Sonic Frontiers leva o mascote da SEGA para uma direção completamente diferente daquela vista nos jogos tradicionais da franquia. Em vez de apostar apenas em fases lineares de alta velocidade, o game coloca Sonic em enormes ilhas de mundo aberto conhecidas como Starfall Islands, onde o ouriço deve explorar livremente, resolver desafios, enfrentar gigantescos Guardiões e descobrir os mistérios por trás do desaparecimento de seus amigos. É uma proposta bastante ousada e que mostra a vontade da SEGA de reinventar uma fórmula que já dava sinais de desgaste. Mas o quanto isso funciona?
Uma nova direção para a franquia

A primeira coisa que chama a atenção em Sonic Frontiers é justamente sua proposta. Nunca vimos um título principal da franquia seguindo esse formato de mundo aberto Zelda BotW-like ou mesmo Shadow of Colossus, e devo admitir que a ideia funciona muito melhor do que eu imaginava — em alguns aspectos.
Explorar livremente as ilhas, encontrar desafios espalhados pelo cenário e descobrir novos caminhos traz uma sensação de novidade que a série precisava há bastante tempo. Fora que o mundo aberto é algo completamente novo na franquia, especialmente depois da era 3D do ouriço que se iniciou com Sonic Adventure.

Outro elemento que gostei foi a velocidade regulada de Sonic. Diferentemente de outros títulos da franquia, aqui ela foi muito melhor controlada. Você continua sendo extremamente rápido, mas consegue enxergar o cenário à sua frente e reagir aos obstáculos com muito mais naturalidade.
Isso tudo deixa a exploração mais agradável e reduz bastante aquela sensação de perder porque simplesmente não havia tempo para responder ao que aparecia na tela. Também dá pra regular a velocidade em que o jogo se passa, o que torna tudo mais acessível ainda.
Um mundo aberto interessante, mas pouco aproveitado

Apesar da boa ideia, senti que o mundo aberto poderia ter sido muito mais bem utilizado. Em diversos momentos, você simplesmente corre de um lado para o outro sem encontrar atividades realmente interessantes para realizar, ou puzzles mais bem elaborados.
Tudo parece um produto teste e que somos a equipe de testes de qualidade para o game. Os cenários acabam transmitindo uma sensação de vazio, como se faltassem mais eventos, personagens ou pequenas histórias que justificassem melhor a exploração ou fizessem com que o mundo casasse melhor com a proposta.

A narrativa também não consegue manter o mesmo ritmo inicial. Embora desperte curiosidade no começo, rapidamente passa a seguir um caminho bastante genérico e previsível. Isso me fez parecer que estava vagando por um mundo sem sentido, e vez ou outra esbarrava em criaturas. NPCs realmente fazem falta em um universo assim.
Os controles também apresentam uma falta de naturalidade e contexto em relação ao ouriço em si, já que aqui ele desfere golpes nos inimigos como socos e chutes. Mais bizarro que isso, só o jogo do Shadow com a metralhadora. No mais, diversos objetivos são vagos ou genéricos, e deixam você sem entender claramente qual deveria ser o próximo passo.
Uma experiência diferente que abre um bom caminho no futuro
Sonic Frontiers representa uma das maiores mudanças da história da série e merece reconhecimento por isso. A fórmula de mundo aberto funciona, a exploração é divertida e o controle da velocidade finalmente encontra um equilíbrio que torna a jogabilidade muito mais agradável. Ao mesmo tempo, fica evidente que a SEGA ainda está aprendendo a trabalhar com esse novo formato. O mundo carece de atividades mais interessantes, controles que façam mais sentido para o mascote, e a história perde força conforme avança, além de que alguns objetivos poderiam ser comunicados de forma muito mais clara. Mesmo assim, considero Frontiers um excelente primeiro passo para essa nova fase de Sonic e espero que os próximos jogos consigam desenvolver essa ideia com muito mais profundidade.
Chave de análise gentilmente cedida pela SEGA



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