com pouco vigor, a esquiva e o golpe carregado com armas brancas (que podem quebrar e serem reparadas com determinados itens) podem deixar o jogador vulnerável por um bom tempo.
Silver Pines também conta com os famosos locais seguros, salas que passam aquela sensação de segurança, no qual é possível usar o telefone público para salvar o jogo (ou fazer outras ligações), usar o baús para guardar itens e liberar espaço e, em algumas sessões, usar as máquinas de vendas e usar as moedas encontradas e comprar recursos.
Itens de cura, armas explosivas e a câmera (um recurso interessante para tirar fotos e deixá-las fixadas no mapa para saber onde voltar depois que conseguir determinado equipamento) podem ser usados no meu de uso rápido utilizando o d-pad, para se curar em tempo real, já que, mesmo lendo arquivos e mexendo nos equipamentos, o jogo não pausa.

Tem um pouco de bug nesse café!
Silver Pines não é livre de bugs, no entanto. Em um determinado momento, ao desviar de um inimigo que explode no momento exato em que estava para entrar na água, a tela ficou toda preta e tive que reiniciar o jogo para carregar novamente, o que fez eu perder um bom pedaço do progresso que tinha feito sem levar danos.
Outro momento foi uma plataforma próxima da estação Theland que é extremamente estreita, e a única forma de voltar é apertando levemente o analógico para ficar na borda e assim conseguir voltar para a plataforma superior com um pulo vertical. Alguns poucos bugs, como o personagem ficando acima da porta mas logo voltando à posição original, ocorreram também, mas sem risco de quebrar o jogo.

Alguns chefes também são um tanto injustos, e senti que algumas batalhas são mais difíceis por falta de espaço e velocidade do inimigo do que realmente por habilidade, mas somente em um chefe pensei que não conseguiria passar com os recursos que tinha. Por isso, já avisando de antemão: o jogo recompensa exploração, então use seus recursos quando puder, você vai precisar, não faça como eu que finalizei o jogo com um monte de item útil no inventário.
O jogo também possui três finais e presenteia o jogador com modificadores (que são vantagens para Walker numa próxima jogada) após a conclusão, e sabendo organizar os quatro espaços de salvamento, é possível fazer os três finais em uma única jogada.
Análise realizada com uma chave gentilmente cedida pela editora.




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