O que temos em mãos é um dos RPGs de ação mais aguardados dos últimos tempos, agora chegando na plataforma da Nintendo.
O anúncio desse RPG de fantasia medieval é realmente uma boa adição à biblioteca, que também conta com o anúncio do jogo de luta, Granblue Fantasy Versus: Rising aparecendo ainda esse ano na plataforma. Mas sem mais delongas, embarque na Grandcypher e participe dessa jornada.
Uma narrativa incrível, porém incompleta
Granblue Fantasy: Relink é um jogo muito rico e completo na narrativa e nos seus diversos personagens, porém ele é uma sequência, e isso implica em muita coisa.
Na pele do capitão da nave (você pode nomear o personagem principal, que por padrão se chama Gran, ou Djeeta, se for uma protagonista feminina) que após encontrar Lyria e viajar para uma ilha em busca de seu pai ao lado de seu amigo lagarto… opa, digo, Dragão (espero que Vyrn não tenha me escutado!), embarca em uma aventura cheio de personagens que se juntam a party, cada um com seus dramas e sonhos.

O jogo faz um ótimo trabalho trazendo o contexto passado da série ao jogo, mas isso causa uma introdução enorme e missões secundárias (chamadas de Episódio do Destino) que são pequenas novels, entrecortadas por algumas sessões de batalhas, que explica a história do personagem até o momento. As telas de loading também apresentam algumas informações extras dos personagens, assim como o Diário de Lyria.
E, mesmo com tudo isso, em muitos momentos do jogo recebemos informações novas sobre algum acontecimento com os personagens que sinto que já deveríamos saber, porque ocorreram no jogo mobile.
Mesmo assim, a história principal e o seu núcleo são relativamente fáceis de acompanhar, trazendo um mundo intenso e rico, cheio de invocações de bestas primordiais, cidades no céu e um universo repleto de raças coexistindo entre si após a grande batalha contra uma raça alienígena chamada Astrais.
O jogo vem na nossa amada língua portuguesa legitimamente brasileira, mas não como uma simples tradução, mas sim com naturalização oficial do mundo, sejam suas criaturas, cidades ou personagens.

Exploração divertida e cheio de recompensas
Este vasto universo conta com um mundo fácil de navegar. Explorar a cidade HUB do jogo, conversar com os NPCs, pegar missões secundárias e evoluir as armas não é só uma função, é antes um ambiente atmosférico que enaltece ainda mais a épica história.
O jogo conta com um mapa em tempo real para quando estiver explorando os diversos cenários do jogo, facilitando a descoberta de baús e itens para produzir materiais e melhorar os atributos dos personagens.
O sistema de batalha é um grande chamariz, trazendo um sistema de luta em tempo real que, apesar de não ter a mesma fluidez e procissão estratégia de jogos como Final Fantasy VII Remake, consegue trazer um passo rápido ao jogo.
Além de contar com um sistema de golpes normais e únicos (e cada personagem possui sua mecânica), o jogo conta com quatro habilidades selecionáveis para cada personagem, com poderes novos surgindo conforme o jogador avança, ganha novos pontos de maestria e desbloqueia novos golpes na árvore de habilidades.
Granblue Fantasy também conta com golpes conectáveis com os outros personagens do time, chamadas de link, conforme ataca e uma barra de especial que pode culminar em um Combo Breaker, fazendo grande dano aos inimigos com os golpes especiais combinados de cada personagem.

O sistema é vasto, porém muito bem implementado e auto explicativo. O que deixa a desejar nas batalhas é profundidade é a precisão.
Granblue Fantasy: Relink possui um sistema de defesa e esquiva, que podem ser aprimorados com uma defesa ou esquiva perfeita, dando segundos de invulnerabilidade ao personagem. Porém é uma precisão muito mais modesta do que jogos de ação com elementos de RPG como Nioh ou Dragons Dogma, o que torna o jogo muito fácil.
Ao iniciar o jogo, é possível escolher três dificuldades, sendo que somente uma tenta trazer um desafio real, o resto sendo uma forma mais modesta para quem deseja só acompanhar a história do jogo.
No modo normal, onde deveria ser a mais difícil, o jogo é fácil grande parte do tempo, e com os quatro personagens em campo, a estratégia é quase que totalmente automática, se tornando em grande parte um button mashing.
Outra questão são os chefes, onde maioria consegue aguentar grande parte dos golpes, demorando para morrer, e quando ficam com seus 10% de vida possuem dois golpes que ganham uma nova velocidade e um dano que muitas vezes pode derrotar o jogador em dois golpes, deixando a jogabilidade mais artificial do que realmente desafiadora.

Mas, dito isso, é inegável que o sistema, mesmo precisando de refino, é divertido e possui uma gama enorme de personagens. Além do capitão, Katalina, Rackam, Io, Eugen e Rosetta, o jogador vai conquistando novos bilhetes de personagens para recrutar outros nomes da série, trazendo uma enorme seleção.
E o melhor é que cada personagem tem seu sistema. Pegue Percival (sim, o cavaleiro da Távola Redonda da mitologia de Arthur) por exemplo, seu golpe especial é carregar um golpe pesado, sem perder o carregamento ao ser acertado (porém perde vida mesmo assim se for atingido) para causar um dano maior. Mesmo com as estratégias caindo um pouco por terra devido ao balanço simples do jogo, a quantidade de variações deixam o jogo inovador a todo momento, sem cair na monotonia.
Além disso, há diversas armas no jogo para cada personagem, que contam com evolução de nível, que aumentam atributos ao personagem, e é possível quebrar o limite, deixando a evolução de cada arma ainda maior para serem usadas em missões posteriores e mais difíceis da história.
Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok também é mais um jogo que aproveita os benefícios da multiplataforma, assim permitindo partidas cooperativas com jogadores de outros consoles e uma forma mais divertida de jogar.
Com um menu amigável, é fácil participar de missões com os amigos, sendo possível salvar a lista de jogadores da partida e definir o status online, para deixar claro se você busca no momento jogar sozinho, com os amigos ou se saiu para beber um café e já volta.

Aproveitando as capacidades máximas do Switch 2
Outro ponto para se comemorar é no carinho que a Cygames deu ao jogo em rodar fluido com um dos gráficos mais impressionantes da plataforma.
O jogo é lindo, trazendo uma fantasia medieval com estética europeia de tirar o fôlego. Colorido, com texturas grandes e personagens extremamente carismáticos, seja em suas formas 3D ou nas belas artes do menu, tudo roda extremamente fluido e sem engasgos.
Outro ponto positivo é a trilha sonora que, apesar de não ser tão memorável como a do Nier Automata ou Castlevania, é excelente, com uma sonoridade épica nos momentos de ação e extremamente atmosférica em momentos de calmaria ou tensão. Tudo isso, somado a excelente atuação de voz de cada personagem, deixam esse mundo ainda mais vivo do que já é.

Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok é, sem sombra de dúvidas, um dos grandes RPGs de ação do ano, chegando ao Nintendo Switch 2 em grande estilo, trazendo o benefício de se jogar em qualquer lugar que você esteja no modo híbrido para fazer missões com os amigos ou caçar aquele material ou dinheiro necessário para você avançar no jogo. Um RPG de alto valor de produção e divertido, seja sozinho ou com os amigos.
Análise realizada com uma chave gentilmente cedida pela editora.



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