Um dos jogos tipo souls mais diferentes quando se trata de narrativa chega finalmente ao Nintendo Switch 2.
Como esse conto um tanto original e desafiador protagonizando o clássico personagem Pinóquio de 1883, do autor Carlo Collodi, chega à plataforma?
História original em um mundo colorido e enigmático
Os jogos que seguem a estrutura Souls, introduzido por Demon Souls (Fromsoftware) aos videogames, sempre tentam inovar de alguma forma ou outra, seja nas estâncias em Nioh, as esquivas e sistema de moral em Wo Long ou outras pequenas mecânicas que diferem dos jogos desse tipo, mas poucos conseguem fazer de forma tão progressiva com novas e diferentes customizações ao longo da jornada como Lies of P faz.

Desafiador, jogando inimigos novos toda hora para enfrentar o protagonista, Lies o P, apesar de ter esquiva, foca mais em uma espécie de defesa perfeita (perfect guard) para conseguir um tempo a mais para acertar o inimigo antes que ele reaja novamente, assim como quebrar a sua arma e fazê-lo cansar mais rápido para dar um golpe destrutivo e arrancar uma vida maior.
Um dos pontos mais interessante, no entanto, é sua história, que fica entre Dark Souls (totalmente críptico) e Nioh (uma história mais direta), trazendo uma narrativa constante e visível, porém deixando o jogador descobrir suas nuances ao longo da jornada.
Na pele de um títere (Pinóquio), acordamos em um trem na cidade de Krat, que de um povoado pobre se tornou uma rica capital de tecnologia desde a vinda dos Alquimistas. Agora, com uma doença acometendo seres humanos e uma loucura frenética atingindo títeres, Gepetto e demais personagens ao longo da aventura contam com você para trazer fim à calamidade que atingiu a cidade.

Desafiador e divertido, mas falta polimento em algumas mecânicas
Lies of P é um dos meus jogos favoritos que utiliza o sistema Souls, e apesar de muito competente em todas as suas mecânicas, existe uma falta de polimento em certos sistemas que atrapalham a jornada.
O jogo entrega muitas opções ao jogador conforme avança: braços legionários com diferentes habilidades, diversas combinações de armas que podem ser destrinchadas dos cabos para se tornarem outras, evolução do personagem e das próprias armas, a defesa, defesa perfeita e a esquiva, os anéis de cubo, itens de dano e muito mais.
São tantos sistemas que me vejo não usando todos quando estou em apuros, mas isso não é um ponto negativo. O grande problema mesmo são dois: detecção de acerto e esquiva.

Não me entenda mal, são dois sistemas que funcionam, só não são tão polidos quanto outros jogos do mesmo gênero. Enquanto que em Nioh, Wo Long e os jogos da Fromsotware sempre temos noção do espaço, e sempre sabemos quando o inimigo irá atingir, em Lies of P, isso não ocorre sempre. Existe algo na movimentação dos personagens que simplesmente não dão uma noção 100% precisa dessas ações.
O mesmo não se pode dizer da defesa perfeita, por exemplo, que possui uma precisão milimétrica, dando uma boa noção ao jogador, e também reforçando que é um jogo que da a opção de fugir, esquivar e correr, mas que mantém o foco na defesa, recuperação de vida perdida (atacando o inimigo após defesa simples) e defesa perfeita para destruir a arma dos oponentes.
Um porte que oferece diversas opções ao jogador
A versão para o Nintendo Switch 2 traz diversas opções para definir o que o jogador achar melhor.

Dando três opções ao jogador, baseado em performance, intermediário e qualidade, o jogo funciona como uma luva.
No modo performance, os gráficos ficam razoavelmente bonitos, mas os detalhes são notavelmente mais baixos. Posters, letras e sombras ficam um pouco embaçados, porém o jogo roda com total fluidez em 1080p a 60 FPS.
O modo intermediário, o que recomendo a todos, traz um jogo com gráficos superiores ao de Playstation 4, que roda fluido e sem quedas, porém reduz detalhes como reflexo, mas são poucos detalhes perdidos. As batalhas rodam de forma lisa e sem travamentos com 40 FPS constantes.
O modo qualidade traz gráficos exuberantes, uns dos mais bonitos que já vi no Nintendo Switch 2, mas além de reduzir para 30 FPS, a performance não é constante. Se você decidir jogar nas duas dificuldades mais fáceis, talvez esse seja o modo para você. No modo pretendido pelos criadores, ou quem gosta dos desafios desse gênero, recomendo o performance ou intermediário.

O único ponto baixo dos dois primeiros modos é que em algumas ocasiões foi possível ver alguns objetos se materializando (por exemplo: a água caindo dos canos do esgoto). Apesar de terem sido poucas ocasiões, elas foram visíveis.
Lies of P: Complete Edition é um pacote completo para os jogadores de Nintendo Switch 2
Acompanhando todos os extras e DLC, Lies o P traz vantagens no Nintendo Switch 2, como poder jogar em qualquer lugar no modo portátil.
O jogo é desafiador, e em alguns momentos é mais injusto que os jogos de outras empresas do mesmo gênero souls (a batalha contra a gangue da Lebre Negra que o diga!) mas traz uma progressão excelente, gráficos exuberantes e coloridos além de uma das histórias mais originais que já vi em um jogo eletrônico.

Lies of P possui o mesmo escopo de Street Fighter 6 no Nintendo Switch 2: possui gráficos superiores ao PS4, porém com alguns efeitos inferiores, e uma performance muito mais arrojada, mais fluido e com loadings mais rápidos. O jogo não é perfeito, mas chegou de forma espetacular para o Nintendo Switch 2, com todo o conteúdo lançado até o momento, ótima otimização e com diversas opções para o jogador escolher a forma como quiser jogar.
Análise realizada com uma chave gentilmente cedida pela editora.


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