Everybody’s Golf: Hot Shots chega ao Nintendo Switch prometendo aquela boa e velha experiência de golfe divertida, despretensiosa e cheia de personagens carismáticos. Mas, infelizmente, o que poderia ser uma volta triunfante de uma franquia amada acaba tropeçando em vários buracos no gramado — literalmente e figurativamente.
Um charme inicial que logo se perde

É verdade que o game ainda carrega aquele espírito alegre e colorido típico da série. Há uma boa variedade de personagens para desbloquear, cada um com seu estilo e personalidade, o que dá um toque de leveza e humor à experiência. Os tutoriais também cumprem bem o papel de introduzir você às mecânicas básicas, tornando-as acessíveis até para iniciantes no gênero. No papel, parece uma receita segura para mais uma rodada de sucesso.
Mas é quando você entra de fato no campo que a bola começa a sair completamente do rumo. O sistema de tacadas, que deveria ser o coração aqui, é simplesmente terrível. A barra de força é inconsistente e torna o ato de acertar a bola uma questão de sorte, não de habilidade, especialmente por conta de alguns atrasos nos comandos. É frustrante perceber que, mesmo aparentemente acertando o timing perfeito, o resultado raramente corresponde à expectativa. A sensação é de que o erro é seu, quando na verdade é um problema claro de falta de otimização e design de gameplay mal calibrado. Comparando isso diretamente com Mario Golf, percebi que a resposta no jogo da Nintendo é infinitamente melhor.
Câmera desajeitada e problemas de visibilidade

A câmera também dá seu show de horrores. Não é possível movê-la com liberdade nem acelerar a rotação entre os ângulos, e o pior: árvores e obstáculos não ficam translúcidos quando estão no meio do seu campo de visão. O resultado é um sistema de visualização travado, que te faz perder tacadas simplesmente porque o jogo não te deixa ver o que está à frente.
Outro problema grave é o grind. Para desbloquear novos personagens, você precisa jogar o Modo Challenge dezenas de vezes — se der certo, menos de 30 por desbloqueio de personagem. Isso torna a progressão extremamente cansativa e repetitiva. Em teoria, a ideia de ganhar novos golfistas jogando soa divertida, mas na prática é uma maratona monótona que exige paciência de ferro.
Estilo visual duvidoso e problemas técnicos

Visualmente, Everybody’s Golf: Hot Shots também desaponta. Os gráficos são simples, com ambientes pouco inspirados e texturas que parecem vindas de duas gerações atrás. Para piorar, a performance no Switch sofre bastante — há quedas de framerate constantes e uma opção de resolução dinâmica que tenta mascarar a falta de otimização, mas só evidencia o quão mal o port roda no console.
E, infelizmente, há um ponto ético bem preocupante: o game propositalmente apresenta personagens femininas claramente descritas como adolescentes (com seus 15 anos), com minissaias e roupas desnecessariamente reveladoras. Isso não só destoa completamente do tom leve e familiar da franquia, como também é algo que não deveria estar presente em um título dessa natureza. Não vou incluir capturas de tela das vestimentas aqui por motivos óbvios. Certamente não indicaria o jogo pra famílias.
Falta de brilho no campo
Mesmo com seu humor característico e o charme dos personagens, Everybody’s Golf: Hot Shots não consegue se destacar. O game é sabotado por controles imprecisos, progressão exaustiva, performance inconsistente e escolhas visuais e éticas questionáveis. A tentativa de capturar o espírito arcade de “pegar e jogar” existe, mas o resultado final é um produto confuso e frustrante, longe da excelência que a série já representou no passado.
Cópia de Switch cedida pela Bandai Namco



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