A Terra-Média é um mundo cheio de aventuras, e a Aspyr trouxe para o Switch 2 os dois jogos da série Shadow. Começamos com Middle Earth: Shadow of Mordor – Game of the Year Edition.
Sobre Middle Earth: Shadow of Mordor – Game of the Year Edition

Fundado em 1994 e comprado pela Warner Bros em 2004, a Monolith Productions lançou o Middle Earth: Shadow of Mordor em setembro de 2014 para PC, PS4 e Xbox One, e deixou a cargo da Behaviour (que anos depois lançou Dead by Daylight) o desenvolvimento nas plataformas anteriores, PS3 e Xbox 360. A ideia por trás do jogo era não imitar os filmes, mas seguir o exemplo da série de Arkham do Batman para preencher lacunas deixadas na história e criar algo novo.
O jogo foi muito elogiado e ganhou vários prêmios de melhor jogo de 2014, e por isso, foi lançada no ano seguinte a Game of the Year Edition, que incluía o jogo base, as melhorias e as duas DLCs (The Lord of the Hunt e The Bright Lord) que foram lançadas .
Curiosidade sobre o sistema Nemesis: a Warner patenteou o sistema, e fechou a Monolith, então, até esse jogo receber esse port, desde que os jogos da série Shadow foram lançados, não tivemos nada que pudesse aproveitar desses sistema. Ele está como patente exclusiva da Warner até 2036, então vão ainda mais dez anos até que alguém possa usá-lo em seus jogos, e estou ansiosa para ver o que a tecnologia do futuro poderá fazer com esse sistema.
Depois de fazer a versão do Switch de The Lord of The Rings: War in the North, a Aspyr lançou no mês passado os ports dos dois jogos da série Shadow. Não são versões remasterizadas, é mesmo um port direto, tirando uma ou outra mudança.
História

Middle Earth: Shadow of Mordor – Game of the Year Edition se passa entre os eventos de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, e começa com você fazendo um tutorial básico comandando Talion, um guardião que está com sua família e outros Rangers de Gondor no Portão Negro. Quando os Capitães Negros, Mão Negra, Martelo de Sauron e Torre de Sauron invadem o Portão com suas forças, todos os guardiões e a família de Talion são mortos.
Talion e sua família em específico são sacrificados num ritual que tinha como objetivo ressuscitar Celebrimbor, o elfo ferreiro que criou os Anéis do Poder. O ritual dá errado, porém, e em vez de o elfo voltar à vida, Talion e ele têm suas almas meio que fundidas, o que faz com que o guardião não possa mais morrer, se tornando meio espectro.
Munido da soma das habilidades de um guardião com os poderes de um Espectro, Talion resolve iniciar sua vingança tocando o terror nas forças de Sauron em Mordor em busca de matar os responsáveis por sua morte e de sua família.
O jogo não tem apenas um arco narrativo, mas cinco arcos diferentes, que se passam em dois lugares diferentes. Eles correm meio que paralelamente, então você pode ir avançando cada um deles no ritmo que quiser, mas precisa terminar os de Udûn antes de poder ir pros do Mar de Núrnen.
Em Udûn, são três arcos: Gollum, Ratbag e Hirgon.

O Gollum é aquela personagem que todo mundo conhece. Baixinho, raquítico, um hobbit transformado num pequeno monstro selvagem pelo poder do Um Anel. Gollum enxerga Celebrimbor e o chama de Mestre Brilhante, e ajuda Talion e o elfo a encontrarem as relíquias que fazem o elfo lemnbrar de quem era e do que ele e Talion têm em comum.
Ratbag é um orc covarde que passa informações a Talion sobre os Capitães Negros, trocando isso por Talion matar orcs superiores a ele, permitindo que ele suba na hierarquia do exército de Sauron, com o objetivo de virar um Chefe de Guerra.
Já Hirgon era um guardião que sobreviveu à queda do Portão Negro porque foi enviado para uma missão externa antes de ele cair, e junto com um grupo de outros que fizeram o mesmo, são os únicos guardiões que sobraram. Com ele, você salva prisioneiros, envenenam o grogue que os orcs bebem e oferecem alguma resistência ativa às forças de Sauron, mostrando que nem todos os humanos se entregaram.
Depois de resolver as paradas em Udûn, você tem dois arcos no Mar de Núrnen.
Primeiro, Você encontra uma rainha do mar, Marwen e sua filha Lithariel, que ajudam a guiar Talion a uma relíquia, porém esconde um terrível segredo.
Já o último arco do jogo envovle Torvin, um caçador anão que te ensina a dominar de maneira mais consistente as feras de Mordor, tudo em busca de caçar o Grande Graug Branco, que matou o irmão dele.
O conteúdo do jogo tem muito potencial, no geral, mas a história fica muito perdida nas histórias individuais: como falo na parte de Jogabilidade, o sistema Nemesis, que gera memória e inimigos que lembram de você, acaba criando histórias particulares suas. Como sempre que um orc te mata, ele sobe de nível, você vai querer voltar pra tentar matar alguém que te matou. E aí, ele deixa claro que não esqueceu que te matou uma vez, e vai tentar de novo.
O jogo tem bons ganchos pra sequência, mas infelizmente, a narrativa toda é bem fragmentada e os arcos são desconectados entre si, o que gera uma sensação de que é difícil entender o que está acontecendo, e em alguns momentos, eu só me senti perdida.
Jogabilidade

Aqui está o cerne de Middle Earth: Shadow of Mordor. O principal diferencial dele é o sistema Nemesis. Graças a ele, cada vez que você jogar, a aventura vai ser diferente. Como Talion não pode morrer de verdade, cada vez que ele é morto por alguém, isso gera consequências no exército de Mordor. O orc que te matou vai ganhar poder e pode até mesmo ser promovido. E se você encontrar com eles de novo e de novo, e não conseguir vencer, vai gerar problemas sérios pra você depois. Eu morri para um que tinha nível de poder 1, mas tinha flechas venenosas e me matou no meio de uma confusão de orcs, e depois de algumas tentativas pouco efetivas de vingança, ele ficou tão forte que eu só fiz o possível pra evitá-lo pelo resto do jogo, porque ele já estava me matando com um tiro só.
Você tem três armas principais: sua espada, uma adaga e o arco espectral. Cada arma pode receber runas, que aumentam seus poderes e habilidades, além de você poder comprar habilidades conforme vai subindo “de nível”. Não tem nível propriamente, mas cada vez que você enche sua barra de Poder, vai liberando novas coisas, e conforme vai ganhando experiência, vai ganhando pontinhos pra essas habilidades, então a sensação de progressão é real.
O jogo originalmente é de 2014, então, algumas questões na definição de mundo ficam claras como são antigas. O mundo é aberto, mas pouco variado. As missões são várias, mas no geral, se resumem a matar algum orc. Fora os que são importantes pra história, os outros orcs são gerados proceduralmente, e seus nomes, aparências, forças e fraquezas mudam.

Tipos diferentes de orcs precisam ser derrotados de maneiras diferentes, e em alguns momentos, a coisa fica tão frenética que você precisa sair correndo para separar alguns do bolo. Mas no geral, você vai se ver frequentemente em lutas contra 20 ou 30 orcs por vez, às vezes até mais.
Quando um orc estiver perto de ser derrotado (ou se ele for fraco o bastante), você pode agarrá-lo e usar o poder do Espectro para extrair informações da mente dele. Essas informações não só te contam quem é quem no exército de Sauron, como também revelam fraquezas e resistências, o que é essencial em lutas mais difíceis. Não tem nada pior do que preparar a emboscada perfeita para só na hora de atacar descobrir que um Capitão é imune a ataques à distância e/ou ataques furtivos. Você é recompensado por explorar.
Uma das vantagens do Switch 2 é justamente poder pegar o portátil, jogar uns minutos, até completar uma missão ou derrotar um orc específico, e depois continuar seu dia.
Parte Técnica

A Aspyr mostrou com Tomb Raider que sabe adaptar jogos para os consoles da Nintendo, e Middle Earth: Shadow of Mordor – Game of the Year Edition não é diferente. Embora haja algumas limitações que são incompreensíveis, como o jogo ser capado a 30 fps e 1080 p, tudo roda liso na maior parte do tempo. Teve um ou outro engasgo em cutscene com mutia coisa acontecendo, e houve uns dois momentos nos quais o controle não respondeu na mesma velocidade que sempre, mas no geral, não senti problemas.
Para o Switch 2, a Aspyr retirou as conquistas online, deixando o jogo totalmente offline, e adicionou a possibilidade de mirar seu arco usando o giroscópio. Fora isso, o jogo é o mesmo do PS4/Xbox One.
A arte do jogo é bonita, os modelos são bonitos e as personagens que são conhecidas fazem jus à sua contraparte cinematográfica. Em alguns momentos, há algumas falhas visuais, especialmente no modo portátil, mas não é algo que de fato tire a qualidade da experiência gral. Poderiam ter feito melhor, mas foi bem feito, no geral, as falhas não atrapalham tanto a experiência. Você pode escolher com qual skin jogar, mas nas cutscenes, é sempre o Talion, não altera nada no jogo em si, é só cosmética.
Falando na contraparte cinematográfica, o jogo é dublado em todos os idiomas disponíveis, inclusive em português, e a voz do Gollum em português é do Carlos Silveira, mesmo dublador do monstrinho nos filmes. Isso contribui um tanto para a imersão, que você não imagina. Em inglês, não é o original, mas a imitação é muito boa.
Inclusive, sobre a dublagem, um ponto extremamente positivo é o fato de que absolutamente TODAS as falas do jogo são dubladas, mesmo os orcs conversando entre si, e isso ajuda tanto na imersão.
Os menus também são obviamente em português, e o trabalho aqui é primoroso. Há centenas de itens diferentes no Apêndice, e todos são traduzidos de acordo com o cânone traduzido do universo de Tolkien.
Como a versão portada pro Switch 2 é a Game of the Year, ela traz todas as DLCs e correções e melhorias que o jogo original recebeu. Você pode comprar o jogo separadamente ou num bundle com o segundo jogo, Shadow of War.
Conclusão
Middle Earth: Shadow of Mordor – Game of the Year Edition é um jogo que sobreviveu ao teste do tempo. Apesar da história rasa, o sistema Nemesis garante uma jogabilidade agradável que vai te manter entretido por horas.
Análise feita com cópia gentilmente cedida pela Aspyr




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