Derrote os Kami e ganhe seus poderes.
Gurei é um jogo brasileiro do Lobo Sagas Studio, uma desenvolvedora brasileira formada por apenas duas pessoas, e distribuído pela Astrolabe Game (responsável por jogos como BlazBlue Entropy Effect), e em resumo é um boss rush de combate que é desafiador e exige alta precisão. Um boss rush não poderia ser difícil não é? Afinal, é só decorar os padrões e ir tentando até vencer, certo? Normalmente sim, mas Gurei tem algumas cartas na manga a mais.
Espírito humano contra os Kami
Rei é um espírito humano que usa uma máscara de raposa com a missão de derrotar os Kami, forças da natureza encarnadas em animais semi-humanoides que vivem nos arredores do castelo onde tudo se passa.
Por que Rei precisa fazer isso? O que é esse castelo e quem são os kami? Essas são perguntas que você terá que descobrir durante sua jornada já que com as tentativas, vamos encontrando npcs que contam um pouco sobre eles e sobre os arredores. É o jeito de Gurei quebrar a tensão entre as lutas enquanto enriquece o enredo, mas uma coisa eu posso dizer: os Kami não estão nada felizes em serem desafiados.
Não sou muito fã de narrativas subjetivas ou que ficam em segundo plano, mas pelo menos com uma premissa já firmada e uma jogabilidade bem direta, não é tanto problema, já que você pode esfriar a cabeça indo atrás disso ou só cair de cabeça contra os Kami com uma fúria sem fim de novo e de novo.

Gurei se vende como um jogo de alta precisão, o que é só um modo bonito de dizer que é um jogo difícil – e ele é. Podemos enfrentar os chefes na ordem que quisermos, porém ao vencer um, o próximo vai estar mais forte; vencendo o segundo, o terceiro vai ficar ainda mais forte e por aí vai. A cada Kami derrotado, os outros ganham mais velocidade e ataques novos: um Kami que como primeiro bate forte, mas é lento, pode ficar mais forte e imparável. Projéteis podem duplicar de tamanho, padrões novos podem encher a tela toda e por aí vai. Claro que conforme eles se fortalecem com a raiva, Rei se fortalece absorvendo os Kami que caíram; cada um dá uma habilidade única, e elas vão enriquecendo a jogabilidade. Mas cuidado: um movimento errado e você terá que começar tudo de novo. Rei não tem muitas chances de derrotar os Kami, e caso perca todas, perdemos o save e temos que começar do zero.
Rei de início pode apenas andar, bater com a espada e se esquivar, uma jogabilidade bem básica, mas difícil de dominar, já que as janelas de esquiva são bem apertadas e frames de invencibilidade são bem curtos. Isso te faz ter que saber o momento de atacar e a hora de parar e tentar ler como desviar da ofensiva dos Kami. Chega até ser um pouco frustrante de início, porque às vezes você consegue esquivar mas não em tempo, então você sai do lugar e ainda é punido, às vezes até mais de uma vez, por um único erro. Aliás, chega a ser frustrante como boa parte dos Kami têm uma medida contra as esquivas, que não só podem te pegar no início, mas também no fim com um ataque que pega dos dois lados do chefe. É muito importante saber que você tem mais facilidade de enfrentar num nível alto, porque eles realmente ficam insanos.

Por um lado, admiro essa ideia de aumento gradual da dificuldade, mas por outro acho que fica um pouco insano demais, e as melhorias não acompanham. Não que sejam inúteis ou ruins, muito pelo contrário: algumas são boas demais, porém o combate vai ficando cada vez mais apertado e sufocante até que fica difícil encaixar entre os respiros dos Kami, quando tem ou como contramedida, já ainda tem ataque não entendi como se desvia ou se realmente dá pra desviar, ou é só para aceitar o destino. A precisão beira o absurdo aqui.
Parte técnica
Gurei tem um estilo artístico bem interessante, em um mundo monocromático apenas os Kami tem cores mas apenas uma e que se mistura com preto e branco. Um mundo todo desenhado com muitas animações de ataque, interação que vai evoluindo e criando vida conforme falhamos e as arenas de chefes sendo mais do que arenas: elas tentam contar a história dos seus poderes, sua origem e sua determinação. Particularmente gostei muito da sala do chefe besouro, é bem imponente. Mas têm umas artes em um ponto do jogo que ficaram bem genéricas; não atrapalha tanto, mas destoa muito do resto do jogo.
A trilha sonora é boa por um lado, mas genérica por outro: seguindo a temática oriental, ela usa instrumentos dignos de filme de samurai, guerreiros chineses e outros tipos de filme de ação oriental, mas elas são tão parecidas no geral que nenhuma se destaca, ou pelo menos consegue ser diferenciadas. As músicas só tocam contra chefes e alguns minigames, e parecem sempre as mesmas. Talvez seja só o pouco espaço para reparar com mais atenção, mas mesmo assim não deixam a desejar e conseguem criar um bom ambiente e te colocar no clima da batalha.
Os controles são bem simples de inicio, mas o aumento de recursos conforme avançamos em cada rodada cria uma pequena complicação mental. Já que perdemos até o save sempre que morremos, você pode acabar esquecendo que tem alguma habilidade ou esquecendo que ainda não a tem, o que te fará errar em momentos cruciais. Não criticando o desafio, mas os recursos iniciais são bem poucos e alguns poderes seriam bem mais interessantes sendo base, e não uma recompensa enquanto outross realmente poderiam ser melhores como recompensa.
Gurei
Editora: Astrolabe Games
Desenvolvedora: Lobo Sagaz Studio
Tipo de Mídia: Digital
Plataformas:
Opções de Compra:
Nintendo eShop R$ 99,99



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