O retorno de Joe Musashi, agora em uma versão ainda melhor.
Shinobi, uma das várias franquias da SEGA que não só fizeram sucesso aqui como também é uma das minhas favoritas, mesmo que o meu favorito não tenha exatamente o mesmo título (Shadow Dancer), faz seu retorno depois um hiato de algumas décadas, em 2025, para todas as plataformas e agora um ano depois está chegando em um versão dedicada para o Nintendo Switch 2. Como não tive a oportunidade de jogar ou analisar na época, agradeço à Sega e à Lizardcube pela chave disponibilizada para fazer esta análise da nova versão de Shinobi: Art of Vengeance .

A vingança sem fim
Joe Musashi, depois de resgatar sua amada, resgatar a Neo City e ter seu mestre assassinado, volta a buscar vingança novamente, agora pelo clã Oboro, que foi praticamente dizimado, restando apenas a sua família e poucos aliados. E o vilão da vez é o Lorde Ruse, líder de uma organização paramilitar conhecida como ENE corporation, uma organização do mal que está tentando conquistar o mundo, e seu primeiro passo foi transformar em pedra os membros do clã Oboro usando poderes estranhos que Ruse adquiriu ao enganar o deus da morte que o tinha escolhido como sucessor. Ele preferiu ficar só com o poder e não com serviço. E assim nosso Shinobi começa sua vingança novamente, de forma silenciosa até demais.
Esse enredo é puro suco da sua origem e jogos da época. Shinobi: Art of Vengeance não esconde suas raízes e mistura muito bem mitologias e cultura orientais para criar uma boa desculpa para sair fatiando tudo pelo caminho. Embora eu realmente gostaria de uma boa desculpa para ter como vilão o Sindicato do crime Zeed ou a Neo Zeed, mais porque todos têm uma sonoridade melhor o que ENE Corporation, até o vilão Masked Ninja, com um nome esse nome genérico parece melhor que Lorde Ruse. Mas não pense que isso é saudosismo, eu só prefiro eles porque nomes mais galhofas

No fim, é bem interessante e tem viradas. Começa parecendo ser apenas aquela desculpa básica para sair jogando shurikens em todos pelo caminho, mas acaba te fazendo conhecer mais do mundo de Shinobi. Por outro lado, não dá para dizer o mesmo sobre Joe Musashi, que mesmo com o clã quase dizimado não diz uma palavra. Não é algo que atrapalha, mas fica uma sensação estranha, afinal você está numa busca de vingança após ter seu povo petrificado e não sabe nem se tem como reverter, os poucos aliados que sobraram falam o tempo todo com você, e sua resposta é sempre “……..”. Em um jogo que foi dublado em japonês e inglês, não ter dado uma voz a Joe Musashi é realmente um desperdício, e olha que tem um elenco de peso na dublagem, principalmente nos vilões.
Com uma reformulação completa na jogabilidade, Shinobi: Art of Vengeance passou de apenas um jogo de ação de rolagem lateral para uma mistura de beat n up, hack n slash e metroidvania, com um sistema de combate totalmente novo baseado em combos e com algumas regras que são quase um jogo de luta. É uma combinação poderosa; apesar de cada fase ter somente um chefe, é possível voltar e explorar livremente atrás de segredos que talvez não sejam acessíveis naquele momento por falta de algum item ou habilidade, e como os mapas são divididos por fases, dá aquele estímulo para explorar as fases passadas enquanto te deixa respirar ao fim de cada uma, te trazendo de volta para o mapa múndi.
Fazia um bom tempo que não voltava na franquia então ver essa mudança de um combate simples para um baseado em combos e finalizações é satisfatório demais. Ninjutsus que usam barra de magia, um especial de tela inteira, esse combate novo é realmente um primor conforme você avança. A melhorias são o que fazem Shinobi: Art of Vengeance brilhar, já que no início, é bem simples, somente com combos de 2 golpes forte e fraco. Mas conforme avançamos e exploramos, vamos abrindo mais coisas na loja e criando mais possibilidades de jogo ao seu estilo. Eu mesmo preferi dar destaque a ataques fortes e chutes voadores, para melhor acesso as finalizações que executam inimigos quando você consegue quebrar a guarda deles.
Parte técnica
Se tem uma coisa que a Lizardcube sabe fazer é dar uma cara nova a franquias da Sega. Shinobi: Art of Vengeance já era lindo no Nintendo Switch 1, mas nessa nova versão está ainda melhor. Os efeitos têm traços que fazem parecer tinta, os golpes tem chamas vivas, o cenário tem iluminação dinâmica, em um jogo 2D é totalmente deslumbrante. O nível de detalhamento e profundidade dos cenários é incrível. O primeiro cenário da vila Oboro já mostra isso bem, mas cada fase, ele brilha mais. Inclusive, as fases bônus, que são em auto scroll, são ainda mais incríveis. A fotografia também tem um bom destaque, com cards com artes lindas no início das lutas de chefe e capa do menu inicial que faz referência aos primeiros jogos.
A trilha sonora tem uma coisa bem legal, que são variações de trilha. Os estágios não têm apenas uma música, mas uma versão normal e uma mais acelerada de batalha. Isso dá muito o tom de urgência e ação desse jogo, que vai crescendo a cada segundo da música, isso tudo usando instrumentos mais orientais como koto, biwa e shamisen, dando aquela ambientada gostosa de embate ninja. A dublagem também ajuda bastante nisso, ao menos a japonesa, que conta com dubladores de personagens famosos de anime como Inuyasha, Sakura Card Captors, Dragon Ball e por aí vai. Acho que foi por isso que Joe Musashi ficou sem voz, acabou o orçamento hahaha.

A jogabilidade com certeza foi o que mais me surpreendeu, e é a melhor coisa de Shinobi: Art of Vengeance. Totalmente fluido e responsivo aos combos, de início ele parece bem limitado, mas vai ficando mais rico conforme compramos coisas. A única coisa que não é muito boa é que a barra de ninjutsu demora um bocado para ganhar upgrade, e considerando que facilmente você vai ter mais opções de ninjutsu do que barras para usar, limita um bocado, mas nada muito grave. A única ressalva com os controles é que não fica muito claro como funciona a escalada na parede. Têm horas que vai e momentos que só não acontece.
Outra coisa são os pontos de checagem, que podem ser usados como teletransporte, e na versão do Switch 2 são praticamente instantâneas e facilitam muito o backtracking.




Discussões sobre isso post