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Análise Retro

Luigi’s Mansion (Análise Retrô)

por 'Necro' Felipe Lima
17 de abril de 2021 às 20:59
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Um fato é que Luigi nos anos 90 não foi reconhecido como deveria (pelo menos nos jogos, já que ele teve participações interessantes nos desenhos animados). O “Mario Verde” até então utilizado como controle 2 só teve protagonismo próprio em 1992 no fracassado e pouco conhecido: Mario is Missing! (DOS;NES;SNES;etc). É, pois é! Esse personagem foi praticamente deixado de escanteio… até o lançamento do novo console da Nintendo em 2001: O Gamecube.

A Demonstração Técnica do Gamecube

E3 de 2001
Luigi’s Mansion na E3 de 2001

É comum até os dias de hoje as empresas lançarem um “jogo demonstração” do novo console da geração (Exemplo mais recente é o Astro’s Playroom, lançado pela Sony gratuitamente para demonstrar as capacidades do Playstation 5).

O caso da Nintendo em 2001, por outro lado, foi lançar um jogo-demonstração cujo enredo não giraria em torno do encanador vermelho e que seria aceito pela crítica e pelo público, sendo o game responsável por dar a vida à personalidade de Luigi que tanto conhecemos. Esse jogo é Luigi’s Mansion (GC;3DS).

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Com medo e desespero, Luigi parte para ajudar seu irmão!

Depois de Mario se perder numa Mansão macabra aos arredores de Boo Woods, o medroso Luigi acaba adentrando no velho estabelecimento para salvar seu irmão mais velho… e para a surpresa de ninguém, a mansão era mal assombrada.

Após ser aterrorizado por diversos fantasmas, Luigi é salvo pelo Dr.Elvin Gadd (ou só E. Gadd), que presenteia o encanador com o Poltergust 3000 (principal “arma” do game) e o Gameboy Horror (uma réplica do portátil da Nintendo que aqui serve como mapa e meio de comunicação com E. Gadd). Depois de um treino e tour no laboratório do doutor biruta, Luigi finalmente é livre para explorar a Mansão, derrotar fantasmas, acalmar Toads e procurar pistas sobre onde pode está Mario e quem está por trás de todo esse inferno.

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Gameplay simples e criativo

O combate desse game é maravilhoso

Após sermos jogados na mansão, temos a total liberdade de explorar o local… até ficarmos limitados por portas trancadas. Sendo assim, nosso principal objetivo é desbloquear o máximo de portas para que possamos adentrar aos próximos andares. Cada andar tem corredores principais que servem para interconectar as salas e os quartos da área. Se caso o andar não for dominado (simbolizado pelas luzes apagadas), os corredores estarão infestados de fantasmas. Para destrancar as portas, é preciso de chaves (duh), que podem ser encontradas com a resolução de algum simples puzzle ou derrotando todos os fantasmas que te emboscam numa sala… ou os dois. Além disso, Luigi também pode interagir (juntamente com a animação mais estranha e sugestiva que já vi) com as mobílias e certos objetos para conseguir dinheiro ou corações de vida. O combate é dinâmico e um tanto revolucionário, sendo divertido e nunca massante para o jogador.

“Os fantasmas adoram a escuridão, o que faz com que eles criem uma certa repugnância pela luz”. Sabendo desse fato, basta usar a Lanterna de Luigi para atordoar os inimigos temporariamente. Após isso, equipe o Poltergust 3000 para sugar o inimigo, tirando o HP dele lentamente (OBS: é importante tomar cuidado para o fantasma não escapar nessas horas ou você ser atingido por outro inimigo a espreita).

Sobre os fantasmas, existem diversas variações, como os normais, que estão desarmados, atacando com os punhos; os durões, que são grandes e irritados, atacando batendo no chão; os comilões, que atiram cascas de banana para Luigi pisar e escorregar; os elementais, que só podem ser atacados quando é ejetado um tipo de vapor no Poltergust classificados como fogo, gelo e água; dentre outros. Os fantasmas aparecem geralmente nos já mencionados corredores – quando as luzes estão apagadas, pois como já dito, eles adoram a escuridão – e em salas escuras que só se iluminam quando todos são derrotados. Em algumas salas específicas terão certos fantasmas vestidos fazendo algo, sendo esses os chefões do game. Cada andar tem uma quantidade indeterminada de chefes, e só derrotando uma certa quantidade que será possível avançar para o próximo local. As batalhas contra os chefes são interessantes, tendo cada fantasma uma forma de chamar sua atenção e derrota-los.

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PeekaBoo!

Além de todos esses inimigos, também temos a participação dos Boos. No game, existem 50 Boos espalhados pela Mansão, e é dever do Luigi capturar todos. Essa parte do gameplay é muito importante, pois capturando certas quantidades você destranca algumas portas, e é sempre divertido e estressante tentar captura-los por conta de alguns serem bem rápidos, resistentes e atravessarem paredes (sem contar os trocadilhos hilários de seus nomes).

Ambientação é detalhada e realista, mas não “desaprofunda” o que conhecemos

Como já dito, o maior objetivo do game era mostrar o potencial gráfico do Gamecube, e ele faz isso muito bem. A Mansão é escura e cheia de detalhes, seja pelas animações dos personagens, seja pelos incríveis efeitos de partícula (poeira) de cada canto. A cada momento se escuta trovões e sons aleatórios que o Luigi faz. Além disso, é incrível como os produtores tiveram uma mudança no visual do game, fugindo um pouco dos gráficos cartunescos para se aprofundar no tipo realista, ideia essa que foi descartada nas suas sequencias, já que é possível observar uma caracterização abstrata nas mansões que viriam a seguir.

Para evitar que o game tenha um tom muito sério, os produtores pediram para criar detalhes bem interessantes (para não dizer “inúteis”), como botões exclusivos para o Luigi chamar o Mario e apagar a lanterna, para descontrair as coisas… e não venha me dizer que você nunca chamou o Mario aleatoriamente!

A música é crua, porém carismática

A trilha sonora de Luigi’s Mansion foi composta por Kazumi Totaka, conhecido por compor Yoshi’s Story (N64) e Animal Crossing (N64; GC), além da sua famosa melodia Totaka’s Song, que está presente nesse game; e Shinobu Nagata, conhecida por algumas músicas de Super Mario Sunshine (GC); Animal Crossing e Mario Kart DS (DS). Algo que esses dois tem em comum quando se trata de música é a forma que elas são feitas, sendo cruas, com pouco fundo, além de serem lentas e objetivas, podendo causar uma certa estranheza, mas que para esse jogo serve como uma estratégia.

Boa parte do tempo estamos escutando a mesma melodia de uma mesma música, a Main Theme, e apesar dela ser tocada o tempo todo, ela não enjoa tão facilmente, já que ela está em constante mudança, pois você nunca ficará parado em uma sala por muito tempo. Além disso, pelas músicas serem tão simples, cruas e um tanto amadoras, elas acabam não sendo um grande destaque, o que faz com que elas não irritem pela repetição de melodia… e sou obrigado a admitir que isso foi uma ideia genial!

E além de tudo isso, temos um fator importante que faz com essa música tema seja tão memorável: O Luigi cantarola. Sim, uma quebra da quarta parede baseada no conceito musical. E é ainda mais engraçado como ele canta com medo, afinal o pobre protagonista tem essa personalidade que aqui foi introduzida nos jogos.

Resident Evil da Nintendo?

Pior que combinou bem…

A triologia clássica de Resident Evil são obras primas do PS1, contando a tragédia que aconteceu na cidade de Raccoon City, lar da indústria farmacêutica “Umbrella”, que secretamente foca na produção de um vírus que faz com que seres vivos se tornem armas biológicas. No primeiro game, controlamos Jill Valentine e Chris Redfield, agentes dos S.T.A.R.S, que investigam uma grotesca mansão infestada por zumbis de todos os tipos a fim de encontrar seus colegas desaparecidos e descobrirem uma forma de fugir dali, isso tudo enquanto sobrevivem e desvendem os planos da Umbrella.

Eu diria que Luigi’s Mansion é um Resident Evil mais simplificado, afinal, Resident Evil é um survival horror, ou seja, depende de três pilares: sobrevivência, mistério e terror. Apesar de Luigi’s Mansion ser um jogo que tem doses de mistério, ele não é um jogo “puramente” de terror e de sobrevivência. O jogador não se sente aflito, com aquela sensação estratégica de “onde é o melhor caminho”. Não há intimidação suficiente para se igualar ao sentimento de tensão… mas isso não significa que não é possível se sentir jogando um Resident Evil ou Parasite Eve (PS1).

Luigi’s Mansion pega um dos pilares mais importantes da clássica franquia da Capcom: a exploração. Assim como em RE, em LM você precisa adentrar em lugares desconhecidos com o intuito de conseguir itens capazes de progredir na sua aventura. A diferença é que em RE o jogador sempre estará correndo riscos de ser atacado repentinamente, ou esgotar seus suprimentos, algo que em LM não existe. É tudo mais “fácil”.

Remake do 3DS

Remake de 3DS feito pela Grezzo
Por conta do Hardware do 3DS, muita coisa teve que ser adaptada e sacrificada, mas o jogo continua lindão

Em Outubro de 2018, a Grezzo – desenvolvedora dos Remakes de Zelda Ocarina of Time e Majora’s Mask – resolve lançar um Remake do game para o Nintendo 3DS (que já estava moribundo).

Além dos gráficos atualizados, dessa vez o game abre possibilidade para um modo multiplayer no qual o player 2 controla o Gooigi – invenção do E. Gadd que teve maior participação em Luigi’s Mansion 3 (Switch). O Remake também altera um pouco da jogabilidade, podendo ser usado o giroscópio do portátil para realizar algumas funções do Poltergust 3000… e já que estamos falando disso, o jogo agora permite a utilização da Flashlight de Luigi’s Mansion: Dark Moon (3DS), facilitando o combate do game. Uma última novidade do Remake é a Hidden Mansion, que pode ser liberada ao zerar o jogo pela primeira vez.

Essa versão do jogo, por estar num Hardware diferente, teve algumas mudanças na iluminação e nos detalhes – além das novas texturas – que podem agradar alguns, porém chatear outros; além disso, resolução do remake também teve que ser sacrificada.

Por outro lado, a versão do 3DS ainda é muito bem feita e acessível para quem tem o console, e tendo em vista que o game foi lançado no fim da vida do 3DS, ele tem a vantagem de ter um dos gráficos mais belos do sistema!

Erros, pois nem tudo é de calmaria

Infelizmente o game é bem curto –  6 à 7 horas de gameplay – e o motivo para esse fato se deve dele ter sido um jogo experimental que ninguém esperava que fosse dar tão certo. Porém, para um jogo que vinha com o console, foi um erro fazer com que ele fosse tão pequeno; o Luigi é lento, o que gera momentos estressantes, seja em batalha, seja progredindo de sala em sala para chegar ao objetivo; o game podia ter puzzles mais complexos e bem elaborados, principalmente com a questão dos vapores elementais.

Conclusão

No fim, Luigi’s Mansion de Gamecube e 3DS é um clássico que para quem gosta de Resident Evil ou da franquia Mario não pode deixar passar. Apesar de ter seus (minúsculos) erros, todos foram reconhecidos em suas continuações. Esse é aquele tipo de jogo que você precisa jogar deitado na cama com ar condicionado ligado e luzes apagadas! Jogue com conforto!

Tags: analiseanaliseretroGameCubeNintendotopo


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