Rapaz, como fiquei incrédulo ao ler a notícia que a Hamster estava trazendo para o Console Archives um clássico da Sunsoft de Playstation 1 que marcou a minha infância.
Sempre fui do survival horror de câmera fixa dos jogos alternativos. Aparte de Resident Evil 2, enquanto todo mundo jogava a série clássica da Capcom e Silent Hill da Konami, eu estava preso em jogos como Dino Crisis e Parasite Eve, entre outros que tive a oportunidade de jogar antes, como Countdown Vampires e Covert Ops: Nuclear Dawn.
Mas T.R.A.G. Mission of Mercy está em um canto especial do coração. A estética de anime, a junção de beat ‘em up com Survival Horror (não se preocupe, ele mantém muito mais o aspecto de Survival Horror) tinha um charme sem precedentes para mim.
Mas o que a Hamster preparou para nós trazendo esse clássico?

Diferenciado, mas com seus defeitos
T.R.A.G., conhecido como Hard Edge no Japão e na Europa, é um jogo de câmera fixa com cenários pré-renderizados no maior estilo Resident Evil.
Assim como os clássicos de antigamente, o controle é estilo tanque (é necessário virar com a esquerda/direita no d-pad/analógico e andar para frente apertando para cima), porém os personagens só possuem uma arma (no primeiro gameplay). Para compensar isso, os quatro personagens jogáveis que podem ser alternados em tempo real durante o jogo possuem diversos golpes que podem ser realizados com os direcionais, criando uma grande variedade de combos.
O que mais chama atenção, porém, é a diversidade. Dino Crisis e Resident Evil possuem escolhas que alteram algumas cenas durante o jogo, mas T.R.A.G. eleva isso ao extremo. Já de início, é necessário escolher qual de dois personagens (Alex e Michelle) irão subir pela escada ou pelo elevador, e só aí já cria diversas sub-cenas diferentes.

Além disso, algumas das mesmas cenas de CG foram realizadas com diferentes personagens, criando uma grande variação.
Outra mudança é que, ao investigar o cenário, objetos e os famosos files (os arquivos de textos que explicam a história), alguns desses fatores mudam conforme o personagem que analisou o objeto.
Durante a luta contra os chefes não é possível mudar o personagem, e dependendo de quem o jogador escolher, o diálogo muda, assim como a possibilidade de ganhar um extra novo no final do jogo. E, para colocar uma cereja no bolo, o jogo conta com dois finais, além de alguns finais extras de game over.
O jogo original conta com extras de montão
Antes de trazer o que a Hamster trouxe de adicional no jogo, é interessante notar que T.R.A.G. possui diversos extras. Há itens escondidos pelo cenário, puzzles secundários para conseguir itens, como melhorias permanentemente de vidas e habilidades especiais de cada personagem para avançar no jogo (Rachel é pequena e pode passar por lugares pequenos, Alex pode enxergar no escuro, Michelle é mais rápida nos golpes, Burns é o mais forte do grupo).

Ao finalizar o jogo, diversos extras são desbloqueados, como um mapa estilo Metal Gear Solid, além de roupas e armas novas para cada personagem, com diferentes características.
Na primeira rodada para zerar, investigando tudo minuciosamente, levei um pouco mais de 5h30 de jogo, e não consegui abrir um cofre do jogo. Na segunda rodada, consegui zerar em menos de 2h30.
Hamster trouxe extras interessantes, mas nenhuma melhoria de qualidade de vida
Este arcade Archives traz o básico necessário em todos os clássicos trazidos pela Hamster: possibilidade de diferentes dimensões de telas, filtro CRT e Noise, Wallpapers e os necessários save states.
Também traz suporte a diferentes configurações de controles. Porém, o mais interessante é trazer ambas as versões para o console, tanto Hard Edge (Japão) quanto T.R.A.G. (ocidente). Uma coisa que sempre me incomodou foi a voz de Michelle ser uma no vídeo inicial, e durante o jogo ser outra dubladora, mas descobri que na versão japonesa, que também é dublada em inglês, é a mesma atriz do filme inicial.
Além disso, a versão japonesa possui telas diferentes de mapa e menu além das legendas em japonês.

No entanto, o jogo carece de algumas melhorias bem básicas. Ainda é normal travar nas paredes do cenário ao correr, e não foi implementado um giro de 180º. Alguns chefes, especialmente o último, possui movimentos bem roubados, que não são bloqueáveis ou inescapáveis dependendo de onde o jogador ficou no cenário para atingir seu ponto fraco.
Outro fator que me decepcionou foi não ter um sistema de conquistas ou uma galeria para exibir se o jogador conseguiu fazer todas as cenas do jogo, especialmente com a grande quantidade de variações que o jogo oferece.
Mesmo assim, é difícil não recomendar este grande jogo, que conseguiu inovar em sua jogabilidade (e não na história) dentro do universo Survival Horror da época.
Análise realizada com uma chave gentilmente cedida pela editora.



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