Foram mais de dez anos de ausência, uma geração inteira de consoles e incontáveis batalhas travadas em outras plataformas. Agora, Call of Duty finalmente está de volta a um videogame da Nintendo, e o retorno acontece em grande estilo. Call of Duty: Modern Warfare 4 chega ao Nintendo Switch 2 acompanhado de uma campanha cinematográfica, um multiplayer bastante completo e uma modalidade de extração capaz de oferecer dezenas de horas adicionais. Mais importante, porém, é perceber que a experiência não foi reduzida a uma adaptação limitada para o portátil. Existem concessões técnicas, naturalmente, mas a Activision consegue entregar um dos pacotes de ação mais expressivos disponíveis no console.
Desenvolvido pela Infinity Ward, com a participação da Digital Legends Entertainment na versão para Nintendo Switch 2, o jogo representa o encerramento da atual saga Modern Warfare, iniciada com a reformulação de 2019. A franquia não aparecia em uma plataforma da Nintendo desde Call of Duty: Ghosts, lançado para Wii U em 2013. Esse intervalo torna o retorno particularmente importante, especialmente porque o novo capítulo chega ao console da Nintendo junto das versões para os demais sistemas, preservando seus principais modos, recursos e possibilidades de interação entre jogadores.
A campanha acompanha o capitão John Price em meio a uma crise internacional que coloca antigos aliados e inimigos em uma situação cada vez mais perigosa. Paralelamente, a narrativa apresenta acontecimentos envolvendo a península coreana, com destaque para o soldado Park Hyun-Jun e os conflitos que se desenvolvem na região. As duas histórias avançam por caminhos diferentes antes de se conectarem, criando uma estrutura que alterna perspectivas e amplia o alcance dos acontecimentos. É uma aventura que utiliza espionagem, operações militares e ameaças de grandes proporções para construir o tipo de espetáculo que tornou a série conhecida.

Com aproximadamente seis a oito horas de duração, distribuídas em 16 missões, a campanha privilegia intensidade e variedade em vez de uma longa progressão. Há confrontos em ambientes urbanos, operações furtivas, perseguições e situações nas quais sobreviver exige muito mais do que simplesmente avançar disparando. Algumas sequências permitem abordar objetivos com maior liberdade, enquanto outras são conduzidas de maneira bastante cinematográfica. A alternância funciona bem porque impede que as batalhas se tornem previsíveis, mesmo quando a narrativa recorre a acontecimentos grandiosos que desafiam um pouco a credibilidade.
Essa abordagem também revela uma das limitações do roteiro. Embora os personagens recebam boas interpretações e existam momentos de tensão genuína, a história raramente se aprofunda nas questões políticas e morais que apresenta. O conflito serve principalmente como combustível para as próximas missões, deixando pouco espaço para discutir suas consequências de maneira mais significativa. Ainda assim, a relação entre os soldados e o desenvolvimento de personagens conhecidos ajudam a dar personalidade à aventura. Não é uma narrativa especialmente sutil, mas consegue manter o interesse até os momentos finais.
Onde Modern Warfare 4 realmente se destaca é na jogabilidade. A movimentação dos personagens apresenta uma fluidez impressionante, permitindo alternar corridas, deslizadas, saltos e mudanças rápidas de posição com naturalidade. As armas transmitem uma sensação convincente de peso e impacto, enquanto as animações de recarga e os efeitos sonoros reforçam a intensidade dos confrontos. Existe uma precisão agradável na maneira como tudo responde aos comandos, fazendo com que até pequenas decisões, como mudar de cobertura ou avançar por um corredor, possam determinar o resultado de um tiroteio.
No multiplayer, essa base encontra seu ambiente ideal. O jogo apresenta 20 mapas no lançamento, distribuídos entre confrontos tradicionais, partidas de menor escala e batalhas de grandes proporções. Os cenários oferecem diferentes possibilidades de movimentação, com espaços fechados que favorecem reações rápidas e áreas abertas nas quais o posicionamento se torna especialmente importante. A variedade de modalidades também contribui para manter as sessões interessantes, permitindo alternar entre disputas mais competitivas e experiências que privilegiam a ação em larga escala.

Entre as novidades, Kill Block propõe uma estrutura diferente para o treinamento e os confrontos, enquanto Collateral acrescenta uma dinâmica de ataques, defesas e administração de equipamentos que estimula decisões durante cada rodada. Já Guerra Terrestre coloca equipes numerosas em disputas por posições estratégicas, com veículos e mapas maiores. É uma modalidade capaz de produzir momentos impressionantes, embora a necessidade constante de recuperar objetivos também possa transformar algumas partidas em uma sequência repetitiva de deslocamentos. Os confrontos menores, por sua vez, aproveitam melhor a precisão das armas e o excelente sistema de movimentação.
A personalização do arsenal continua sendo um componente importante da progressão. Diferentes acessórios, equipamentos e vantagens permitem adaptar as armas ao estilo de cada jogador, oferecendo muitas possibilidades para quem gosta de experimentar combinações. Entretanto, a quantidade de opções nem sempre significa facilidade de uso. Alguns menus apresentam informações demais, enquanto o processo de desbloqueio e organização dos equipamentos pode parecer excessivamente complicado. A experiência recompensa quem dedica tempo para compreender seus sistemas, mas poderia oferecer uma apresentação mais direta para os iniciantes.
O terceiro grande componente do pacote é o DMZ, uma modalidade de extração que combina confrontos contra adversários controlados pelo jogo e outros participantes reais. Ambientado na região de Hajin, o modo apresenta objetivos narrativos, atividades secundárias, recursos para coletar e equipamentos que podem ser aprimorados ao longo da progressão. A proposta é entrar em território hostil, concluir missões, reunir suprimentos e conseguir abandonar a área em segurança. A diferença está no risco envolvido, já que uma operação malsucedida pode significar a perda de recursos importantes.
É justamente essa possibilidade de perder o que foi conquistado que torna o DMZ tão interessante. Uma missão aparentemente simples pode se complicar quando outro grupo aparece inesperadamente, obrigando a decidir entre continuar explorando ou procurar uma saída. A modalidade permite jogar sozinho, mas ganha outra dimensão quando três participantes trabalham em equipe, dividindo funções e ajudando uns aos outros em situações perigosas. Existe uma satisfação especial em concluir uma operação difícil e retornar com equipamentos valiosos, mesmo que nem todas as tentativas terminem da maneira planejada.

Por outro lado, o DMZ exige paciência. A quantidade de atividades, recursos e sistemas de desenvolvimento pode intimidar quem está começando, especialmente porque parte considerável da experiência envolve administrar inventários e preparar equipamentos antes de cada operação. Algumas tarefas também demandam repetição, e a progressão pode parecer demorada para jogadores que possuem menos tempo disponível. Ainda assim, o modo apresenta profundidade suficiente para funcionar como uma experiência própria dentro do pacote, complementando muito bem a campanha e o multiplayer tradicional.
No Nintendo Switch 2, o trabalho técnico merece reconhecimento, embora seja importante compreender suas limitações. A campanha opera a 30 quadros por segundo, oferecendo uma apresentação estável na maior parte das situações, com cenários detalhados, iluminação convincente e efeitos que ajudam a preservar a atmosfera cinematográfica. Evidentemente, existem reduções na definição da imagem, nas texturas e em determinados efeitos visuais quando comparado às versões de plataformas mais poderosas. Ainda assim, o resultado consegue preservar a identidade visual e a escala das operações militares.
O multiplayer utiliza configurações voltadas a alcançar 60 quadros por segundo na maioria das modalidades, priorizando a resposta dos comandos durante as partidas competitivas. Já o DMZ trabalha com uma meta de 40 quadros por segundo no modo TV e 30 no portátil. Essas diferenças mostram que a adaptação foi planejada de acordo com as necessidades de cada experiência. Embora a menor fluidez seja perceptível ao alternar entre modos, o desempenho geral representa um resultado bastante competente para um lançamento dessa escala no Nintendo Switch 2.

Os controles também aproveitam características próprias do console. Além da configuração tradicional, existem possibilidades de utilizar a mira por movimento e o modo mouse dos Joy-Con 2, oferecendo alternativas interessantes para quem prefere uma precisão mais próxima daquela encontrada no computador. A variedade de ajustes permite adaptar a sensibilidade e a resposta dos comandos às preferências individuais. Somada à possibilidade de jogar no modo portátil, essa flexibilidade representa um diferencial importante, principalmente para quem deseja aproveitar as partidas sem depender exclusivamente da televisão.
Outro acerto está na presença do jogo cruzado entre plataformas e do progresso compartilhado por meio da conta vinculada. Isso permite participar de partidas com usuários de outros sistemas e continuar desenvolvendo o próprio perfil em diferentes dispositivos compatíveis. Em contrapartida, a quantidade de conteúdo exige um espaço considerável de armazenamento, algo que merece atenção em um console portátil. A organização dos menus e os elementos relacionados às temporadas e recompensas também contribuem para uma experiência que pode parecer excessivamente carregada, especialmente para quem está retornando à franquia depois de muitos anos.
Call of Duty: Modern Warfare 4 representa muito mais do que o retorno de uma franquia popular aos consoles da Nintendo. A Infinity Ward entrega uma campanha envolvente, um sistema de combate extremamente refinado e uma variedade de modalidades capazes de atender públicos diferentes. A adaptação da Digital Legends Entertainment demonstra que o Nintendo Switch 2 pode receber produções de grande porte sem abrir mão dos elementos fundamentais de sua jogabilidade. Existem limitações gráficas, diferenças de desempenho e alguns sistemas desnecessariamente complexos, mas nada disso apaga a qualidade do conjunto. Para quem esperava por uma experiência completa de Call of Duty em um videogame da Nintendo, a espera finalmente foi recompensada.
Jogo gentilmente concedido pela Activision para elaboração desta análise.
Veredito – Universo Nintendo
Call of Duty: Modern Warfare 4
Pontos fortes
- Jogabilidade extremamente refinada, com movimentação fluida e combates precisos
- Pacote robusto que reúne campanha cinematográfica, multiplayer variado e um DMZ profundo
- Excelente adaptação para Switch 2, preservando o conteúdo e oferecendo controles específicos do console
Pontos de atenção
- Campanha relativamente curta e roteiro que nem sempre desenvolve suas questões mais interessantes
- Excesso de menus, sistemas de personalização e progressão demorada em determinadas modalidades
Vale a pena
Call of Duty: Modern Warfare 4 marca um retorno expressivo da franquia aos consoles da Nintendo, reunindo uma campanha intensa, combates extremamente refinados e modalidades multiplayer capazes de oferecer muitas horas de diversão. A versão para Nintendo Switch 2 preserva o conteúdo principal e apresenta uma adaptação técnica competente, apesar das reduções visuais e das diferenças de desempenho. Um pacote robusto, prejudicado apenas por algumas escolhas narrativas e sistemas excessivamente complexos.



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