Lute em seus sonhos e crie sua realidade.
Shape of Dreams foi desenvolvido pelo estúdio coreano Lizard Smoothie, como seu único trabalho até o momento, e distribuído pela NEOWIZ e é um roguelite de ação que mistura diz misturar hack and slash com moba. Podendo ser jogado sozinho ou em equipe, foi lançado inicialmente em 2025 para PC e agora, um ano depois, chega ao Nintendo Switch 2, com servidores multiplataforma e, junto do lançamento, uma grande atualização de conteúdo, o caminho sem estrelas.
Sonho vivo e uma realidade dormente
Shape of Dreams não tem bem uma história própria: cada personagem tem seu passado, porém o mundo é nada mais do que uma realidade fraturada entre o mundo real e sonhos, onde terras estranhas e monstros selvagens surgem do nada. Para se libertar, cada campeão tenta chegar ao fundo deste sonho, e dar um fim em quem quebrou a realidade.
É um enredo bem direto, simples e diria que até uma clássica premissa para o loop de rogue lite/like: um objetivo, um ou vários tipos de personagens e um caminho em comum. Sem diálogos no início ou durante as rodadas, talvez com alguma coisa que forneça mais informações sobre o mundo para coletar mas praticamente opcional.
No primeiro momento, parecia um pouco abstraído demais, porém quando vi que o estúdio é coreano, entendi que a ideia deles era te prender mais no fluxo de dopamina pelo loop do jogo do que pela história, já que a ação e builds são bem envolventes.
Claro que também tem muita coisa sobre cada personagem que está no caminho sem estrelas, e quando digo muita coisa, é muita mesmo, algo como umas 9 páginas por cada conteúdo liberado, dessa vez vou seguir abstraindo um pouco, obrigado.

O combate é envolvente porque souberam combinar muito bem os gêneros de MOBA, roguelite e hack and slash. Passando salas lotadas de inimigos que te atacam de forma cada vez mais frenética conforme avança, suas habilidades são seus melhores amigos nessa hora começando com 2 e podendo aumentar em até um total de 4, então o jeito é limpar a tela antes que eles limpem o chão com você. E acredite, não são só os chefes que podem fazer isso com você. Os perseguidores são criaturas que vão atrás dos sonhadores e vão lotando as áreas por onde passam, e se fica explorando demais vai indo de encontro com eles. O loop de Shape of Dreams é muito bom, por isso é realmente viciante. Cria novas builds com diferentes habilidades e personagens, a quantidade de possibilidades é infinita e o ritmo é frenético, te fazendo sempre seguir em frente, principalmente com carregamento rápido entre salas e os perseguidores não te dando descanso ficando no seu encalço.
Com 5 mundos com mapas e ordem de aparição geradas de forma procedural imprevisível, é pouco para Shape of Dream, embora o design das salas em si não seja grande coisa, e você percebe uma repetição bem rápida, mas o que se pode encontrar nelas sim, conforme avanço. Elas podem ter modificadores, como monstros mais fortes, em maior quantidade, escudo e por aí vai, que vão escalonando conforme mais fundo vamos nos sonhos, principalmente no multijogador.
Joguei pouco o multijogador, principalmente porque as conexões são um pouco distantes, então o ping pode variar, mas do pouco que peguei, é muito mais caótico e difícil. Parece ter bastante movimento juntando outras plataformas, mas é até que bem feito; os problemas de ping são mais pela distância, e a divisão dos espólios é bem tranquila, mostrando que focaram bem mais nessa parte já que inclusive você pode ir mais fundo e fazer mais loops antes de ir para o último chefe, o que não é uma boa ideia se você vai tentar zerar, mas vale a pena para conseguir farmar recursos.
Depois de aproximadamente 20 horas, consegui chegar ao final com um personagem, e novamente a abstração toma conta: o final é mesmo para todos e não diz muito, mas ainda pode alguma coisa escondida, e com a atualização lançada simultaneamente, também oferece um novo final que pode ser liberado ao chegar ao nível máximo do personagem. Apesar disso, Shape of Dream foi uma grata surpresa. Essas 20 horas passaram muito rápido, é aquele tipo de roguelike que você tira para fazer só uma run em um dia livre e quando vê, já perdeu o dia todo. Cada personagem tem atributos únicos de classe e habilidades e dá para tentar criar algo que pareça quebrado, ir testar e ainda sim quebrar a cara para um chefe no meio do caminho, ou cair numa sala bem mais forte do que você.

Parte técnica
Graficamente, não diria que Shape of Dreams é bonito, mas ele é bem incrível como jogo 3D. Nos menus pré-jogo, dá para ver com bastantes detalhes os personagens que em partida são vistos apenas de cima. Os cenários têm bastante diferenciação e alguns abusam bastante de iluminação dinâmica, por isso ele é até bem interessante nesses cenários, mas não é exatamente bonito, até porque eles não querem ser bonitos, mas sim cenários devastados, opressores ou apenas um lugar bizarro.
Ah, e claro, ela tem uma abertura em animação maravilhosa contando a história do universo; é o terceiro jogo em sequência que pego e tem algo assim, e devo dizer que nessas horas, os estúdios capricham mesmo.
A trilha sonora é um pouco apagada por conta de tantos efeitos sonoros, mas até que é boa, o destaque vai para a abertura da animação que além de uma música, ótima também tem dublagem (em inglês mas tem), é uma boa trilha que cria um clima de poder ao mesmo tempo de vastidão, sabendo que sempre tem mais alguma coisa pelo caminho.
Um dos maiores acertos de Shape of Dreams são os controles, ele com certeza foi pensado primeiro para uso no Pc com mouse e teclado, mas a versão do controle é muito boa, com um gatilho em cada habilidade, ataque no Y e a esquiva no A ou no L3 é uma configuração impecável e se você quiser também dá para atacar mirando com o analogico direito tanto o ataque básico quanto as habilidades. Uma jogabilidade frenética precisa de uma resposta a par, e com certeza ele tem, e somando com tempos de carregamento curtos, fica melhor ainda.



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