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Universo Nintendo

Análise – Top Racer Collection

Top Gear foi uma série de corrida lançada durante a época do Super Nintendo e que fez um sucesso considerável no Brasil, sendo muito mais reconhecido aqui do que em outros mercados internacionais. A coletânea utiliza o nome original japonês, Top Racer, e traz os três primeiros jogos do Super Nintendo e o inédito Top Racer Crossroads. Cada título tem suas particularidades, mas que, no geral, se mantém como bons jogos de corrida mesmo para os padrões atuais. 

O primeiro Top Gear permite que o jogador escolha entre quatro veículos diferentes para competir em diversos torneios que passam por diversos países. Cada um desses torneios consiste, usualmente, de quatro corridas e isso resulta em uma grande quantidade e variedade de pistas. Não é necessário vencer um torneio para avançar para o próximo conjunto de corridas, um ponto positivo, pois Top Gear é um jogo consideravelmente desafiador. Injustamente desafiador, inclusive. 

A jogabilidade de Top Gear pode parecer simples, mas esconde uma complexidade dificilmente vista em jogos Arcade de corrida. Cada veículo tem seu consumo de gasolina e muitas corridas extensas requerem que o jogador pare no pit stop para reabastecer. Saber o quanto abastecer para não perder muito tempo é uma decisão vital por parte do jogador. Cada veículo tem sua aderência à pista que vai determinar o quão eficiente é em curvas, além dos limites de aceleração e velocidade máxima. Adicionalmente, o jogo considera a alteração de velocidade quando dirigindo em uma subida ou descida, fazendo com que o jogador deva memorizar certas partes de cada percurso e planejar suas ultrapassagens. Além do conhecimento, a sensação de velocidade de Top Gear é bastante alta e faz com que reflexos excelentes também sejam necessários. 

Ao contrário dos demais jogos, o primeiro Top Gear é constantemente jogado em uma tela dividida com outro jogador ou com a máquina. A máquina que simula um segundo jogador também realiza o controle de abastecimento, mas também é controlada por uma AI de rubberband absurdamente forte. Caso o jogador se afaste dela, ela irá ignorar todas as leis da física e se manter em uma velocidade alta e constante para alcançar o jogador. Os demais corredores assumem uma AI genérica que não possui um rubberband tão forte, mas também não necessitam abastecer seus veículos. Em um geral, o primeiro Top Gear continua sendo um título muito divertido, mas também excessivamente desafiador e não por boas razões. Crossroads, o novo título, é praticamente um remake do primeiro jogo com melhores gráficos e uma AI mais equilibrada, portanto, recomendo ele ao invés do primeiro jogo. 

Top Gear 2 traz algumas evoluções consideráveis sobre seu predecessor. A câmera foi ajustada para permitir uma visão melhor da pista e os carros pré–determinados foram substituídos por um sistema de melhorias graduais. O sistema de abastecimento ainda existe, no entanto, é largamente ignorado já que não existem mais pit stops e as corridas não duram o suficiente para esvaziar completamente o tanque, sendo somente um resquício de seu predecessor. A aderência dos pneus é um dos pontos que pode ser melhorado e, uma das novidades, é correr em clima chuvoso e que necessita de um conjunto diferente de pneus. Há também uma variedade maior de ambientes e climas. Top Gear 2 foi a evolução natural da série naquele momento e provavelmente o melhor jogo da coletânea.

Top Gear 3000 é o jogo estranho da coletânea. Assim como seu nome indica, ele se passa num futuro distante, onde as pistas estão situadas em diferentes planetas. Para todos os efeitos, a jogabilidade tem poucas novidades quando comparada com Top Gear 2, no entanto, os ajustes feitos às mecânicas já existentes tornam o título bastante diferente dos demais. O sistema de abastecimento retorna e, dessa vez, é similar a F-Zero, basta passar por cima de um trecho específico e o veículo é automaticamente recarregado. A dirigibilidade dos veículos do futuro é tão sutil quanto a de um tanque da segunda guerra, mas tornam-se bastante responsivos após algumas melhorias. A sensação de velocidade é, provavelmente,  a maior da série, as pistas costumam ser bastante largas e há poucos obstáculos que podem colidir com o jogador. É essencialmente um título que foca em velocidades absurdas e deseja boa sorte ao jogador para tentar controlar seu veículo neste estado. 


A coletânea em si demonstra um grande carinho pelos jogos, no entanto, também tem algumas decisões que são, no mínimo, estranhas. Todos os títulos contam com o modo principal que envolve os torneios, time trials, online (infelizmente, sem crossplay) e um modo de criar seu próprio torneio, semelhante a uma playlist. Adicionalmente, há também a opção de correr no sentido inverso das pistas, efetivamente dobrando o número de trajetos disponíveis. O time trial, como o próprio nome indica, é correr pela pista e tentar melhorar seu tempo para competir em rankings globais. O bizarro é que os melhores tempos feitos nos torneios não são contabilizados para esse ranking, portanto, caso o jogador consiga um desempenho anormal fora do modo, o jogo irá simplesmente ignorar para o ranking. Como qualquer jogo moderno, Top Racer Collection conta com save states, mas com uma limitação de somente três por título e atrás de alguns menus. Não há um botão rápido de salvar ou carregar o progresso. São incômodos pequenos, mas que fazem diferença na experiência do jogador.

Jogo analisado com código fornecido pela Qbyte Entertainment

Top Racer Collection
Veredito
Para fãs da série, a coletânea é uma excelente oportunidade de reviver os clássicos com uma quantidade considerável de conteúdo e que pode mantê-los ocupados por um bom tempo. Para aqueles que não compartilham da nostalgia, é uma coletânea com quatro jogos de corrida muito bons e que exigem muita prática e paciência para serem aproveitados.
Prós
Quatro jogos
Preço Acessível
Conteúdo adicional e inédito
Contras
AI da máquina
QoL em menus
7.5
Bom
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