Ritual of Raven tenta trazer um pouco de magia ao inchado mercado de fazendinhas. Será que a combinação de agricultura e bruxaria dá um bom feitiço?
Sobre Ritual of Raven
Kathrin, Sophie, Zoë, Kasimir e Malin, um grupo de desenvolvedores com experiência em jogos indie, decidiram se juntar e criar a Spellgarden Games em 2022. Depois de lançarem Sticky Business para PC e Switch, em agosto de 2024 começaram o projeto de Ritual of Raven.
O jogo teve um playtest fechado em dezembro e, baseando-se no feedback recebido, recebeu a primeira demo em março deste ano. Depois de alguns meses de trabalho, a parceria da Spellgarden com a Team17 deu frutos, e o jogo foi lançado mês passado, novamente para o PC e Nintendo Switch.
História
Atenção: o jogo traz a opção de pronome neutro, então será utilizado para falar das personagens do jogo. Se isso afeta sua sensibilidade, pode pular o texto.
Em Ritual of Raven, você é uma pessoinha que foi puxada do nosso mundo para um mundo mágico através de um portal. Esse mundo, Leynia, está com algum problema de portais sem controle, e você foi mais uma vítima dele. Largando seu mestrado de lado, você é adotade por Sage, uma bruxa local, que decide te transformar em aprendiz dela. Ela te orienta a conseguir seu animal familiar, o Raven (corvo) do título do jogo, mas pouco depois, decide pular pelo mesmo portal que te trouxe para tentar encontrar seu familiar desaparecido.
Com Raven ao seu lado, você vai conhecer diversas pessoinhas de mundos diferentes, desbloquear sua magia, usar seus Construtos Arcanos pra cuidar das suas plantações e fazer serviços, enquanto tenta resolver o problema dos portais descontrolados.
A história do jogo não tem muita profundidade, como é padrão nesses jogos de fazendinha, mas sua vibe pacífica e tranquila faz com que seja confortável de jogar. Você não tem pressão de tempo para fazer nada, e o fato de não ter ninguém que seja realmente uma pessoa má no jogo faz com que também não haja a necessidade de avançar a história. Jogue o que quiser, no tempo que quiser.
Jogabilidade
Numa visão diagonal superior, você passeia pelo mundo para coletar ingredientes e atender a pedidos, além de realizar desafios que estão espalhados pelo mapa.
A coleta de ingredientes é bem simples, com o apertar de um botão, e há muitas plantas, sementes e frutos espalhados por aí. Além disso, você tem um joguinho tipo garra de shopping para pegar itens extras e conseguir fazer novos feitiços, ou entregar coisas pras pessoas.
Você consegue controlar a fase da lua, o que ajuda muito quando você tem ingredientes específicos que mudam de acordo com a fase. Logo no começo, você muda para a Lua Cheia para poder pegar seu familiar.
Duas coisas diferentes da média das fazendinhas aqui: não tem nível de relacionamento com as pessoas e você não toca nas suas plantas, propriamente falando.
Sobre os relacionamentos, você até tem missões pessoais para desbloquear informações extras sobre elas, mas envolvem entregar itens que ficam ocultados por uma sombra, e devem ser entregues numa ordem específica, o que te impede de entregar coisas que você já sabe que precisa até achar algo obscuro num canto que você nem sabia que podia alcançar.
Sobre as plantações em si, aqui, a magia consiste em programação. Pois é, programadores, sua hora chegou. Em vez de você botar a mão na massa (ou na terra), para arar, plantar, regar, acelerar crescimento e colher, você conta com construtos, que são nomeados pelas cartas de tarô e programados com outras cartas.
Aqui é o grande diferencial do jogo, e seu ponto mais forte e mais fraco. Por um lado, é muito divertido ver os construtos agindo da maneira que você programou, e é legal buscar otimizar os comandos para garantir o mínimo de trabalho e o máximo de resultados.
O problema é que o sistema de programação é meio estranho. É difícil acertar onde você vai com o cursor do controle, e programar pela tela de toque não responde como deveria, embora funcione.
Além disso, apesar de você poder salvar Encantamentos, caso erre na hora de lançar, não consegue mudar no meio do caminho, editar um ponto errado e depois reativar. Precisa recomeçar. E muitas vezes, é confusa a ordem certa das cartas, o que torna essa tarefa frustrante quando seu construto corre para outra plantação sua, porque você colocou a placa errada no Encantamento.
Além disso, na parte final do jogo, há comandos que você precisa esperar um tempão serem executados para conseguir itens específicos, ou avanços específicos, e aí, o que seria para poupar tempo e esforço, acaba parecendo que está te travando o progresso, caso você pudesse fazer as coisas com as próprias mãos. Acho que poderia ter a opção de fazer coisas por conta própria, e outras com Construtos e Encantamentos.
O jogo tem um sistema de missões que é fácil de ser acompanhado, e, como falado acima, não tem pressão de tempo.
Parte Técnica
Ritual of Raven não é um jogo bem otimizado, é importante deixar isso claro. O jogo é simples, tem um gráfico simples, quase pixelado, não faz sentido ele ter tantas quedas de framerate como tem. Especialmente quando há mais construtos trabalhando ao mesmo tempo na mesma tela, o jogo engasga feio, e pelo menos umas três vezes, o jogo me deu a tela preta da morte, o que me fez perder todo o progresso daquele dia.
Também houve alguns lugares em que eu travei e não conseguia sair, tendo que esperar desmaiar e ir pra casa pra dormir.
Fora isso, a arte do jogo é bem bonita, as cores são agradáveis, as personagens, com traços marcantes e bonitos, e os cenários, apesar de um pouco repetitivos, e alguns itens que são destacáveis não ficarem tão claros assim, são cativantes.
O jogo é 100% traduzido para o português, e a tradução é de boa qualidade. Ele te permite escolher qual pronome você quer no começo, entre ele, ela e elu, e respeita a decisão de maneira precisa durante toda a duração. A personalização também é ampla, embora menor que a maioria dos jogos do estilo.
Os sons são simples, mas eficientes para o objetivo. As músicas são confortáveis, embora nada memoráveis, e gosto do som que faz quando as pessoas conversam.
Conclusão
Ritual of Raven é uma boa fazendinha com um toque de bruxaria para quem quer experimentar algo novo. Embora frustrante em alguns momentos, sua jogabilidade criativa e personagens interessantes fazem com que mereça uma chance.
Análise feita com cópia gentilmente cedida pela Team17


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