Uma reportagem publicada pelo Game File revelou que dois consumidores entraram com uma ação coletiva contra a Nintendo nos Estados Unidos, argumentando que a empresa não deveria ficar com um eventual reembolso de tarifas caso recupere do governo valores que já teriam sido repassados ao público por meio de aumentos de preço.
Segundo o processo, os autores Gregory Hoffert, da Califórnia, e Prashant Sharan, de Washington, afirmam ter comprado produtos da Nintendo com preços elevados por causa das tarifas. Eles pedem que o caso receba status de ação coletiva para representar todos os consumidores dos Estados Unidos que adquiriram produtos da empresa com preços reajustados entre 1º de fevereiro de 2025 e 24 de fevereiro de 2026.
A alegação central é que, caso a Nintendo consiga recuperar esses valores junto ao governo e ainda mantenha com ela o dinheiro obtido com os aumentos cobrados dos consumidores, haveria um ganho duplo. O texto da ação resume esse entendimento ao afirmar que, “a menos que seja impedida por este Tribunal, a Nintendo poderá recuperar os mesmos pagamentos de tarifas duas vezes – uma dos consumidores, por meio de preços mais altos, e outra do governo federal, por meio de reembolsos tarifários, incluindo juros pagos sobre esses valores”.
O imbróglio começou após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar as tarifas em fevereiro, entendendo que elas haviam sido implementadas de forma ilegal pelo então presidente Donald Trump. Em março, a Nintendo entrou com sua própria ação para tentar recuperar os valores pagos. Pouco depois, esse e outros processos semelhantes movidos por centenas de empresas ficaram paralisados enquanto o governo estruturava um sistema de reembolso.
Agora, com o início desse processo de devolução anunciado nesta semana pelo governo norte-americano, a discussão voltou à tona. De acordo com a matéria, empresas podem receber até US$ 160 bilhões em reembolsos. Foi nesse novo cenário que a ação contra a Nintendo surgiu, sustentando que uma eventual restituição deveria beneficiar também os consumidores que pagaram mais caro pelos produtos.
Os autores do processo ainda citam declarações públicas de executivos da Nintendo ligando diretamente as tarifas aos reajustes. Em maio de 2025, o presidente da companhia, Shuntaro Furukawa, afirmou a investidores que “nossa política básica é que, em qualquer país ou região, se tarifas forem impostas, nós as reconhecemos como parte do custo e as incorporamos ao preço”.
As tarifas foram anunciadas no início de abril de 2025. Ainda naquele mês, a Nintendo comunicou aumentos de US$ 5 em controles do então futuro Switch 2. Já em agosto, a empresa também elevou o preço do Switch original, reforçando o argumento dos consumidores de que os custos extras foram efetivamente repassados ao mercado.
A publicação também observa que esse tipo de disputa não é inédita. Processos semelhantes já foram apresentados contra empresas como FedEx, UPS e a importadora de óculos EssilorLuxottica. No caso da FedEx, a companhia chegou a prometer que repassaria seus reembolsos tarifários aos consumidores, mas acabou sendo processada mesmo assim.
Resta agora acompanhar se a ação contra a Nintendo avançará e, principalmente, se a discussão sobre eventuais reembolsos tarifários poderá abrir precedente para consumidores cobrarem compensações semelhantes de outras empresas que elevaram preços no mesmo contexto.


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