Two Point Hospital: Full Health Collection traz o simulador de hospitais da Two Point Studios para o Switch 2 em uma versão que finalmente reúne absolutamente todo o conteúdo lançado até então. A proposta continua sendo a mesma de Theme Hospital: construir hospitais, contratar funcionários, tratar doenças absurdas e tentar manter tudo funcionando enquanto o caos toma conta dos corredores. Só que agora a nova versão Full Health Collection chega com uma qualidade técnica muito superior no Switch 2 (sem versão de Switch 1), incluindo 60 FPS, resolução 4K no modo TV, carregamentos muito rápidos e todo o conteúdo adicional em um único pacote.
Um hospital que finalmente respira

A primeira coisa que me espanta é o desempenho. Two Point Hospital roda absurdamente bem a 60 fps tanto no modo portátil quanto no modo TV, e a diferença em relação à versão de Switch é enorme. A resolução 4K também faz uma diferença gigantesca: na versão original, era fácil perceber as bordas serrilhadas e a qualidade mais áspera dos modelos 3D, enquanto aqui tudo fica muito mais limpo e definido. É exatamente o tipo de atualização visual que faz sentido em um hardware como o Switch 2.
Os carregamentos também estão muito melhores. Entrar em hospitais e trocar de áreas no cenário acontece rapidamente, sem aquelas esperas que interrompiam o ritmo da versão de Switch 1. E existe ainda a vantagem de finalmente ter todo o conteúdo em um único pacote. A Full Health Collection inclui todas as expansões, incluindo Bigfoot, Pebberley Island, Close Encounters, Off the Grid, Culture Shock, A Stitch in Time e Speedy Recovery, além de pacotes de itens do Sonic (afinal, o jogo é publicado pela SEGA) e conteúdos adicionais. No total, há novos hospitais para gerenciar, novas mecânicas e mais de 80 doenças adicionais.
O velho caos continua funcionando

A graça de Two Point Hospital está justamente na simplicidade e intuitividade. Assim como acontecia em Theme Hospital, você constrói as salas, contrata funcionários, organiza os espaços e tenta fazer o hospital funcionar sem transformar tudo em uma planilha impossível de entender. O game vai adicionando novas possibilidades aos poucos, mas a base continua extremamente fácil de pegar e jogar. Os itens que você compra também ajudam a deixar os hospitais mais bonitos e eficientes, enquanto os pontos de Kudosh servem para adquirir mais opções de decoração e personalização.
E o humor continua sendo um dos grandes motivos para ficar por aqui. As doenças absurdas são apresentadas de uma maneira extremamente engraçada, com coisas como “diarreia verbal”, que faz o paciente sair falando qualquer coisa sem pensar antes. É aquele tipo de besteira que combina perfeitamente com a proposta e impede que o gerenciamento fique sério demais. Mesmo depois de tantos anos, essa mistura de administração e humor continua funcionando muito bem.
Nem tudo ganhou tratamento de nova geração

Apesar de toda a atualização técnica, alguns recursos do Switch 2 ficaram de fora. O principal para mim é o mouse: não existe suporte ao modo mouse do console, nem suporte a mouse e teclado como conjunto. Para um jogo de gerenciamento desse tipo com mecânicas de RTS, seria uma adição extremamente natural, principalmente porque a experiência com mouse é tão associada a esse gênero no PC.
Também existe uma questão chata envolvendo os saves da versão anterior. A Full Health Collection tem um sistema próprio de importação, mas ele não funciona como uma transferência automática e exige que o save original esteja armazenado localmente no console e que a importação seja feita na primeira inicialização do jogo. Depois disso, alguns saves de carreira ainda podem ser importados pelo menu de slots, enquanto saves de sandbox e layouts de salas são tratados automaticamente durante o processo inicial.
Por fim, o limite de funcionários continua em 75 no Switch 2, enquanto as versões de PS5 e Xbox Series X|S receberam limites maiores. Não é algo que estraga a experiência — especialmente porque 75 funcionários já é bastante coisa — mas é uma diferença técnica que vale mencionar. E considerando que essa é justamente uma versão reconstruída para a nova geração, eu esperava que o Switch 2 recebesse o mesmo tratamento.
O hospital que o Switch 2 merecia
Two Point Hospital: Full Health Collection é uma atualização muito bem-vinda para quem gosta do jogo e, principalmente, para quem ficou preso à versão de Switch. Os 60 FPS, a resolução muito superior e os carregamentos rápidos mudam bastante a experiência, enquanto a quantidade absurda de conteúdo incluído transforma essa coleção na versão mais completa do jogo nos consoles. Por outro lado, faltou aproveitar melhor os recursos do Switch 2, principalmente com suporte ao mouse e uma solução de save mais simples. Ainda assim, é difícil não ficar satisfeito ao ver um port desse tipo rodando tão suavemente e com uma imagem tão mais limpa e performance tão superior.
Chave de Switch 2 gentilmente cedida pela SEGA



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