Muitos jogos marcaram minha infância, mas Joe & Mac 1 e 2 criados pela Data East são, sem sombra de dúvidas, um dos títulos que mais joguei, ao lado de Super Mario World, Zelda – A Link to the Past e Rock’ n Roll Racing.
Para quem colecionou a clássica revista Dinossauros da editora Globo ou amava os clássicos filmes do Jurassic Park, Joe & Mac era uma forma de poder interagir com diversos tipos de dinossauros que líamos nas páginas ou víamos nas telinhas.
Agora, ambos os clássicos (o primeiro Joe & Mac antecede o próprio filme do Jurassic Park e da revista Dinossauro), junto de Congo’s Caper (um título que não tive a oportunidade de jogar na época) chegaram tanto ao Nintendo Switch 1 quanto com uma versão própria para o Nintendo Switch 2.
Cuidado para o T-Rex não te devorar e leia o artigo sem se mover!

Funções, modos extras e galeria
Antes de falar individualmente sobre os jogos, é interessante ressaltar os extras que a coletânea possui, alguns muito interessantes.
O melhor modo incluso na coletânea é o Boss Rush, onde o jogador deve enfrentar todos os chefes (o modo é separado por jogo). Além do menu intuitivo, o modo registra o tempo em cada chefe e não obriga o jogador a ter que zerar os games originais para acessar o desafio.
A galeria da coletânea também é extremamente rica, com toda a trilha sonora disponível com um menu todo estiloso, uma galeria de arte e o melhor: uma exposição digital com os cartuchos, caixas e manuais das edições americana, japonesa e europeia, todas com o manual completo para leitura.
Cada título também vem com espaços separados para salvamento e carregamento rápido, o que é ótimo, levando em consideração o desafio do jogo, um modo rewind para voltar alguns quadros e não precisar carregar o save caso você morra e filtro CRT com tamanhos de tela diferentes, além da possibilidade de alterar as ações de cada botão do controle.

Joe & Mac 1
Em Joe & Mac original, a estrutura funciona mais ou menos como Mario, com um mapa do mundo mostrando fases do qual é possível acessar de forma bem linear. Durante o jogo é possível encontrar chaves secretas para liberar fases bônus, que são trancadas por portais.
O jogo consiste em derrotar dinossauros e homens das cavernas em uma mistura de plataforma e beating up com armas brancas, adquirindo novos power ups para a arma pelo caminho, que vão desde bumerangues até ossos, enquanto derrota chefes, que são dinossauros maiores e mais fortes, assim como plantas carnívoras. Os power ups ficam salvos, e é possível trocá-los com o botão “-”.
É possível jogar em duas pessoas em multiplayer local, cada um controlando os carismáticos personagens, de duas formas: normal e super. No modo normal, os personagens não se acertam, porém também não podem usar um ao outro como suporte para alcançar lugares mais altos.
No modo super, é possível usar um personagem como apoio, no entanto, também é possível machucar o companheiro (o que faz com que o mesmo perca vida), o que deixa o jogo extremamente difícil, especialmente ao adquirir armas de longo alcance, como o lança ossos e bumerangue.
Apertando duas vezes para frente é possível fazer uma cambalhota rastejante para fugir do perigo, mas é necessário cautela, já que o jogo possui muitas plataformas perigosas, e a tela horizontal é um tanto curta. É possível realizar um pulo mais alto apertando pra cima, mas fica bem difícil controlar o personagem no ar para pousar no chão de maneira segura.

Joe & Mac 2 – Lost in the Tropics
Esse é, sem sombra de dúvidas, a cereja do bolo da coletânea. Joe & Mac 2 utiliza uma estrutura com alguns elementos de Mega Man e jogos de RPG.
Aqui, é possível andar livremente pelo mundo e entrar nas fases em busca 7 pedras do arco-íris, assim podendo acessar a fase do último chefe.
Além disso, é possível coletar dinheiro que tem uma certa utilidade no jogo, como mobiliar a cabana do personagem e até casar com uma mulher pré-histórica e aumentar a família.
O jogo possui menos fases, mas são muito melhor estruturadas e desafiadoras. Joe & Mac 2 além de expandir as mecânicas do primeiro jogo, deixa ele mais atmosférico, saindo um pouco das raizes de arcade para entrar em um simulador mais modesto do mundo dos consoles, com mais história e balões de falas.
Assim como seu antecessor, é possível jogar em dois, tanto normal quanto no modo super.

Congo’s Caper
Congo’s Caper possui uma jogabilidade um pouco fora da curva em relação a Joe & Mac. Com um controle mais dinâmico e movimento menos deslizante, o título é mais uma plataforma de ação do que um beat ‘em up com plataforma (que é o caso de Joe & Mac).
Diferente dos outros dois títulos, onde os heróis possuem coração representando a vida, e podem receber alguns hits antes de serem derrotados, em Congo’s Caper o protagonista pode levar dois hits. No primeiro ele se transforma em um macaquinho, e no segundo é derrota certa (no maior estilo Ghost ‘n Goblins).
Muitos dinossauros (inclusive sprites) vem de Joe & Mac, com bastante colorido, no entanto o cenário é menos detalhado que os outros jogos da coletânea. As fases possuem muitas áreas secretas que o herói acessa quebrando pedras, no maior estilo Alex Kid.

Faltaram melhorias de qualidade de vida
Eu acho bacana preservar o jogo original, mas melhorias na jogabilidade seriam muito bem-vindas. Esse é o mesmo problema da coletânea do Mortal Kombat, que manteve o imput reading absurdo dos fliperamas e consoles antigos nos jogos, ao invés de dar a opção ao jogador de lutar na dificuldade original, ou um modo mais equilibrado e justo.
Com a coletânea de Joe & Mac não é diferente. Um dos grandes problemas do jogo é a detecção nos momentos de plataforma, principalmente quando é necessário pular em cima das fontes de água para não cair no precipício. O mesmo vale para os momentos de plataforma no vagão, que acaba sendo uma aposta o momento certo de pular devido ao curto espaço horizontal que a tela proporciona.
O multiplayer local é maravilhoso, mas teria sido muito bom implementarem um modo online para jogar com os amigos mais distantes. Mas o que realmente teria feito a diferença seria um modo entre o normal e super ao jogar em dois, onde fosse possível usar outro personagem como alavanca para alcançar lugares mais alto, porém sem causar danos com as armas um ao outro.
Análise realizada com uma chave gentilmente cedida pela editora.




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