Little Nightmares III chega com a promessa de expandir o terror atmosférico da série, agora com co-op (controlado pelo computador ou um outro jogador) e novos quebra-cabeças que exigem colaboração. A essência continua fiel ao que consagrou a franquia: tensão constante, ambientes opressores e um nível de direção de arte que cria cenários quase infantis, parecidos com os pesadelos que tínhamos quando crianças. No entanto, no Switch 1, essa experiência sofre bastante devido a problemas técnicos que reduzem o impacto visual e prejudicam o ritmo do jogo. Te explico o porquê.
Atmosfera e Jogabilidade

Assim como as entradas anteriores, Little Nightmares III segue firme na criação de cenários perturbadores sem recorrer a jumpscares. A ambientação continua impecável, e a decisão de introduzir co-op traz uma nova camada de interação aos quebra-cabeças. Os itens exclusivos de cada personagem, como o guarda-chuva e outras ferramentas, ajudam a diversificar as situações, trazendo um ar de frescor à progressão e aos requisitos para avançar na trama.
O problema é que, no Switch 1, boa parte desse cuidado artístico se perde. Os cenários ficam extremamente borrados e escuros, a iluminação perde qualidade e, em algumas áreas, a nitidez é tão baixa que certos elementos ficam difíceis de identificar. Isso impacta diretamente a leitura visual dos puzzles e reduz parte da magia que a série costuma transmitir com excelência. Tive que ligar os recursos de acessibilidade pra adicionar contornos aos objetos da cena, e, lógico que seja, isso não é o ideal.
Performance Comprometida

Além da baixa resolução e dos visuais borradíssimos, o Switch 1 apresenta quedas no desempenho. O jogo roda a 30 fps, mas ainda apresenta lentidões e resposta mais lenta nos controles. Em algumas sequências mais movimentadas e com mais informação na tela, o frame rate oscila de forma bem perceptível, afetando a precisão dos comandos — especialmente ao se esquivar, mirar objetos ou resolver puzzles que dependem de timing.
A mira, que já era problemática nas outras versões, fica ainda mais inconsistente aqui, com sensação de atraso e de falta de responsividade. Em combates e momentos de tensão, parece muito mais uma briga contra os controles do que contra os perigos presentes. Mesmo em momentos em que é óbvio para onde a mira deve caminhar, ela não segue o óbvio e se perde.
Limitações no Co-op

Apesar de Little Nightmares III finalmente oferecer uma campanha totalmente cooperativa, a limitação persiste: nada de co-op local. E, para piorar, a versão do Switch (aliás, todas as outras) também sofre com a ausência de crossplay, o que dificulta bastante jogar com amigos em outras plataformas. Existem apenas planos para implementar o online entre Switch 1 e 2.
Assim, mesmo que o co-op funcione bem no plano conceitual e a AI até controle bem o segundo personagem, a experiência acaba sendo restrita e menos acessível. Aliás, se escolher um determinado personagem, não poderá experimentar a jogabilidade do outro até terminar o game. No mais, os devs da Supermassive confirmaram que não há planos de trazer o crossplay para o game, o que é ainda mais decepcionante de saber — portanto, esteja ciente.
Excelente continuação, mas erra em coisas cruciais
Little Nightmares III continua artisticamente brilhante e criativo, mas a versão de Switch 1 (e até mesmo no 2, por não ter otimização pra ele) é a pior forma de jogar o título. Entre a resolução extremamente baixa e borrada, a falta de crossplay, o desempenho instável e os controles prejudicados, grande parte da experiência perde força. É uma boa aventura — mas não aqui.
Análise realizada com uma chave gentilmente cedida pela editora

Little Nightmares III
Editora: Bandai Namco
Desenvolvedora: Supermassive Games
Lançamento: 10/Out/2025
Plataformas: 



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