Uma verdadeira onda de jogos clássicos de FPS (tiro em 1ª pessoa) tem aparecido no Switch desde sua primeira edição. Duke Nukem 3D, Blood: Fresh Supply, System Shock 2… só para nomear alguns. Até mesmo novos títulos usando motores gráficos antigos, como o incrível Ion Fury e seu DLC, Aftershock, estão presentes na plataforma da Nintendo.
Porém, uma das maiores surpresas foi o anúncio de SiN: Reloaded, trazendo tanto o jogo original lançado em 2000, assim como sua expansão (Wages of SiN) que, assim como tantos outros grandes títulos do gênero à época, como Shogo, ficaram apagados devido ao sucesso de Half-Life.
O título remasterizado traz diversas melhorias, porém o que faz de SiN um jogo sem paralelos é o quanto ele é moderno e desafiador para os padrões atuais. Se você gosta de FPS eu recomendo muito que leia essa análise só para você entender o quão diferente e original esse título já era para a época em que foi lançado.

SiN: Reloaded é um jogo com mecânicas inovadoras e desafiador na medida certa
Os jogos de tiro em primeira pessoa sempre tentaram inovar de alguma forma desde seus primórdios, como Heretic e Hexen (de certa forma, os primeiros a implementarem elementos de RPG, com uma bolsa de inventário para itens mágicos), porém, foi nos anos 2000 com a vinda de Deus Ex que os jogos de tiro se tornaram massivamente RPG, com NPCs, regras de mundo, inventário, sistema de nível e missões secundárias.
Mas lá no final de 1998, três jogos inovaram de uma forma muito inteligente, porém com o sucesso de Half-Life, dois deles ficaram apagados: Shogo e SiN.
SiN: Reloaded traz, na minha opinião, a melhor física de tiro dos três jogos mencionados. O impacto das balas, a forma como os inimigos são empurrados, os danos em três partes corporais entre outras mecânicas são simplesmente divertidos e balanceados. Ainda implementa um sistema de hack através dos computadores do mundo do jogo além de segredos e missões secundárias que alteram muitas coisas nas próximas fases, às vezes até mesmo criando acesso a fases diferentes (sim, 2 anos antes de Deus Ex).
Mas vamos explorar melhor esses detalhes e a história do jogo.

Elexis Sinclaire – uma vilã memorável
SiN já possui um diferencial enorme para época em sua narrativa, sendo um dos únicos (se não o único) jogo até 1998 de FPS a contar com um protagonista negro. Na pele de John Blade, o jogador deverá trazer justiça para Freeport City, enquanto uma misteriosa cientista espalha um vírus mortal que causa mutação nos cidadãos da cidade através de uma droga chamada U4.
Ao invés de contar com labirintos complexos, SiN já segue a metodologia de Half-Life e Shogo, com fases mais contidas, porém ricas em detalhes e uma ação mais contida, mais ainda sim mais rápida que muitos shooters modernos.
Cada missão se passa em uma sessão da cidade de Freeport e conta com um sistema muito interessante de interação com as fases anteriores. Para dar alguns exemplos, dependendo do que ocorrer na fase prólogo do helicóptero, você pode iniciar na lateral do banco na segunda fase, ou descer pelo telhado. Além disso, se você destruir certas partes do telhado quando estiver no helicóptero, a fase do banco terá diversos escombros e alguns itens mudaram de lugar.
Há alguns segredos também durante as fases que trazem novas informações e enriquecem ainda mais a história do jogo. Há segredos por exemplo que não possuem nenhum itens, mas alguma chave ou válvula que, ao pressionar ou usar, muda o que acontecerá na fase seguinte (se uma sessão dela estará inundada, se você iniciará a fase de noite ou de dia, e por aí vai).

Eu nem preciso dizer o quanto esses detalhes aumentam o valor de replay do jogo, trazendo uma nova forma de explorar cada fase, até mesmo porque algumas missões secretas desabilitam outras, ou mudam a fase seguinte drasticamente, quase criando uma nova sessão. E o mais impressionante é que essas mecânicas não são adições modernas, o jogo já possuía essas funções na época. Como se não fosse o suficiente o jogo ainda possui terminais que o jogador pode hackear com comandos de DOS (sim, o DOS do Windows), podendo acessar contas de banco e descobrir outros segredos legais espalhados pelo mundo de SiN.
Uma jogabilidade que se manteve moderna
O mais impressionante é como SiN consegue manter-se moderno. Ele mistura aquela jogabilidade rápida dos jogos antigos, porém com uma física e impacto mais pesada em relação às armas e os inimigos. É uma experiência bem única.
O jogo conta com uma variedade de armas que possuem seus prós e contras, e também conta com uma grande variedade de inimigos. Mutantes, por exemplo, irão atacar de perto, então a espingarda é a solução, já inimigos mais rápidos, uma metralhadora pode fazer a diferença. O jogo também conta com armas de energia, minas terrestres que andam e dão uma função de câmera para Blade ver o que tem do outro lado da sala e muitas outras armas letais. Algumas missões, inclusive, recompensam por fazer de modo silencioso no maior estilo Metal Gear Solid (mas, infelizmente, essa não é uma mecânica bem implementada).
Blade também terá diversos itens para ajudá-lo a sobreviver, como lanternas e diversas partes de armadura que são completamente essenciais para se manter vivo. Apesar da ação frenética, na dificuldade normal em diante é importante ficar atento à munição e a armadura, que diferente dos clássicos, não tem aos montes, trazendo uma nova camada de desafio.

Um remaster cheio de extras e melhoria de qualidade de vida
SiN: Reloaded passou por alguns atrasos de lançamento, e mesmo assim chegou com algumas falhas graves. Até o momento, a desenvolvedora não inseriu caracteres necessários para hackear os computadores dentro do teclado virtual do jogo, o que faz com que alguns easter eggs fiquem inalcançáveis. Além disso, qualquer botão pula as cenas e as telas de loading que possuem informações da história, o que faz o jogador pular acidentalmente essas cenas a todo momento.
Mas o jogo possui uma onda de melhorias também. A quantidade de opções gráficas customizáveis no Nintendo Switch 2 é um absurdo. É possível modificar tanta coisa que os menus são enormes. A jogabilidade também conta com mudança de ações nos botões do controle, giroscópio, diversos níveis de sensibilidade… é quase impossível enumerar tudo aqui. Dito isso, eu achei um tanto estranho a escolha padrão das opções. O zoom do HUD é extremamente pequeno por padrão, fica praticamente impossível de visualizar as informações de vida e inventário, tanto no Dock quanto no portátil, mas tudo isso pode ser corrigido nas opções.
O jogo também conta com multiplayer local totalmente funcional e repleto de mapas para se divertir com os amigos, e um modo treino que possui arena para ver quem faz melhor pontuação contra inimigos em condições diferentes. É interessante notar que o jogo roda totalmente fluido, sem engasgos e a 60 e 120FPS, dependendo da TV.

SiN: Reloaded também deixa o jogador alterar do gráfico clássico para o novo a qualquer momento, no entanto não ocorre de forma fluida: o jogo precisa trazer uma tela de carregamento bem rápido para fazer a transição. O gráfico em HD está lindo, ao invés de parecer algo esquisito como aqueles upscales de jogos antigos, as texturas realmente ficaram mais limpas, porém sem perder sua estética clássica.
Como se não fosse o suficiente, esse clássico vem com um novo sistema de conquistas que auxiliam o jogador a tentar descobrir os segredos espalhados em SiN e Wages of SiN, além de extras de produção, repleto de fotos, imagens e vídeos da versão pré-lançamento da época. Até mesmo cenas cortadas do jogo em formato de storyboard.
Também há o sistema de salvamento/carregamento rápido, no entanto a tela para carregar é minada de saves automáticos e é de difícil navegação, o que tira um pouco a velocidade e o passo do jogo quando morremos e precisamos carregar um jogo anterior (que não o carregamento rápido).

Faltou tratar dos erros do passado
SiN e seu pacote de expansão eram repletos de bugs em seus lançamentos originais. Os desenvolvedores fizeram um ótimo trabalho, inclusive, corrigindo o mais grave deles que literalmente travava o progresso do jogador dependendo do caminho escolhido para concluir o jogo nas fases finais.
No entanto, no seu lançamento, o jogo não só continha outros antigos bugs, como novos também. Os veículos, por exemplo, possuem um bug extremamente estranho que, ao entrar neles, a física toda entra em fritz atirando Blade e o veículo para longe. Além disso, o jogo não registra no salvamento rápido se Blade está agachado ou correndo, o que pode deixar o jogador em uma armadilha mortal sem volta, caso salve no momento errado, em algumas seções com armadilhas.
Isso tudo somado de outros bugs graves, como na missão secreta da planta geotérmica da qual, usando uma saída secreta, o jogador fica sem acesso a um cartão necessário para avançar no jogo. Ainda é possível voltar na fase anterior e usar a saída comum para conseguir pegar o mesmo cartão na sala pretendida, mas é só mais um exemplo de bug que atrapalha demais o progresso do jogo, obrigando um retorno desnecessário para pegar um cartão que não fica registrado ao voltas à fase anterior.

Mas é impossível negar que, mesmo com esses defeitos, SiN é muito divertido. É um FPS que, mesmo depois de todos esses anos, consegue ter um passo rápido e um peso e mecânicas de tiro muito divertidos. Além disso o jogo é muito bem balanceado, com itens raros de encontrar, segredos bem escondidos e que recompensam bem a exploração, fases bem diferentes uma das outras e progressão inteligente de inimigos e armas que vão surgindo de forma inteligente. Sem contar com os diversos caminhos alternativos que o jogo possui.
Uma nota final aos pais, o jogo é 18+ e conta com um leve conteúdo adulto além da violência, então mantenha o game longe das mãos da criançada.
Análise realizada com uma chave cedida gentilmente pela editora.




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