Após anos de pedidos fervorosos da comunidade, a Ubisoft finalmente nos leva ao Japão Feudal. Mas a grande surpresa não é apenas o cenário, e sim como Assassin’s Creed Shadows marca o retorno triunfal da franquia principal aos consoles da Nintendo em grande estilo. Desde Black Flag no Wii U, não víamos um lançamento simultâneo (ou próximo disso) com tamanha ambição técnica em uma plataforma da casa de Mario. O resultado no Nintendo Switch 2 é, no mínimo, um feito impressionante de engenharia.
O jogo nos coloca no controle de dois protagonistas com filosofias de vida e de combate opostas. Naoe é a personificação do estilo clássico da série: ágil, furtiva e letal com sua lâmina oculta. Já Yasuke, o lendário samurai de origem africana, é uma força da natureza que prefere derrubar portões a escalá-los. O grande trunfo aqui é que essas diferenças não são apenas cosméticas; elas alteram completamente a forma como abordamos as missões na região de Kansai. Enquanto Naoe exige paciência e o uso estratégico das sombras – que podem ser criadas ao apagar fontes de luz –, Yasuke utiliza o poder bruto e armas de fogo, como o Teppo, para dominar o campo de batalha.

O milagre técnico portátil
Rodar um jogo construído para a atual geração em um console híbrido exige sacrifícios, mas a Ubisoft foi estratégica. No Switch 2, Assassin’s Creed Shadows utiliza tecnologias de ponta como o DLSS para realizar o upscaling de imagens, garantindo uma fidelidade visual surpreendente na tela pequena. A implementação do VRR (Variable Refresh Rate) no modo portátil é o que salva a experiência, permitindo que as quedas ocasionais de quadros em cidades densas como Osaka não resultem em engasgos perceptíveis para o jogador.
É verdade que, para manter a estabilidade, recursos como o Ray Tracing e o sistema de renderização de fios de cabelo foram removidos, assemelhando-se à versão de Xbox Series S, mas com cortes adicionais em texturas e densidade de folhagem. No entanto, a direção de arte brilha ao mostrar as mudanças sazonais do Japão, transformando o bioma conforme o tempo passa. O uso do HD Rumble 2 também merece destaque, trazendo uma camada extra de imersão ao sentir o impacto das katanas ou o galope dos cavalos.

Entre docas e sombras
Apesar do sucesso no modo portátil, o modo dock ainda precisa de refinamento. Jogar na TV revela um problema crônico de frame-pacing, onde o jogo, mesmo tentando manter os 30 FPS, apresenta uma sensação de stuttering (micro-travamentos) que pode incomodar os jogadores mais exigentes. Além disso, os tempos de carregamento para iniciar um save são consideravelmente maiores que no PS5, embora a navegação pelos menus e o carregamento inicial do jogo sejam ágeis graças ao armazenamento interno do Switch 2.
Assassin’s Creed Shadows é um RPG massivo que pode facilmente consumir 100 horas da sua vida. Entre missões de infiltração, construção de base e a exploração de um mapa vibrante, há sempre algo para fazer. A inclusão de controles por toque nos menus e o suporte ao Ubisoft Connect para cross-progression tornam esta versão a companheira perfeita para quem já joga em outras plataformas mas não quer abandonar a jornada durante uma viagem.

Jogo gentilmente concedido pela Ubisoft para esta análise.



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