Uma nova rodada de leituras em arquivos do chamado “Teraleak” voltou a aquecer as teorias sobre a futura 10ª geração de Pokémon. O material em questão se refere a uma build interna datada de 2023, aparentemente ligada a um projeto de codinome Gaia, e foi analisado por dataminers que vasculharam pastas de cenários, efeitos e animações. Por se tratar de um vazamento antigo, sem qualquer confirmação oficial, todas as interpretações descritas aqui são especulativas e podem não refletir o produto final.
O próprio “Teraleak” é conhecido como um dos maiores vazamentos da história da Game Freak, reunindo builds, documentos e artes internas de vários jogos da franquia. Dentro desse enorme pacote de dados, fãs encontraram uma build de 2023 com diversos arquivos de cenário e jogabilidade que parecem apontar para um jogo principal em estrutura de arquipélago – possivelmente a tão especulada 10ª geração.
“Ilha 1” e uma cidade portuária gigante
Uma das descobertas mais comentadas envolve arquivos de cenário identificados como “w01”, que os dataminers interpretam como a “ilha 1” desse projeto. Segundo eles, a Game Freak costuma usar a letra “w” para designar grandes áreas de mundo, e o sufixo numérico indicaria cada região ou ilha. Dentro de w01 aparecem referências a uma cidade grande, múltiplas pontes, um hotel, um navio do tipo cruzeiro e estruturas como praça e gazebos, sugerindo um grande centro urbano costeiro.
Os mesmos arquivos trazem a letra “t” como prefixo para conjuntos de assets relacionados a povoados menores, como “t01”, “t02” e “t03”. Em meio a esses, há menções a uma “treehouse”, indicando que ao menos um desses assentamentos teria casas em árvores. A partir disso, dataminers levantaram a hipótese de que a ilha 1 abrigaria “uma cidade enorme e pelo menos três vilas/vilarjos”, além de pontos de interesse específicos.
Entre esses pontos se destaca a “Relic Tower”, presente em arquivos de objetos de cenário com o rótulo de “trial”. Isso levou parte da comunidade a especular que a torre poderia funcionar como uma espécie de desafio especial ou até arena de chefão, lembrando as provas de Pokémon Sun & Moon. Nada disso, porém, passa de interpretação baseada em nomes de arquivos e pode ter sido apenas um protótipo.
Portos, teleféricos e termos em japonês
Em meio aos arquivos da ilha 1 aparecem também nomes que remetem diretamente ao vocabulário japonês. “Sanbashi” é a palavra usada para designar cais ou píer, enquanto “mizunushi” pode ser associada a funções ligadas a navegação ou ao trabalho no mar. Esses termos surgem vinculados a estruturas de cenário, reforçando a leitura de que a ilha principal teria um porto ativo, com navios atracados e ambiente marítimo bem marcado.
Outro conjunto de arquivos fala em “ropeway”, termo em inglês frequentemente usado no Japão para se referir a teleféricos. Isso, somado a menções a penhascos da área “Winds” e a uma série de objetos de rocha e falésia, sugere que pelo menos parte do mapa envolveria montanhas íngremes ligadas por teleférico, reforçando a ideia de um mundo com muita verticalidade.
Biomas de deserto, vulcão, selva e cavernas
Os diretórios dessa build apresentam ainda uma série de terrenos nominais de biomas. Há um “zbiomedesert” com arquivos de colisão, mapa de altura e materiais de textura, indicando um bioma de deserto montado com todos os elementos técnicos necessários. Outro bloco de arquivos faz referência a “zbiomevolcano”, incluindo heightmaps, detailmaps, splatmaps e outros componentes típicos de um terreno vulcânico com lava, cinzas e áreas vazadas.
Além disso, surgem texturas de chão e paredes de caverna, bem como um pacote robusto de assets de “jungle” (pântano) – folhas, cipós, troncos e galhos – associados a um mundo identificado como “w50”. Em outra parte, materiais de lava ligados a “w08” indicam que a oitava ilha ou região do projeto teria áreas de magma, possivelmente ligadas a um vulcão local. Tudo isso reforça a impressão de que o jogo exploraria uma grande variedade de biomas, distribuídos entre várias ilhas ou zonas independentes.
W50, a “ilha laboratório” da equipe
Os arquivos de “w50” chamam atenção por estarem agrupados em pastas de “debug” e por listarem diversos campos específicos: “beach_field”, “cave_field”, “jungle_1_field” até “jungle_7_field” e “volcano_field”. Há ainda cenas dedicadas a sistemas de “gimmick”, como itens escondidos, spawners de Pokémon e algo chamado “wind_motor”, que provavelmente controla efeitos de vento em gameplay.
Essa organização levou dataminers a enxergar w50 como uma espécie de “ilha de testes”, um espaço onde a equipe de background e sistemas experimentaria mecânicas gerais de mundo aberto – desde o comportamento da selva e da praia até quebra-cabeças de vento e posicionamento de encontros. Se essa leitura estiver correta, parte do que aparece em w50 pode nunca chegar ao produto final, mas serve como janela para o tipo de experimento que a Game Freak vinha fazendo em 2023.
Builds de teste e cenas de desenvolvimento
Fora das ilhas numeradas, surgem também cenas ligadas diretamente a nomes de desenvolvedores – campos de teste, eventos de roteiro e experimentos isolados. São pequenos “laboratórios pessoais” dentro do mesmo projeto, com interfaces de batalha, HUD do Pokédex e sistemas de mensagens em versão de testes.
Esses elementos reforçam que estamos olhando para uma build em estágio de desenvolvimento, na qual diversos sistemas – mundo aberto, interface de batalha, menus e até layout de mensagens – ainda podiam ser reescritos, substituídos ou descartados antes de qualquer lançamento.
Montarias reforçadas, efeitos de corrida e scooters
Um dos pontos mais intrigantes da build analisada está na pasta de efeitos em “player/ride”. Nela surgem modelos 3D completos chamados de “cpm_0_circle”, “cpm_0_crossy” e “cpm_0_ring” – com arquivos de malha, material e esqueleto – que lembram muito anéis e alvos tridimensionais, possivelmente usados como checkpoints em percursos de montaria, voo ou planagem.
Junto deles aparecem dezenas de texturas “cpt_0”, “cpt_1”, “cpt_2” e “cpt_4” em formato BNTX, indicando efeitos de tela como desfoque de movimento, flashes, gradientes de cor, linhas de velocidade e até marcas elementais de fogo, água e trovão. A combinação de anéis 3D com esses efeitos visuais de velocidade fez os dataminers cogitarem a existência de desafios de corrida ou prova aérea, em que o jogador atravessaria círculos voando ou montando um Pokémon, ganhando impulsos e efeitos especiais.
Em conversas compartilhadas pela comunidade, um usuário nomeado “Fendoreo1” (ResetERA) comenta o aparecimento de novas animações ligadas a esse sistema. Em suas palavras, registradas a partir do inglês original, “algumas animações novas estão aparecendo – animações de salto, planagem, mergulho e vôo. Charizard tem uma animação de mergulho”. Isso sugere que pelo menos um dos monstros usados internamente para testes – no caso, Charizard – teria suporte completo a mecânicas de voo, planagem e mergulho.
O mesmo usuário menciona que, além de montar criaturas, o projeto teria veículos próprios. Segundo ele, “além de montar qualquer mon, também temos scooters”. A partir dessa fala, parte da comunidade passou a acreditar em um sistema de montaria mais amplo que o de títulos anteriores, com a possibilidade de montar diferentes Pokémon e ainda usar veículos específicos em áreas urbanas, embora nada disso esteja confirmado.
Pokémon antigos já presentes na build
Outro pedaço da conversa do dataminer lista alguns Pokémon antigos encontrados nessa build de 2023, indo além de simples testes de modelo. Entre eles estão Charizard, Pikachu (com variação de gênero), Gastly, Gyarados (também com variação de gênero), Tropius, Shinx, Luxio, Luxray, Lucario, Lumineon, Sandygast, Copperajah e Snom. A presença desses nomes sugere que a equipe já trabalhava em modelos e animações de retorno para essas espécies dentro do projeto Gaia.
Ainda assim, é importante reforçar que “estar presente na build” não significa ter presença garantida no jogo final. Em desenvolvimentos longos, é comum que criaturas, mecânicas e até áreas inteiras apareçam em builds intermediárias e sejam cortadas, reaproveitadas em outros projetos ou totalmente reimaginadas.
O que esses vazamentos podem indicar sobre a 10ª geração
Tomando todos esses arquivos em conjunto, a imagem que se forma é a de um possível jogo principal de Pokémon estruturado em múltiplas ilhas, cada uma com biomas próprios – deserto, vulcão, selva, penhascos ventosos, praias e cavernas – e uma ilha inicial com grande cidade portuária, vilas menores e pontos de interesse como a Relic Tower. A verticalidade parece ser um foco, com teleféricos, penhascos, casas em árvores e sistemas de vento em destaque.
O sistema de montaria, por sua vez, aparenta ser mais ambicioso (até mais do que o visto em Pokémon Let’s GO, Pikachu! / Eevee!), com direito a corridas ou provas de anéis, efeitos de alta velocidade, planagem, mergulho e veículos urbanos como scooters. Se essas ideias forem levadas adiante, a futura 10ª geração poderia apostar em exploração muito mais livre, misturando viagem terrestre, aérea e possivelmente aquática em um mundo segmentado por ilhas, mas interligado por diferentes meios de transporte.
Tudo isso, porém, permanece no campo da especulação. Os dados vêm de uma build de 2023 encontrada em um vazamento não autorizado, e projetos em desenvolvimento passam por muitas mudanças até ganharem forma final. Até que a The Pokémon Company e a Game Freak façam anúncios oficiais, qualquer conclusão sobre a 10ª geração precisa ser encarada apenas como curiosidade de bastidores e não como promessa de conteúdo.
A previsão é de que a décima geração de Pokémon seja lançada com exclusividade para o Nintendo Switch 2 em 2026.
E você, o que acha dessas possíveis direções para o próximo grande jogo da série Pokémon? Um arquipélago cheio de biomas e um sistema de montaria mais livre é o futuro que você gostaria de ver, ou prefere que a franquia siga por outro caminho? Conte nos comentários.
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