Num mundo em que os Metroidvanias estão cada vez mais difíceis, Bahamut and the WaqWaq Tree chega com a proposta de oferecer uma aventura relaxante guiada pela narrativa. Bora mergulhar nele?
Sobre Bahamut and the WaqWaq Tree
Fundado por Meaad Aflah e Muslih Alzahrani, Starvania é um estúdio pequeno na Arábia Saudita com 5 jogos já prontos.
O processo de desenvolvimento de Bahamut and the WaqWaq Tree começou em 2022, logo que o estúdio começou. Começou sendo um jogo de natação intuitivo baseado em jogos como Ecco the Dolphin e Rayman Legends. Várias ideias foram testadas, entre focar mais na ação ou ter ainda mais elementos de metroidvania, mas no fim das contas, decidiram fazer do jogo uma experiência agradável, relaxante e que servisse como uma janela para dentro da cultura árabe movida pela história.
O jogo recebeu a primeira demo jogável na Steam Next Fest de junho de 2024, e conforme seu processo de desenvolvimento foi ficando mais robusto, foi colecionando prêmios em festivais de jogos indies.
O jogo recebeu um trailer completo em março de 2025, e foi lançado para PC em maio. Depois de mais um tempinho de espera, e algumas atualizações, ele foi finalmente lançado para o Switch no final de agosto.
História
Bahamut and the Waqwav Tree é um deleite para quem gosta de boas histórias. Há muito tempo, o universo foi criado, e com ele, Ma’een, um reino também chamado de “o mar cósmico”. Para manter o equilíbrio em Ma’een, Bahamut e Falak, as encarnações da luz e das trevas, surgiram. No centro de Ma’een, encontra-se a Árvore WaqWaq do título, e, das frutas dessa árvore, nascem as criaturas que habitam Ma’een, Tabib Al Bahr, os doutores do mar . Um dia, Bahamut e Falak desapareceram do convívio com suas criaturas, e Ma’een caiu em escuridão, com seu povo e a própria árvore definhando. Por séculos, a Árvore WaqWaq não produziu nenhum fruto, até que um dia, um galho saudável nasceu, e dele, uma única fruta, que deu origem a uma nova vida, você, no caso.
No papel dessa nova vida, você vai explorar Ma’een, fugir das criaturas das trevas, Duja’a, e usar seus poderes de luz para atrair entidades Diya’a e explorar cada vez mas profundamente o Mar Cósmico para conseguir restaurar o equilíbrio e trazer a vida plena de volta para seu mundo.
Você será capaz de seguir as pistas, encontrar Bahamut e descobrir o que aconteceu para Ma’een cair em desequilíbrio, e a Árvore WaqWaq murchar?
Apesar da curta duração, (dura cerca de 5h, em média), a história fortemente influenciada pela mitologia árabe brilha, e ela é contada à medida que você vai avançando, inicialmente por meio de narração, em alguns momentos por meio de cutscenes, outros com alguns pedaços físicos de lore que você obtém para ler, e também muita coisa é contada enquanto você simplesmente nada para lá e para cá para fazer as coisas. Bahamut está sempre falando com você.
Destaque especial para Bahamut ser um peixe de novo, como era no princípio (para quem não sabe, antes de sincretismos diversos fazê-lo virar um dragão, Bahamut era um peixe gigante que carrega o planeta nas costas).
Jogabilidade
Se você gosta de jogos com muitos desafios, Bahamut and the WaqWaq Tree não é para você. O jogo é mentalmente desafiador em alguns momentos, há vários puzzles que precisam ser decifrados, entidades Diya’a que precisam ser levadas de um lado a outro, e portas a serem abertas através de movimentos precisos, mas no geral, este jogo é um jogo tranquilo.
Não há mortes, não há game overs, nada que você fizer aqui acabará com sua aventura. Cada vez que sua energia zera, o que acontece com certa frequência em alguns pontos das profundezas, você voltará para o checkpoint de luz mais próximo de onde aconteceu, e poderá tentar de novo, e de novo, de novo, até conseguir.
No começo, você só nada para lá e para cá, podendo também nadar mais rápido apertando o botão, mas, conforme você avança, encontra escamas de Bahamut que te permitem acessar alguns dos seus poderes de luz. O primeiro poder, que é o que você mais vai usar, é um círculo de proteção luminoso, que atrai entidades Diya’a e repele entidades Duja’a, além de te proteger da escuridão profunda, embora ativá-lo consuma sua energia. Você também adquire com o tempo a possibilidade de usar sua luz para revelar coisas ocultas no mar, além de também poder ativar mecanismos especiais e escrever coisas por aí (onde aplicável). Algumas das mecânicas lembram um pouco Okami, no sentido de traçar, mas o jogo nem sempre reconhece adequadamente o que você está fazendo.
Li alguém chamando o jogo de “simulador de caminhada”, o que é quase uma verdade, embora seja nadando, não caminhando. Os maiores desafios que você vai encontrar são ambientais, não há nenhum inimigo que você tenha que atacar a qualquer momento, nenhum susto, nenhuma complicação muito excessiva. O objetivo aqui claramente era o de oferecer uma alternativa aos jogos do estilo extremamente difíceis que vêm se acumulando nos últimos tempos, e, novamente, não vai agradar a todo mundo, mas para quem gosta de jogar para passar o tempo e se encantar, não se frustrar o tempo todo, é uma ótima pedida.
Isso não significa que o jogo é só um passeio pela praia. Existem, sim, vários momentos em que você vai ter que quebrar a cabeça para entender como acessar determinadas áreas, e há vários pontos em que é necessário ter precisão para conseguir acender as luzes necessárias na ordem certa, com a barra de energia que você tem (não há maneiras de aumentá-la). Há também alguns acessos que ficam abertos por tempo limitado depois que você os ativa, então, entender o timing exato e qual é o caminho perfeito para conseguir são habilidades que você vai ter que ter para conseguir ver o final do jogo.
É uma pena que o jogo seja tão curto e que haja poucas habilidades diferentes. Acho que o conceito pode ser muito bem aproveitado em outro jogo do mesmo estilo, e espero muito que o estúdio faça algo assim.
Não tem save automático, então, lembre-se de sempre salvar seu jogo antes de sair, ou você perderá todo o seu progresso. Há também apenas um save por perfil do Switch, então, não comece de novo sem a certeza de que quer seguir do zero.
Parte Técnica
Como um jogo pequeno, totalmente 2D e simples, era de se esperar que Bahamut and the WaqWaq Tree rodasse totalmente liso no Switch. Infelizmente, não é o caso 100% do tempo.
O primeiro problema que encontrei foi algo que nem os desenvolvedores do jogo sabiam que era possível. No meu Switch v1, uma parte do cenário não carregava durante o tutorial inicial, e eu fiquei dias esperando sem saber o que fazer. Aí, eu recomecei o jogo num Switch v2, consegui avançar, salvei e passei o save pro meu, mas foi algo bem incômodo, embora, de novo, só aconteceu comigo, aparentemente.
Além disso, houve algumas situações nas quais ao carregar o jogo, uma parte das coisas não carregava. Num ponto em específico, eu ficava batendo numa parede invisível, sem saber o que estava acontecendo, até que eu reiniciei o jogo, ou o Switch, e o problema foi resolvido.
Também houve alguns momentos em que o jogo começou a engasgar um pouco em momentos de muita coisa na tela, e eles foram mais perceptíveis na v1 do Switch que na v2.
Fora isso, porém, o jogo é lindo. Os cenários, as criaturas e as artes, tudo é muito lindo, meio etérico, bem de acordo com a vibe que o jogo quer passar.
A parte sonora do jogo é bastante agradável. Especialmente confortáveis são os sons de movimentos na água e de bolhas, e a música, relaxante e tranquilizadora na maior parte do tempo. As personagens não falam, fora Bahamut e Falak, mas os sons que fazem (lembram um pouco os de The Sims) são bonitinhos.
O jogo tem áudio em árabe e em inglês, muito boa a narração e a voz dos dois deuses, e os textos em vários idiomas, mas português não é um deles. Os devs estão cientes disso e disseram que gostariam de traduzir para mais idiomas, mas não foi possível. É uma pena, porque o melhor aspecto do jogo é sua história, e quem não entende os idiomas disponíveis fica sem poder compreendê-la.
Conclusão
Bahamut and the WaqWaq Tree é uma bela joia do oculta no oceano de metroidvanias. Trazendo uma jogabilidade diferente, porém curta, vale a experiência para quem gosta de jornadas tranquilas, mas que te fazem pensar, além de dar um belo vislumbre da cultura árabe.
Análise feita com cópia gentilmente cedida pela Soft Source


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