Tales of the Shire: Um jogo de O Senhor dos Anéis é uma proposta completamente diferente de jogo dentro do universo de O Senhor dos Anéis. Em vez de viver as aventuras da Terra-Média, você só tem que cuidar da sua vida, e da sua comida, no Condado. Bora degustar a experiência?
Sobre Tales of the Shire: Um jogo de O Senhor dos Anéis
A menos que você more numa caverna lamentando ter perdido seu Precioso, você deve saber o que é O Senhor dos Anéis. Mas para resumir, é uma história escrita por JRR Tolkien na qual criaturas pequeninas, os hobbits, vivem no Condado pacificamente, até que Gandalf, o mago cinzento, aparece, e a confusão começa. Com muita intriga e o poder da amizade, Frodo e Sam, com o restante da Sociedade do Anel, conseguem levar o Anel que causou todos os problemas e salvar o mundo, para poderem voltar à tranquilidade de suas vidas. Os caras literalmente fizeram o impossível só pra poder botar os pés peludos pro alto e fumar seus cachimbos entre o primeiro e o segundo café da manhã.
Lá no final dos anos 80, uma empresa chamada RT Effects foi fundada na Nova Zelândia, e produziu criaturas e maquiagem pra Hercules e Xena. Esse empresa depois mudou seu nome para Weta Workshop, e desenvolveu um monte de coisas pros filmes de O Senhor dos Anéis e Hobbit, incluindo armaduras, armas, criaturas, fantasias, e muito mais.
Em 2014, uma divisão específica para fazer jogos foi criada. Essa divisão trabalhou em algumas coisas, e em 2022, anunciou que faria um jogo em conjunto com a publisher Private Division, e em setembro do ano seguinte, descobrimos que o jogo em questão seria uma história leve de “problemas de hobbits num mundo de hobbits”.
Depois de alguns anos de silêncio, em fevereiro deste ano, Tales of the Shire: um jogo de O Senhor dos Anéis foi anunciado para o mês passado, e, sem atrasos, saiu para PC e basicamente todos os consoles.
História
Genuinamente, Tales of the Shire (Contos do Condado) não tem uma história muito profunda. Em algum momento entre o fim de O Hobbit e o começo de O Senhor dos Anéis, está situada nossa história. Você é um ou uma hobbit que chega para morar no Condado, vindo de Bri, e Gandalf, indo visitar algum dos Bolseiros, te encontra dormindo no meio da estrada. Ele te leva até sua nova casa, onde te arrastam pra todo tipo de reunião entre hobbits, para discutir os mais distintos assuntos. De garantir que seu povoado seja considerada uma Villa, a levar legumes para um fazendeiro, não há nada que você não possa apresentar uma solução, enquanto conhece cada um dos hobbits que vivem no Condado.
Como você não é um Bolseiro, suas únicas aventuras são culinárias. A cada novo ingrediente desbloqueado, seja plantando, seja comprando, seja coletando, receitas novas podem surgir, e conforme você vai aprofundando seu relacionamento com seus vizinhos, eles também podem te pedir para fazer receitas específicas. Seu objetivo final é colecionar todas as receitas possíveis, para sempre servir bem a cada hobbit.
Não há aventuras em Tales of the Shire. Cada passo da sua jornada é como um novo conto, de um novo hobbit, não há pressão de realizar nada, que não exatamente aquilo que você quer fazer.
Jogabilidade
Tales of the Shire é uma fazendinha sem muitos objetivos secundários. Como toda boa fazendinha, você começa com um canteiro pequeno e vai expandindo, podendo plantar e criar cada vez mais coisas, para ter mais ingredientes para novos pratos. Há também uma boa opção de personalizações da sua casa, conforme você vai arrumando a bagunça que deixaram para você.
Falando em personalização, o jogo permite bastante coisa. Cabelo, orelha, olhos, nariz, até os pelos dos pés você pode personalizar.
Para cozinhar, há um minigame simples. Cada prato tem uma consistência perfeita e uma largura perfeita para os ingredientes serem fatiados, e a combinação desses dois fatores fará seus pratos mais saborosos. Você corta ingredientes até certo tamanho, e também os frita, quando possível, e quanto mais perto do ponto ideal, mais saboroso seu prato será.
Você poderá convidar uma quantidade específica de hobbits para visitar você todos os dias, e servir uma refeição para eles. Conforme você for acertando os gostos, você ganhará coisas, melhorará sua relação com eles e vai ganhando novas receitas. Você também pode realizar missões para seus vizinhos, isso também fará com que sua relação com eles melhore. O único ponto ruim é que você não tem a possibilidade da conversa diária, de escolher com quem quer aprofundar a relação primeiro. Não há relação romântica, porém. Aros, regozijem, esse jogo representa vocês. Apesar de haver casais no Condado, você não formará um. Não há par romântico, não há casamento, uma quebra no padrão de jogos assim.
Isso não significa que as relações não sejam importantes. Há cutscenes específicas e itens específicos que você ganha ao atingir certos níveis de amizade com vizinhos, e a maioria é muito bem escrita e dá um quentinho no coração conforme você passa de alguém que ninguém conhece para receber demonstrações de afeto.
Aliás, outra quebra é que o jogo não tem, realmente, objetivos que te impulsionam. Você terá dias em que sua única missão será “avance para o próximo dia”, e você pode passar o tempo inteiro fazendo o que quiser. Pode pescar, pode coletar, pode plantar, pode decorar sua casa.
O dia tem períodos, e se você não estiver na cama antes de a madrugada começar, você vai desmaiar e acordar na sua casa, depois de resgatarem você, sem punições reais.
Para uma pessoa acostumada a realizar tarefas e objetivos, isso pode ser um pouco frustrante às vezes. Pode dar uma sensação de “tá, mas e agora?”. A vida de um hobbit talvez fosse a vida ideal para se viver, mas para muitas pessoas, talvez não seja a ideal de se jogar. Por outro lado, se você prefere jogos sem nenhum tipo de pressão para nada, Tales of the Shire será ideal para você. Não há cobrança, não há consequências ruins, não há erros graves e incorrigíveis, não há nada que te obrigue a fazer nada. Você talvez terá de progredir nas relações e missões para poder liberar opções extras de customização, além de mais espaço para suas plantações, mas para além disso, você não precisa correr. Tanto não precisa que não dá para correr. Não há um botão que aumente sua velocidade de movimento; pelo contrário: um botão faz com que seu hobbit saltite, na mesma velocidade que anda, só para curtir mais alegremente a paisagem.
O sistema de missões, ou “contos”, é um guia aproximado do que você pode querer fazer, ou precisa, para avançar certos pontos da história. Mas o progresso é, no geral, lento (a menos que você vá dormir logo depois que terminar o que quiser fazer no dia).
Falando em fazer o que quiser, um ponto que esse jogo dá uma aula é no GPS. Basta você selecionar onde quer ir no mapa, ou qual missão quer, e uma rota de passarinhos se formará na sua frente. Literalmente, já que pássaros começarão a pousar nas placas de direção, indicando sutilmente para onde você deve ir. Tão sutilmente que demora um tempo pra se acostumar, mas depois que acontece, é tão gostoso, porque não quebra, em nenhum momento, a imersão. Os pássaros estão em posições e locais que são naturais, apenas levemente te ajudando a chegar ao seu destino. Depois de um tempo, você não vai mais precisar deles para os lugares que mais usar, como a praça e sua casa, mas especialmente para cumprir missões, eles são muito úteis, e nada intrusivos. Outros jogos deveriam aprender com esse sistema.
Parte Técnica
Tales of the Shire não compromete. Teve um fechamento forçado enquanto eu jogava, mas foi depois de passar mais de 3 horas jogando direto. Os gráficos são fofos, embora alguns hobbits sejam bem genéricos. Quem não é tem personalidade e vozes, embora grunhidos, próprios. A trilha sonora do jogo é tão calma e pacificadora quanto o jogo, e curiosamente, combina muito bem.
Outro ponto positivo é a tradução para o português. Poucos erros, piadas bem traduzidas, um trabalho bem bacana, mais uma vez provando que, se há vontade, dá para fazer. Aliás, o jogo está disponível em 10 idiomas, eu achei incrível.
Poucos engasgos, algum tempo de carregamento demorado em alguns momentos, mas, no geral, uma experiência pacífica de jogo.
Conclusão:
Depois de anos de espera, Tales of the Shire: Um jogo de O Senhor dos Anéis traz para o videogame a vida de um hobbit: Pacífica, tranquila, sem pressa e cuja maior preocupação é o que comer no segundo café da manhã. Se é o que você busca, o Condado te aguarda.
Análise feita com cópia gentilmente cedida pela Private Division



Discussões sobre isso post