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Análise – Dusk Diver 2

A sequência do RPG situado em Taiwan chega ao Nintendo Switch.

Desenvolvido pelo estúdio Wanin e distribuído pela Idea Factory, o game é a sequência direta da franquia feita pelo estúdio taiwanês Dusk Diver. Ele pode ter passado despercebido pelo radar do Ocidente, mas tem um grande público na Ásia. O jogo está chegando aos consoles para o lançamento ocidental em todos os consoles (para PC, seu lançamento foi simultâneo com a Ásia). Ambientado em Taipei (capital de Taiwan), é um RPG de ação que mistura fantasia e vida cotidiana.

História? Esse é o Dusk Diver 2? E o 1?

Dusk Diver 2 se passa algum tempo após o fim do primeiro jogo; porém, mesmo que você não tenha jogado seu início, os acontecimentos são bem resumidos. Caso isso não seja o suficiente, a sessão da galeria explica a história com mais detalhes. De qualquer modo, vou tentar resumir mais um pouco.
Yang Yumo era uma garota normal, que tinha um emprego de meio período, quando um incidente envolvendo dimensões paralelas afetou ela e sua amiga. Por estar no meio do ocorrido e por conseguir sobreviver nessa dimensão alternativa (Youshanding), Yumo, junto de habitantes desse mundo, se juntam para impedir a fusão dos dois mundos e a destruição deles nesse processo. Anos mais tarde (já no segundo jogo), essa fusão começa a acontecer novamente, porém sua causa é desconhecida, já que o responsável pela primeira tentativa não poderia mais fazê-lo. Cabe a Yumo e seus amigos da primeira aventura, Leo, Le Viada e Bahet, investigarem a causa da ameaça.

Embora não tenha jogado o primeiro, Dusk Diver 2 me passou uma impressão de repetição na história, mas é só uma impressão mesmo. O universo e os personagens são bem expandidos e explorados nessa sequência, já que o tempo que passou é utilizado para saber o que aconteceu após o fim do primeiro jogo e contar mais sobre a vida dos personagens e até da própria cidade de Taipei. Apesar de Yumo e Leo terem continuado seu trabalho de meio período no mercado na capital taiwanesa (que é secretamente a base responsável por manter a ordem nos mundos), Le Viada seguiu a carreira artística e Bahet abriu seu próprio estúdio musical. O roteiro gira em torno da nova ameaça enquanto todos eles têm que lidar com suas novas vidas no reino humano. Tudo isso é contado pela história principal e pelas side quests que vão sendo liberadas ao longo da sessão.

O único ponto negativo é que a história demora a engrenar (ou será que eu que me perdi demais na side quests?) e passa a impressão de um final apressado, jogando muita informação perto do fim.

Jogabilidade, socos, armas e lanches.

Dusk Diver 2 é um RPG de ação que tem foco em criar e manter combos de ataques, mas não se preocupe: eles não são difíceis de criar como em algum jogo de luta tradicional, uma vez que o tempo para continuar os combos é bem justo e tomar dano não necessariamente os quebra. O que é bem interessante, já que combos altos são recompensados com experiência para os personagens. Diferente do primeiro jogo, aqui podemos jogar com os 3 guardiões de Youshanding, o que aumenta as possibilidades de combos, se alternados ou usados como suporte.

O sistema de combate, os equipamentos e a melhoria dos personagens são algo a se elogiar em Dusk Diver 2 . A resposta aos comandos é muito boa, cada personagem tem um estilo de jogo único e as subquests fornecem muitos equipamentos e outras recompensas boas. Além disso, o sistema de melhoria dos personagens permite que o jogador escolha o atributo que quer upar e o pague (sim, bem no estilo de Dark Souls). Outro sistema interessante é o de comida, que dá bônus de status dependendo do item.

O combate é tão leve que você nem é obrigado a fazê-los com tanta frequência fora da história principal (mas nas subquests, eles sempre arrumam uma desculpa para colocar pelo menos um combate). Em Dusk Diver 2 , porém, o jogador é recompensado por tentar. Por exemplo: depois de certo ponto, um recurso que permite ver inimigos mais fortes em cada capítulo é desbloqueado; Por consequência, o jogador tem acesso a prêmios maiores e melhores. Como o jogo dispõe de vários personagens para jogar, é fácil se distrair do objetivo e se deixar levar para combates só para treinar combos ou completar missões revisitando mapas. No total, levei pelo menos 30 horas para completar a história e todas as subquests, mas ainda faltaram algumas coisas, como alguns colecionáveis e uma quest que envolvia comer todas refeições disponíveis no jogo em uma determinada ordem.

Outro ponto interessante é que você pode levar todos os membros da sua equipe ao mesmo tempo para a batalha, porém utilizei pouco esse recurso, já que além da IA não ser muito proativa nesse modo, em alguns cenários pode ocorrer uma queda de quadros pela quantidade de informação e processamento utilizado. Que junto com a baixa variedade de inimigos são os pontos negativos da jogabilidade.

Parte técnica

No geral, Dusk Diver 2 roda muito bem. É claro que foi necessário um certo sacrifício da qualidade nas texturas dos cenários, mas é compreensível, pois eles são um pouco grandes e são carregados de uma vez assim que os adentramos. Mas isso não diminui a qualidade e a beleza da cidade de Taipei, que conta com vários pontos turísticos reais da capital, como a Red House ou o templo Dadaocheng. As cenas em CGI também são um show à parte; embora não sejam muitas, elas aparecem nos momentos certos para demonstrar ação e adicionar mais drama ao enredo. Elas costumam ter uma qualidade melhor, já que rodam à parte e mesclam bem com as cenas que contém dublagem (em japonês ou chinês) ao longo do jogo.

A trilha sonora é o que há de mais fraco em Dusk Diver 2 . As músicas dos cenários de combate passam muito mais uma vibe de balada e são bem genéricas em momentos de ação, o que acaba deixando cenas que eram para serem importantes ou para criarem uma tensão bem mornas e sem impacto. A luta final e a cena final são bem fracas nesse sentido, mesmo com uma música vocal, porque ela não cria um clima de embate final. Além disso, a luta também foi bem decepcionante.
A dificuldade não é muito grande para um RPG de ação e não força o “grinding” (ou a repetição de combates com o intuito de ficar mais forte). Dusk Diver 2 faz isso de forma bem orgânica por meio de side quests e missões para reunir colecionáveis, que te recompensam com bons equipamentos e itens, sem que você dependa do seu sistema de criação ou dos que são deixados pelos inimigos. Se você procura um desafio a mais, tem o New game+, que traz inimigos mais fortes e todas as missões para serem criadas novamente.

Veredito
Dusk Diver 2 é uma ótima sequência, com elementos novos e lindos cenários, mesmo com certa perda de qualidade. Um RPG de ação muito divertido e cheio de referências à cultura nerd/otaku. O game, porém, peca um pouco na imersão.
Prós
Jogabilidade fluida, com ótimo sistema de combos
Fluxo de jogo orgânico, sem necessidade de repetição
Variedade de personagens
Contras
Trilha sonora fraca
História genérica e arrastada
Baixa variedade de inimigos
falta de polimento nos detalhes
O salto de preço do primeiro jogo para o segundo é um pouco grande
6
Bom
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