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Análise

Análise – 13 Sentinels: Aegis Rim

por SephLuis
13 de agosto de 2022 às 12:11
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Títulos da produtora Vanillaware são facilmente identificáveis por causa de seu estilo de arte único. Jogos como Muramasa, Odin Sphere, Dragon’s Crown se destacam, inicialmente, por seus belos gráficos 2D e, complementando a parte gráfica, sistemas de jogo muito bem construídos. 13 Sentinels, de maneira semelhante, apresenta um aspecto visual maravilhoso, uma jogabilidade RTS engajante e uma história bastante complexa e com uma narrativa bastante distinta. Por uma série de razões, não posso afirmar que 13 Sentinels seja o melhor título da Vanillaware, no entanto, posso facilmente afirmar que é seu título mais ambicioso até o momento.

13 Sentinels se passa em uma cidade do Japão sem um nome específico e que, de maneira repentina, é atacada por Kaijus. A palavra “Kaijuu” é traduzida como monstro e, dentro de vários tipos de entretenimento, também se refere a um gênero que ficou popularmente conhecido por obras como Godzilla, onde um monstro de proporções gigantes ataca uma cidade. De maneira semelhante, a cidade em 13 Sentinels é atacada por hordas enormes de Kaijus mecânicos e que causam uma grande destruição. Para impedir isso, 13 adolescentes pilotam robôs gigantes para lutar contra as hordas de inimigos mecânicos que ameaçam sua cidade. 

O parágrafo anterior é uma breve descrição genérica da história, pois detalhar qualquer coisa a mais que isso seriam spoilers. A história revolve, principalmente, no desenvolvimento pessoal de cada protagonista e nos mistérios por trás da invasão de Kaijus. Para explicar toda a situação por trás da invasão, a história utiliza de uma enorme variedade de temas complexos e que, inicialmente, aparentam ser completamente desconexos e, consequentemente, causam confusão tanto nos personagens quanto nos jogadores. Gradativamente, os mistérios vão sendo resolvidos e os temas dispersos começam a se interligar de maneiras inesperadas, porém lógicas. 

O uso excessivo de temas complexos para alimentar uma quantidade considerável de mistérios, no entanto, tem seu lado negativo. É difícil (ou até mesmo impossível) tentar adivinhar os rumos que a história pode tomar e, inicialmente, isso é um ponto bom enquanto o número de questionamentos ainda é mais limitado. Conforme a narrativa avança, o excesso tem um efeito negativo, com mistérios mais confusos e complexos e, consequentemente, o jogador assume o papel de um espectador, muitas vezes impedido ou não incentivado a criar ou debater suas próprias teorias sobre o que pode acontecer em seguida. 

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Um dos pontos fortes da história é que tudo tem uma razão lógica para cada um de seus aspectos, portanto, qualquer questionamento que o jogador levante durante sua jornada será, eventualmente, respondido. Em contrapartida, no momento que as respostas finalmente começaram a ser reveladas, meu interesse nos mistérios sobre a invasão de Kaijus já tinha diminuído bastante. Após ser surpreendido múltiplas vezes pela variedade de temas e mistérios apresentados durante o início do jogo, tornei-me anestesiado a todas as demais surpresas que ocorreram nas horas subsequentes da aventura. É certamente uma história bem construída e com justificativas plausíveis, mas não posso afirmar firmemente que sua conclusão tenha valido a pena. 

Se a invasão é um aspecto maçante e difícil de digerir da história, os protagonistas foram, facilmente, as partes mais fáceis de empatizar. Cada protagonista tem seu próprio motivo pessoal para lutar e é bastante gratificante vê-los amadurecer e se desenvolverem para enfrentarem a ameaça iminente. Diga-se de passagem que as excelentes animações ajudam imensamente com a caracterização individual de cada protagonista, utilizando de movimentos e ações corriqueiras no dia-a-dia como bocejos, sonecas, arrumar os óculos, entre muitos outros, para ajudar a construir suas personalidades e atitudes. Outro ponto interessante é que o jogo também faz referência a acontecimentos e obras reais, passando uma impressão ainda mais realista de que uma invasão realmente pudesse acontecer um dia.

A grande ambição do título, além de sua complexa história, é sua narrativa que utiliza da perspectiva individual de cada um dos 13 protagonistas. Múltiplas perspectivas não é uma novidade em mídias de entretenimento ou até mesmo nos jogos da própria produtora, no entanto, o alto número de protagonistas faz com que a história seja contada de maneira bastante fragmentada. A fragmentação da história, por si só, não é um problema e há obras que considero excelentes com a mesma característica (Durarara, uma novel adaptada para anime, por exemplo), no entanto, o jogador também é livre para escolher a perspectiva que deseja acompanhar, sendo que existem poucos momentos em que seu progresso é barrado para dar atenção aos demais personagens. O resultado é uma fragmentação ainda maior da história para comportar com qualquer ordem de eventos que o jogador possa optar e, também, resulta no fato que cada jogador terá uma ordem única de acontecimentos e revelações, tornando a conversa com demais jogadores bastante difícil sem arriscar spoilers.  

Devido a essa fragmentação, o título traz uma mecânica bastante inteligente para que os jogadores facilmente relembrem o que está acontecendo com cada personagem. É possível ver os pensamentos de cada personagem e verificar os detalhes faz com que o personagem pondere rapidamente sobre suas atuais informações e dúvidas, uma maneira bastante efetiva e sutil para que o jogador tenha o mesmo nível de conhecimento daquele que está controlando. A jogabilidade durante a história envolve caminhar pelos cenários, interagir com objetos e utilizar desses pensamentos para questionar pessoas e prosseguir com a história. É semelhante a um point-and-click bastante simples, pois não há quebra-cabeças ou sequências de ações obtusas para desafiar a lógica ou travar o progresso do jogador. A influência do jogador em si, conforme mencionado anteriormente, é semelhante a um espectador e a grande parte do tempo durante a história será lendo e escutando os diálogos de cada personagem. Diga-se de passagem que a atuação em japonês está excelente.  

Apesar de ter pouca participação no modo história, o jogador é uma parte vital na jogabilidade RTS que, efetivamente, é quando se pilota os robôs gigantes para repelir a invasão. RTS não é um gênero que usualmente jogo, mas a implementação em 13 Sentinels é bastante singular se comparado aos demais que joguei até o momento. O modo combate é dividido em vários estágios e todos eles têm o mesmo objetivo: defender um determinado ponto do mapa chamado de Terminal por uma quantidade de tempo ou até derrotar todos os inimigos (ou o chefe) no mapa. Caso o Terminal tome muito dano e seja destruído, o jogador perde o combate. Para defendê-lo, o jogador pode utilizar de até 6 sentinelas, robôs gigantes pilotados pelos protagonistas, sendo que cada uma tem suas habilidades e características únicas que vão sendo melhoradas conforme se avança na história e no combate. Ao selecionar uma sentinela, o tempo de jogo é pausado e pode-se escolher com calma qual ação tomar e, então, ver a mesma acontecendo em tempo real. 

Algumas sentinelas são mais recomendadas para combate a longa distância, outras têm ataques poderosos e que penetram as defesas inimigas, outras conseguem atrair a atenção das hordas e por aí vai. Antes de cada estágio, o jogador pode customizar o armamento de cada sentinela e fortalecê-las, além de escolher o time de seis sentinelas que irá participar do combate. Para incentivar jogadores a utilizarem todos os personagens, uma mesma sentinela não pode ser utilizada em mais que dois estágios de forma consecutiva e, também, há desafios e condições opcionais para serem concluídos em cada estágio, além de um sistema de pontuação para incentivar jogadores a tentarem concluir cada nível da forma mais eficiente possível. 

O combate é o principal modo de jogabilidade do título e, com a variedade de sentinelas e armamentos, abre espaço para várias estratégias interessantes. O modo conta com múltiplas dificuldades, mas mesmo na dificuldade mais elevada não tive um grande desafio em boa parte do jogo, portanto imagino que pessoas mais habituadas com o gênero RTS tenham facilidade para concluir todas as missões de maneira bastante tranquila. É válido notar que o desempenho no Switch, seja no modo portátil ou no dock, é excelente, com nenhuma queda de frame mesmo quando o mapa está, literalmente, encoberto por efeitos especiais e inimigos. 

Concluindo, 13 Sentinels é um título que fico muito feliz por existir, devido ao quão único seu conceito e história são. No entanto, sua execução e, consequentemente, minha experiência de jogo variaram entre momentos incríveis e muitos outros bastante tediosos. A história completamente fragmentada acabou por agir como um negativo do título e, possivelmente, se tivesse uma ordem de eventos melhor definida ou recomendada tornasse toda a experiência mais engajante de ser consumida. Toda a excessiva explicação de ficção científica para a invasão de Kaijus também tornou-se algo mais maçante do que marcante e acredito que se tivessem simplesmente focado nos personagens, teria sido uma experiência melhor. 

Jogo analisado com código fornecido pela Atlus.

 

 

13 Sentinels: Aegis Rim
Veredito
13 Sentinels: Aegis Rim é uma recomendação certa, porém com um público difícil de definir. Jogadores acostumados com o nicho de Visual Novels ou histórias de ficção científica provavelmente vão adorar o título. Demais jogadores, no entanto, devem dar uma chance ao título, eventualmente, devido ao quão único cada uma de suas características é. Não é um título que irá agradar todos os jogadores, mas certamente um título que merece o mínimo de atenção do público geral. 
Prós
Visuais e animações excelentes
Personagens e seu desenvolvimento
Desempenho excelente durante o combate
Contras
História excessivamente complexa
Pacing
7.5
Bom
Tags: 13Sentinels13SentinelsAegisRimAtlusDestaqueNintendo


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