Imagina dormir, e ao abrir os olhos, estar num mundo de sonhos e espectros? Essa é a premissa da saga The Coma, que chega à sua conclusão com The Coma 3: Bloodlines.
Sobre The Coma 3: Bloodlines

Abastecidos de muito café, em 2015 uma pequena equipe na Coreia do Soul criou o Devespresso Games, estúdio focado em criar jogos desenhados à mão e com histórias e personagens memoráveis. Em 2015, eles publicaram The Coma: Cutting Class na Steam, e o sucesso foi imediato, levando-os a fazer a versão Recut, que é um remaster disponível para todas as plataformas (o Cutting Class não está mais disponível para compra).
Em 2020, saiu o segundo jogo da franquia, The Coma 2: Vicious Sisters, que também fez sucesso e criou o pano de fundo para que o ponto final na história acontecesse. Eles desenvolveram alguns outros jogos, mas nenhum teve o mesmo sucesso que a saga The Coma.
Em 2023, o estúdio de nome para Dvora Studio, e em 2025, saiu o primeiro trailer para o capítulo final, The Coma 3: Bloodlines. No começo de abril deste ano, saiu uma demo jogável, e no final do mês, o jogo finalmente saiu para todas as plataformas.
História

Antes de a gente começar a história do The Coma 3: Bloodlines, é importante vocês saberem do que aconteceu antes, já que esse jogo é uma sequência direta dos outros. Não é estritamente necessário saber, mas vai fazer você entender o que está acontecendo, e tornar sua experiência melhor. Se você preferir, jogue os outros jogos antes de jogar este. Atenção a spoilers dos jogos anteriores:
The Coma: Cutting Class / The Coma: Recut
No primeiro jogo da série, você assume o papel de Youngho Choi, um aluno da Sehwa High School que ao chegar para fazer a prova final da escola, descobre que um colega cometeu suicídio na noite anterior, e então dorme durante a prova, mas acorda numa versão da escola que parece um pesadelo, com tudo escuro, espectros andando e muito risco. Aqui, ele descobre que esse mundo sombrio se chama “The Coma” (o que é interessante, já que enquanto ele está por aqui, no mundo real, ele está em coma), e precisa sobreviver se escondendo dos espectros e resolvendo os puzzles até conseguir escapar.
The Coma 2: Vicious Sisters
Aqui, você não controla mais Youngho, mas a melhor amiga de infância dele, Mina Park. Com seu melhor amigo em coma, ela está em depressão profunda e acaba passando mais tempo na escola. Ao ver uma aluna suspeita e segui-la, ela é nocauteada e, enquanto desmaiada, ela vai parar no mundo do Coma. Aqui, ela também precisa sobreviver, mas desta vez, a ameaça é maior: a Vicious Sister, que tem a exata aparência de uma professora dela, Jihyun Song, porque está possuindo-a. Youngho aparece aqui como uma sombra, porque ele tinha conseguido escapar do mundo, mas hesitou na saída, e preso no mundo da sombra pelo que parecem ser anos pra ele, ele usa toda a sua experiência recebida para salvar Mina. Este jogo tem dois finais, um no qual ele morre na realidade, e outro no qual ele acorda, que é o final canônico e necessário para o jogo 3 existir.
Mina pode explorar alguns lugares além da escola, enquanto que no primeiro jogo, tudo se passa dentro do prédio.
The Coma 2B: Catacomb
Este jogo é, na real uma prequel de The Coma 2: Vicious Sisters e explica o que aconteceu com o Youngho entre o jogo 1 e o 2 (e se você pretende jogar tudo, até recomendo jogar este antes do 2). Aqui, você controla o garoto novamente em busca de uma relíquia sagrada que poderá ser usada para derrotar a Vicious Sister. Seguindo as notas deixadas por Yaseol, uma garota que ajuda Youngho e Mina a sobreviverem nos outros dois jogos, e age como mentora de ambos, ela tem mais de mil anos, apesar de parecer uma estudante comum.
Investigando um novo lugar, ele, que tinha escapado do mundo do Coma, decide retornar e descobre tudo que está errado e tenta buscar um jeito de resolver. Quando um invasor indesejado chega à dimensão sombria e complica as coisas, ele precisa contar com novos aliados para conseguir chegar à espada sagrada.
Agora que você já sabe o que acontece nos outros jogos, vamos à história de The Coma 3: Bloodline

O primeiro elemento que diferencia dos outros é que você joga com três protagonistas diferentes aqui: Além de Youngho e Mina, você também joga com Jihyun Song, a professora de inglês que fora possuída no jogo 2. Inclusive, a primeira cena do jogo é com ela, que descobriu que pode acessar o mundo do Coma para se exercitar e ler enquanto dorme.
O pai de Mina morreu, mas Youngho não esteve presente e não consegue dar o suporte que ela precisa por causa do seu trabalho cuidando da dimensão do Coma, que voltou a se tornar uma dimensão de pesadelos depois que as duas associações que supostamente cuidavam da paz começaram a brigar.
Essas associações são a Sehwa Foundation, que quer estudar o mundo amaldiçoado, e os Ghost Vigilantes, que querem suprimir os elementos perigosos no Coma. De um lado, a vontade de estudar e se aprofundar no mundo, do outro, a intenção de conter e reprimir todas as ameaças que o mundo tem.
Depois de um período de paz, elas começam a ter suas relações desgastadas, e com isso, o mundo do Coma volta a ser inseguro. Com isso, Espectros do Passado aparecem no mundo do Coma e passam a tocar o terror por lá.
O jogo se passa em vários lugares, todos os anteriores e mais alguns novos, e cada protagonista tem um jeito diferente de jogar (mais sobre isso na seção de Jogabilidade), fazendo com que você experimenta The Coma de maneiras totalmente diferentes, dependendo de quem você joga, e tornando os locais do jogo cada vez mais familiares, cada vez que você volta.
Você conseguirá derrotar os 4 vilões e restaurar a amizade de Youngho e Mina, garantindo a sobrevivência das três pessoas que controla durante a aventura, neste que promete ser o final desse arco que começou em The Coma: Cutting Class/Recut?
Jogabilidade

Seguindo o exemplo dos outros jogos da série, The Coma 3: Bloodlines é um jogo 2D focado em exploração do ambiente, solução de puzzles e a tentativa de sobrevivência nesse ambiente opressivo. A revolução no conceito do jogo, porém, é que com três protagonistas, são três jeitos diferentes de jogar.
Jihyun Song, a professora, é a exploradora. Com ela, você soluciona a maioria dos puzzles do jogo, e faz com que a jogabilidade seja mais parecida com a do primeiro jogo (o que torna ainda mais interessante você começar o jogo 3 com ela, é um aceno positivo aos fãs do jogo que começou a franquia). Aqui, sua maneira de derrotar os espectros é… correr e se esconder.
Mina é a especialista em se esconder. Seguindo mais ou menos a jogabilidade do jogo no qual ela é a protagonista, você consegue se espremer em lugares pequenos, como dutos de ar, e pode usar o spray de pimenta para atordoar inimigos que te peguem (só pode ter um por vez), e incensos espirituais para ficar invisível dos monstros temporariamente (até 3 por vez). No segundo jogo, o Incenso é um item chave necessário para conseguir o melhor final possível, aqui, é um consumível.
Já com Youngho, você tem uma jogabilidade totalmente nova. Como ele conseguiu a espada relíquia sagrada chamada Necroblade ao final do The Coma 2B, agora ele pode lutar contra os espectros. Além de conseguir desviar dos inimigos rolando para lá e para cá na tela, ele pode fazer um combo de três ataques para ir reduzindo a vida dos inimigos, até derrotá-los. Isso significa que ele pode limpar o caminho para salvar outros visitantes do Coma, além de proteger as outras duas protagonistas. Ele também pode escalar vinhas com seu equipamento de alpinismo (ele tem pickaxes, como a Lara Croft do reboot), e com isso, acessa lugares que ninguém mais consegue.
O que há de comum são os elementos de vida, recuperação de vida, stamina e os mesmos cenários, mas cada passeio pelo cenário é diferente, dependendo de com quem você está jogando.
Os puzzles do jogo são diversos. De itens mágicos que precisam ser colocados em tabuleiros na ordem certa, a códigos que precisam ser inseridos para abrir portas, e cujas pistas estão em quadros nas paredes ou em notas espalhadas pelo mapa, você tem que fazer muitas idas e vindas.
Algo bastante positivo é que cada inimigo precisa ser derrotado de um jeito diferente. Enquanto Youngho pode só lutar com os dele, ao encontrar inimigos com Mina e Jihyun, você precisa de mais criatividade, e a sensação de medo com elas é muito mais real, já que não há como lutar. Um dos inimigos, por exemplo, você precisa usar equipamentos sonoros para derrotar, enquanto outro, você precisa atrair para bater a cabeça em colunas, até que fique impossibilitado de lutar. A maioria das coisas no jogo é bem desafiadora e te mantém alerta o tempo todo.
Parte Técnica

The Coma 3: Bloodlines é um jogo que roda quase todo liso. Há alguns poucos momentos em que há quedas de frame rates quando tem muita coisa acontecendo na tela, mas é raro e não atrapalha a jornada. As cutscenes são bem feitas, e o estilo de arte único, feito à mão, elogiado desde o primeiro jogo, continua brilhando aqui.
A ambientação é complementada pelos cenários e pela trilha sonora. Tudo está no lugar, as luzes, as sombras e as variações sonoras, para te dar medo e ansiedade, e há vários momentos de susto no jogo.
O jogo também conta com dublagem em coreano, e isso aumenta ainda mais a sensação de que você está vivendo um K-Drama (ou Dorama, pra galera mais nova), de terror e suspense.
Infelizmente, não temos o português entre as opções de idiomas, mas há mais de uma dúzia deles, incluindo espanhol europeu.
Conclusão
The Coma 3: Bloodlines é um final digno para uma franquia ousada e inovadora. Um projeto ambicioso que começou há 11 anos atinge sua conclusão com a maior qualidade disponível na série. Um jogo necessário para qualquer fã de terror psicológico.
Análise feita com cópia gentilmente cedida pela Headup Games
The Coma 2B: Catacomb
Editora: Headup
Desenvolvedora: Dvora Studio
Tipo de Mídia: Digital
Tamanho do Arquivo: ??
Lançamento: 25/Out/2024
Plataformas:



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