O aniversário de Dead by Daylight foi dividido em duas etapas. Primeiro, chegou Jason, como Assassino. Depois, chegou o capítulo Dead by Daylight: The Life Road, trazendo Shane Wiigwaas, Sobrevivente original e primeira personagem indígena do jogo.
O que The Life Road traz para o DBD?

Como a segunda parte do aniversário de 10 anos, ele trouxe um sobrevivente novo, Shane Wiigwaas, e o evento de aniversário, o Banquete Sombrio, que substituiu o Baile de Máscaras dos anos anteriores (Adeus, Tryks, sempre sentirei saudade).
Houve também uma live anunciando um monte de mudanças para o futuro do jogo, novas colabs e até mesmo uma melhoria gráfica, que já pôde ser vista no filme Todo Mundo em Pânico 6.
O Banquete Sombrio foi um evento que teve uma recepção mista. Por um lado, foi interessante ter que servir pratos e ter diversos efeitos diferentes, como velocidade, teletransporte, invisibilidade e outros, mas por outro, foi completamente desbalanceado para o lado dos Sobreviventes, e fez com que Assassinos jogassem ainda mais agressivamente do que o de costume. Além disso, houve problema com as oferendas de Bloodpoints, tanto que recebemos 5 milhões de Pontos de Sangue extras de compensação porque elas não apareciam na quantidade esperada, e por uns dias no começo do evento, o Santuário não atualizava diariamente, como de costume.
Por causa de todos esses problemas, o evento foi bem abaixo do esperado, especialmente pro tão aguardado aniversário de 10 anos do Dead by Daylight.
Quem é Shane Wiigwaas

Shane é um homem originário do povo Anishinaabe, e o primeiro indígena de todo o Dead by Daylight. Criado na fictícia Primeira Nação de Glass River, ele sempre pensou que a justiça era um meio de restaurar o equilíbrio, e isso o levou para a faculdade de Direito, e se tornou advogado que defendia especialmente outras pessoas originárias em diversas causas.
Até que seu primo Derek foi acusado de assassinar um policial. Derek alegava sua inocência, e dizia que o policial foi engolido por uma nuvem de névoa, e ninguém acreditava nele, obviamente. Desolado que seu primo pegou prisão perpétua por um crime que não cometeu, Shane subiu em sua moto e caiu na estrada da vida, viajando de um lugar ao outro, um nômade que ajudava todo mundo que podia, mesmo sem exercer sua função de advogado.
Até que ouviu falar de um tal Jake Park, que sumira numa floresta depois de ser pego por uma nuvem de névoa negra, o que o atraiu até a floresta para tentar descobrir mais… E ele descobriu. A Névoa apareceu e assim, a Entidade clamou Shane Wiigwaas para si.
Shane Wiigwaas – Vantagens

Como toda personagem convidada pela Entidade ao eterno banquete de emoções que é a Névoa, Shane traz consigo três Vantagens únicas.
Acelerando com Tudo pode virar o jogo. Ao pular uma barricada de maneira rápida, você ganha 15% de celeridade por 3 segundos. Além disso, a barricada levanta novamente e fica bloqueada por um minuto. Além disso, todos os sobreviventes vão ver a aura da barricada que não pode ser derrubada, e você só pode usar a Vantagem de novo depois de outro minuto.
A segunda Vantagem de Shane é Dar Uma Mãozinha. Ela funciona mais ou menos como uma peça nova em folha em geradores, mas para cura. Isso significa que quando você abençoa ou limpa um Totem, enquanto cura outro sobrevivente, e apenas uma vez por Sobrevivente na partida, você pode pressionar o botão de habilidade para dar 25% de cura permanente para ele. Isso significa que quando ele se machucar de novo ou sair do gancho, ele sempre terá apenas 75% de saúde necessária de ser curada.
A última Vantagem dele é Interrogatório. Com ela, enquanto você estiver no Raio de Terror do Assassino e não estiver em perseguição, você vê uma versão invertida das Marcas de Arranhão, as Marcas de Luz, que indica a direção que o Assassino está indo. Elas duram 10 segundos, e enquanto você estiver pisando nas Marcas dele, você ganha Elusivo por 5 segundos.
Interrogatório estava bem quebrado no original, porque a parte do “enquanto não estiver em perseguição” não estava funcionando, então, mesmo com ele na sua bota, você conseguia ativar os efeitos. Com a correção, ela volta a ser uma Vantagem interessante, mas não quebrada. Dar Uma Mãozinha pode causar muita dor de cabeça num SWF (Sobreviventes jogando juntas com comunicação), porque se uma pessoa tiver, ela pode dar 25% pra todo mundo, e se alguém mais tiver Ressurgência, por exemplo, a pessoa sai do gancho e precisa de apenas 5% de cura para estar 100%. Isso pode ficar bastante opressivo. Já Acelerando com Tudo é uma faca de dois (le)gumes. Por um lado, poder resetar barricadas importantes, como a da Cabana do Assassino ou alguma outra “God Pallet” é muito bom, e te ajuda a se manter na perseguição por mais tempo. Ela também comba com Finesse, o que te permite sumir da vista do Assassino se você souber para onde está indo. Por outro lado, dependendo de onde você usar, como a barricada levanta, você dá caminho livre para o Assassino te pegar, especialmente se for algum com facilidade de atravessar o mapa, como Wesker, Kaneki ou Flagelo.
Visão Geral do Capítulo The Life Road

Antes de mais nada, eu quero parabenizar a Behaviour por ter contado com a nação Anishinaabe para fazer Shane. As skins tradicionais foram feitas de acordo com as instruções de pessoas pertencentes à nação, apesar de não ter tantas cores, que é algo que é importante para eles. Além disso, a voz de Shane é feita por uma pessoa originária, Dallas Goldtooth, que é um ator e ativista originário, que atuou recentemente na série do jogo Fallout. Ele criou um grupo de comédia composto apenas por comediantes originários, mas não é Anishinaabe, sendo Dakota-Diné. Eu preferiria se tivessem contratado alguém da nação do Shane para fazer a voz dele, mas entendo que nem sempre é possível.
Outra coisa bacana é que desde o início do processo da construção do capítulo, a BHVR trabalhou em conjunto com eles para que Shane e sua lore saíssem fiéis às tradições. Além disso, as artes do capítulo, inclusive o banner de lançamento, foram feitas todas por artistas originários da nação Anishinaabe. Me incomoda o fato de que a identidade das pessoas envolvidas nas artes é mantida em segredo, apesar de ter assinatura na arte, não tem nome, então a gente não sabe exatamente quem foi envolvido no projeto, mas no geral, é um nível de respeito muito maior do que nos acostumamos a ver na indústria. Normalmente, apenas se apropriam dos povos e etnias representados, sem contato ou até mesmo autorização, especialmente no caso de povos originários.
Como falei, o evento de aniversário mudou do Baile de Máscaras pro Banquete Sombrio, que trouxe mecânicas teoricamente interessantes, mas na prática, deixou o jogo muito mais voltado ao lado dos Sobreviventes. Outro ponto que achei estranho é que o Banquete foi um evento supostamente organizado pelo Véu Negro, o grupo que adora a Entidade dentro do universo do DBD, mas não teve skin pra Taurie, que é a única personagem diretamente ligada à organização. Me pareceu uma oportunidade desperdiçada, e me fez pensar que o evento de 10 anos não teve toda a grandiosidade que deveria para um momento tão especial, ao menos não dentro do jogo.
Conclusão
Dead by Daylight: The Life Road traz à Névoa o primeiro sobrevivente originário do jogo. Shane Wiigwaas é uma inclusão respeitosa, apesar de imperfeita, mas que prova que quando há vontade, é possível haver respeito. Apesar das decepções com o evento de aniversário de 10 anos, é mais um capítulo de sucesso, mantendo a boa sequência no ano.
Análise feita com código gentilmente cedido pela Behaviour
Dead by Daylight
Editora: Behaviour Interactive
Desenvolvedora: Behaviour Interactive
Tipo de Mídia: Digital
Tamanho do Arquivo: 20 GB
Lançamento: 7/Mar/2023
Plataformas:



Discussões sobre isso post