Corte com estilo e quebre o fluxo de turnos.
Arashi Gaiden, desenvolvido pela Statera Studio, conhecida pelo Pocket Bravery, é o primeiro jogo da publisher brasileira NUNTIUS GAMES, que já vem publicando vários jogos na Steam e finalmente lança seu primeiro jogo no console da Nintendo. Com uma proposta que tenta subverter o gênero de ação por turnos, tentando criar uma dinâmica mais acelerada e frenética, usando tudo o que um ninja teria à disposição, lâminas, shurikens e muito mais; o que importa é atravessar o inimigo.
Uma tempestade se aproxima
Shinji Arashi é um ninja mercenário que teve seus pais assassinados por uma organização criminosa quando criança e que, a princípio, não parece estar em busca de vingança, mas, quando seu antigo conhecido de profissão, Lobo, chega com um novo serviço de exterminar uma organização criminosa chamada Matilha, sombras do passado voltam para aparecer.
Arashi Gaiden não tem um enredo complexo, mas não deixa de ter sua certa profundidade: um ninja que mata por dinheiro, porém, ainda segue um código de honra, o que faz com que nem tudo seja somente por dinheiro ou por justiça. Às vezes, é só trabalho ou a necessidade de manter um equilíbrio no submundo, e o mais incrível é conseguir passar essa ideia sem muita enrolação e de forma bem natural no decorrer dos estágios, onde vamos aprendendo sobre cada um dos chefes, que contam com muita personalidade e referências.
Aliás, um ponto bem interessante é como o estágio é realmente o território daquele chefe; elementos da fase não são apenas um cenário ou armadilhas deixadas sem motivo, mas são uma leve preparação para lidar com eles de forma mais complexa.

A jogabilidade que promete bastante na sua descrição e nos vídeos na loja é a que mais intriga. O slash and dash de Arashi Gaiden consiste em se mover pelo cenário e cortar quem estiver na direção escolhida no grid da fase, bem parecido com um tabuleiro de xadrez. Parando pra pensar, alguns movimentos, como o do Shinji em linha reta e o dos capangas básicos se movendo uma casa de cada vez, parecem bem com xadrez, mas para por aí; afinal, Shinji não é o único ninja, inimigos que se movem de forma mais irregular são comuns mais à frente, fora as habilidades que são aprendidas.
Parece um pouco conflitante o sistema do slash and dash, não por ter camadas demais, mas por ele ter elementos que parecem competir demais uns com os outros. Por exemplo, a sequência de acertos: acertar vários ao mesmo tempo ou em turnos vai criando uma barra de combo, mas essa barra tem um tempo para acabar e terminar o combo. Ao mesmo tempo, se mover sem pensar pode custar uma derrota que reinicia o cenário. Ao final, tem um ranking individual que vai contar para o ranking final da fase. Apesar de não parecer punir as mortes, pune o reinício de cenário baixando a nota; isso sem contar que a sua mana e vida não são restauradas ao passar de uma sala.
Como não sou um mestre ninja, não fiz muita questão de fazer sempre o melhor desempenho em cada sala, mas boa sorte para quem quiser tentar, principalmente no mundo 4; esse faz até a fumaça sair da cabeça.
Mas, no fim do dia, é bem divertido para passar o tempo. O número de salas por fase às vezes assusta, mas, quando você vê, já chegou no chefe sem nem perceber. Viciante demais, e adoraria que tivesse um modo procedural ou um modo bônus pra sair cortando.
Parte técnica
Apesar de ser um combate em turnos, Arashi Gaiden não é estático em momento nenhum. A pixel art do jogo é totalmente viva, mesmo em momentos em que você para pra pensar, justamente para te lembrar que os turnos são “opcionais” e que o combate não para, mesmo quando você para. Os cenários são bem ricos em detalhes que até te atrapalham um pouco para entender suas opções de movimentação, mesmo com as indicações que o sistema tem, mas ainda parecem parte da ideia de saber se mover com cautela. Os destaques de cenário com certeza vão para as florestas e templos, mas os cenários urbanos não ficam para trás.

A trilha sonora é muito boa em vários sentidos, toda ambientada para ter um toque oriental, então abusa bastante do uso de instrumentos como shamisen ou koto dando o tom, além daquela clássica percussão de sintetizador para dar mais ritmo, mas o melhor é a tela inicial cantada por nada menos que o Miura Jam, grupo musical brasileiro que faz cover de músicas japonesas e fez um tema sensacional em inglês. É mais uma música que vou levar pra playlist pessoal, mas bem que podia ter uma versão em português também.
Arashi Gaiden é facilmente viciante, apesar de ser curto. A promessa é de 5 horas de jogo, mas com certeza levei mais do que isso (to falando de você, fase 4), e a performance no geral é bem satisfatória, apesar do que disse anteriormente sobre mecânicas que parecem conflitantes demais. Acho só que faltou um pouco mais de acabamento em certas coisas pequenas, como uma certa lentidão entre as transições das fases para o dojo do Shinji, e a fonte do texto pode ser um pouco complicada de ler no modo portátil do Switch 1/Lite, o que pode ser facilmente resolvido com um contorno mais forte na borda das letras.
Arashi Gaiden
Editora: Statera Studio
Desenvolvedora: Statera Studio, Wired Dreams Studio
Tipo de Mídia: Digital
Lançamento: 4T/2025
Plataformas:



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