Kena: Bridge of Spirits é um action-adventure com forte foco em narrativa e apresentação cinematográfica, acompanhando a jornada de Kena em um mundo espiritual cheio de criaturas, combates e puzzles. Conhecido pelo visual impressionante e animações de altíssimo nível, o jogo chega ao Switch 2 como uma versão adaptada da experiência original.
Uma jornada espiritual com boas ideias narrativas

A história acompanha Kena, uma guia espiritual que ajuda almas presas a encontrarem paz. Ao chegar em uma vila corrompida, ela passa a investigar o que aconteceu ali, encontrando espíritos, memórias e eventos que explicam a decadência do lugar.
A narrativa tem um tom emocional de nível cinematográfico, quase como filmes da Pixar Studios, e funciona bem quando conecta o passado dos personagens com o estado atual do mundo. Não é uma história complexa, mas entrega momentos interessantes e ajuda a sustentar a progressão e te manter curioso.
Combate sólido e mecânicas bem construídas

O combate é um dos pontos fortes. Ele tem uma pegada que lembra soulslikes, com foco em timing, leitura de inimigos e variação entre ataques leves e pesados. Segurar o botão intensifica golpes, permitindo causar mais dano e até atordoar inimigos. Ao avançar, você desbloqueia outros tipos de equipamentos que liberam mais opções de atacar inimigos.
Kena também conta com um bom conjunto defensivo: escudo espiritual, esquiva e parry. Isso concede variedade ao combate e permite abordagens diferentes, permitindo um grau maior de estratégia. A possibilidade de ajustar a dificuldade também é um acerto, deixando o game acessível para diferentes perfis.
Os Rots são outro destaque. Eles funcionam tanto no combate quanto nos puzzles, podendo interagir com o cenário, mover objetos ou se transformar para limpar corrupção. É uma mecânica criativa e bem integrada. Além disso, o jogo traz uma base sólida de movimentação. Kena pode pular, correr, escalar e interagir com o cenário como em um bom platformer 3D, criando um equilíbrio interessante entre exploração, plataforma e combate.
Um loop que se repete mais do que deveria

Apesar das boas mecânicas, o jogo sofre com repetição no que tange ao “se livrar das Corrupções”. A estrutura gira constantemente em torno de limpar áreas corrompidas, o que rapidamente se torna previsível. As ideias são boas, mas pouco exploradas ao longo da campanha.
O ciclo se repete: elimine inimigos, use Rots pra destruir a corrupção, ative cristais para abrir portas e repita. Algumas vezes, lute contra um chefe um pouco mais complexo. É inevitável não ficar maçante. O combate e os sistemas secundários de plataforma têm potencial, mas são subutilizados. Falta evolução mais significativa para manter o ritmo interessante até o final, como desafios mais intensos e puzzles mais complexos, ou até um inventário com itens chave para serem combinados e afins.
Um port tecnicamente abaixo do esperado

A versão de Switch 2 deixa a desejar.
Kena roda a 30fps tanto no modo dock quanto no portátil, sem opção de 60fps. Felizmente, os controles são responsivos, e isso provavelmente graças ao input não estar atrelado aos quadros por segundo. A resolução, por outro lado, sofre quedas frequentes, o que expõe ainda mais as limitações visuais. Em vários momentos, o port apresenta problemas claros, como elementos carregando na tela (“pop-in”) e sombras surgindo conforme você se movimenta. Bem feio, eu diria.
No modo dock, a resolução interna de 864p com DLSS Lite gera uma imagem inconsistente e “arenosa”, quase como se esfarelasse na tela — joguei numa TV 4k, então fica bem perceptível. Em movimento, há instabilidade, artefatos e perda de qualidade perceptível. A vegetação também sofre cortes em relação à versão de PS4 e você percebe bitmaps tomando o lugar de grama alta no chão. No portátil, rodando em 540p, esses problemas ficam menos evidentes, mas continuam presentes. A portabilidade é o principal diferencial, mas não resolve as limitações técnicas.
Um visual que ainda impressiona, mesmo com cortes

Mesmo com as limitações, a direção de arte ainda se destaca.
No geral, ambientes, os personagens e animações continuam muito bem feitos e parecem ter saído diretamente do estúdio Pixar. As cutscenes mantêm um nível alto de qualidade, reforçando o DNA cinematográfico da Ember Lab, mostrando o quanto da indústria do cinema eles possuem em seu cerne criativo.
Porém, a inconsistência visual aparece em momentos específicos, com diferenças claras de iluminação e efeitos entre cenas, o que quebra parte da imersão. O jogo pode ser belíssimo como um todo e ter uma direção de arte fantástica, mas a otimização ficou de lado por aqui.
Uma base excelente, com jogabilidade e port aquéns
Kena: Bridge of Spirits continua sendo um produto com ótimas ideias, combate sólido e apresentação artística pesadíssima no quesito qualidade. No entanto, a repetição no loop de gameplay pesa muito no lado negativo, e o port tecnicamente fraco no Switch 2 compromete a experiência. A versão funciona, mas não faz jus ao potencial do título nem ao hardware. O resultado é uma adaptação utilizável, mas decepcionante, especialmente para quem esperava algo mais próximo das versões de console.
Cópia de review gentilmente cedida pela Ember Lab


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