Um clássico dos arcades refeito.
House of the Dead 2 dispensa apresentações. Se você já foi a algum arcade de shopping, com certeza já se deparou com alguma máquina dele. Uma tela grande, uma pistola azul e outra vermelha, com vários gritos de terror ao fundo, zumbis na tela e muito sangue 3D.
Mesmo que hoje seja fácil encontrar uma de propósito, seu legado ainda vive, recentemente fui a um arcade de shopping e, surpreendentemente, a maioria das máquinas era rail-shooter bem como House of the Dead 2, inclusive com franquias famosas como MIB ou Transformers.
Originalmente lançado em arcades fabricados pela SEGA com placa NOEMI, apesar de não ser o primeiro a trazer essa tecnologia, ficou marcado na história dos jogos pelo tema de zumbis, gráficos bem definidos para época e muito sangue, claro.

House of the Dead 2 Remake
Se você, assim como eu, foi à falência comprando fichas, perdendo sem nunca entender ou ver o final de House of the Dead 2, vou resumir para você, caro leitor. Após impedida a catástrofe da infestação de zumbis do primeiro jogo, o líder da agência, G, trai a humanidade e tenta trazer de volta todo o mal do primeiro jogo. Só que, além dos mortos-vivos, ela traz consigo demônios enquanto tenta criar uma forma de vida suprema misturando as formas de vida do submundo com tecnologia. Uma clássica desculpa dos arcades para sair atirando em quase tudo o que se move.
House of the Dead 2 Remake dispõe de tudo das versões arcade que foram depois adaptadas para console, como Dreamcast: ele conta com um modo campanha, que pode ser jogado no modo clássico e arcade. No modo clássico, é exatamente igual aos arcades, escolher seu personagem e ir à luta, se morrer, temos alguns créditos e depois disso, acabou. Já no arcade, contamos com alguns modificadores que podemos achar durante as sessões, coisas como aumento de dano, mais créditos, mais vida e até alguns cosméticos engraçados, como modo cabeção.
Se até agora não entendeu, ou não conhece o conceito de rail-shooter (tiro sobre trilhos), a jogabilidade se resume a mirar nos inimigos na tela em um jogo de tiro em primeira pessoa com câmera fixa, onde apenas controlamos a mira.

Uma jogabilidade dessas num console que tem giroscópio e sensor infravermelho deveria ser uma ótima combinação, e até é, mas precisa de alguns ajustes e melhorias. Embora eu seja suspeito pra falar de uso do giroscópio, a configuração padrão é péssima, precisando de um ajuste na sensibilidade para resolver. Os problemas aqui, na verdade, são coisas como a interface de usuário e a navegação desses menus; a fonte é péssima, o design do guia do controle é horroroso, mas uma hora ficou tudo certo. Eu esperava algo mais otimizado ou imersivo em coisas como o modo single joy-con, que, num primeiro momento, parecia uma ideia que remetia mais ao arcade, mas na verdade é só um jeito mais complicado de se jogar, já que ele não facilita coisas como recarregar ou resetar a mira e deixa tudo bem mais difícil.
A jogabilidade mesmo não tem muito o que falar, mas os gráficos são a grande novidade. E que belo tratamento realizado nas texturas e imagens do jogo, dando mais detalhes aos monstros, mais sangue e, apesar de não ter pacote de melhorias confirmado, fica ainda mais limpo no Nintendo Switch 2. Por outro lado, as animações são bem datadas e duras, mas isso sempre fez parte de House of the Dead 2 e é algo que os arcades faziam muito: simplificar textos e diálogos para colocar o jogador direto na ação por mais tempo.
Gosto de pensar que a série, apesar de um tema violento, usa a narrativa de forma a parodiar jogos e filmes de mortos-vivos, deixando o jogador só pensando em atirar, afinal não é nada fácil e é preciso sempre estar atento.
A trilha sonora foi toda remasterizada: riffs e baixos predominam nas músicas, numa mistura de punk, rock e metal, para dar aquela sensação de adrenalina e alerta. As batalhas contra chefes ficam muito mais épicas com essa trilha.
Apesar do ótimo trabalho na remasterização gráfica, faltou refazer as animações das cenas; não que isso atrapalhe muito, já que elas costumam ser rápidas, mas é algo bem notável, já que a movimentação dos personagens nas cenas é bem dura.



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