LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight conta uma história original que não adapta um filme específico, mas mistura referências de mais de 80 anos de Batman, passando por filmes, quadrinhos, séries e jogos para criar sua própria versão da jornada do Cavaleiro das Trevas. O resultado é um dos jogos LEGO de mundo aberto que mais me agradaram até agora, principalmente por combinar muito bem missões lineares, exploração livre de Gotham, combate mais elaborado e aquele humor absurdo que já virou marca registrada da franquia.
Uma carta de amor ao Cavaleiro das Trevas

A história é provavelmente uma das coisas que mais me surpreenderam. Em vez de simplesmente pegar um filme e transformá-lo em LEGO, o game constrói uma narrativa própria que consegue brincar com diferentes fases da história do Batman. Existem referências a várias versões do personagem, mas tudo é costurado de uma maneira que não parece apenas uma coleção de referências jogadas na tela. E a apresentação em PT-BR é excelente, com dublagem de altíssimo nível e piadas muito bem localizadas, incluindo adaptações que realmente conversam com o nosso linguajar do dia-a-dia.
O humor também continua funcionando muito bem, como já era esperado de um jogo LEGO. O roteiro sabe quando fazer uma piada, quando brincar com os próprios personagens e quando simplesmente deixar uma situação absurda falar por si. É uma combinação que deixa a campanha bastante agradável de acompanhar, principalmente porque a localização brasileira não fica presa a uma tradução literal e realmente trabalha para manter a graça das cenas.
Gotham finalmente é sua

O mundo aberto é, para mim, um dos maiores acertos de Legacy of the Dark Knight. A estrutura lembra uma mistura de LEGO Batman com LEGO City Undercover, trazendo uma Gotham relativamente grande para explorar enquanto você avança pela campanha. O mais importante é que o mundo aberto não engole as missões principais: você ainda tem fases com caminhos bem definidos, enquanto a cidade serve como espaço para encontrar colecionáveis, dinheiro, missões secundárias e outras atividades envolvendo os crimes de Gotham — tudo isso para incentivar você a desbloquear upgrades de personagem e armas.
E existe uma liberdade que eu gostei bastante no cooperativo. Os dois jogadores não precisam ficar grudados o tempo inteiro e podem sair explorando a cidade separadamente, fazendo atividades secundárias por conta própria. Quando chega uma missão principal que exige os dois personagens, aí sim vocês precisam se reunir. É uma solução simples, mas faz uma diferença enorme, porque evita aquela situação clássica de um jogador querer explorar enquanto o outro está preso esperando.
Batman finalmente luta como Batman

O combate também recebeu uma evolução que eu realmente não esperava de um LEGO. Você consegue desviar, pular por cima dos ombros dos inimigos, aparar ataques, usar golpes corpo a corpo e armas de longa distância, entre outras ações. A sensação lembra bastante os jogos do Batman da Rocksteady, só que adaptada ao estilo mais leve da LEGO. Para mim, é facilmente o combate mais variado que já encontrei em um jogo LEGO.
A quantidade de personagens também foi reduzida em comparação com alguns títulos anteriores, mas isso acabou funcionando a favor da profundidade. Em vez de simplesmente ter uma lista gigantesca de personagens que fazem praticamente a mesma coisa, cada personagem aqui tem mais espaço para ser utilizado e ter suas próprias funções e armas. Além disso, existem várias skins desbloqueáveis para Batman e para o Batmóvel, além de veículos e roupas para outros personagens, dando bastante coisa para procurar enquanto você explora Gotham.
Quando o morcego demora para sair da caverna

O começo, infelizmente, demora demais para engrenar. O game segura o mundo aberto e principalmente as mecânicas de planar por tempo demais enquanto enrola na história de origem do Batman, no treinamento/infância de Bruce, e na primeira missão — a ponto de eu começar a me perguntar se essas coisas realmente existiam. Para uma experiência que depois funciona tão bem justamente por misturar exploração livre e missões lineares, passar tantas horas esperando essas ferramentas serem liberadas é uma decisão ruim.
O Mayhem Mode também é uma adição interessante. A campanha paralela envolvendo Coringa e Arlequina funciona como uma versão mais leve da aventura principal, com menos conteúdo e menos sistemas de progressão, mas ainda consegue entregar uma experiência divertida e única. São quase duas horas de conteúdo, o que não é muita coisa, mas é uma duração honesta para uma história paralela.

O problema técnico fica por conta da resolução, que apresenta quedas de qualidade em alguns momentos, especialmente em uma TV 4K, além de alguns frameskips nas animações — até mesmo nos protagonistas. O port também fica preso aos 30 FPS, sem opções de 40 ou 60 FPS, embora isso não prejudique a resposta dos controles. Mesmo assim, depois de um extenso período de adiamento, me questiono por que não houve uma implementação melhor de performance aqui.
O legado do morcego em peças
LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight consegue fazer algo que nem todos os jogos LEGO conseguem: encontrar um equilíbrio realmente bom entre uma campanha linear e um mundo aberto que vale a pena explorar. A história original, a excelente dublagem em PT-BR, o combate mais elaborado e a liberdade no cooperativo fazem dessa uma experiência muito mais ambiciosa do que simplesmente colocar personagens de Batman em fases de LEGO. O começo poderia ser muito mais direto, e as limitações técnicas também aparecem bastante em uma TV 4K, mas depois que Gotham finalmente é liberada, a experiência encontra seu ritmo. No fim das contas, é uma das experiências LEGO mais completas que já joguei e uma ótima forma de celebrar diferentes versões do Batman sem ficar preso a apenas uma delas.
Chave de análise gentilmente cedida pelos produtores



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