A série Onimusha foi um marco no Playstation 2 (nos consoles sendo praticamente exclusivo do PS2, com somente uma excelente atualização do primeiro jogo no Xbox clássico e um spin-off no Game Boy Advance antes da vinda das versões remasterizadas dos dois primeiros jogos) trazendo uma jogabilidade surpreendentemente técnica e precisa, com gráficos que, à época, eram de tirar o fôlego.
Agora, após 20 anos sem uma atualização da história (o quarto jogo oficial, Dawn of Dreams, foi lançado em 2006), a série ganha um novo título na linha temporal: Onimusha: Way of the Sword.
Fiel às suas raízes
Os jogos recentes de action adventure das grandes desenvolvedoras têm seguido o sistema souls (criado pela Fromsoftware), alterando algumas mecânicas em seus jogos para se diferenciarem de seus concorrentes. A Capcom é uma das poucas produtoras Triple A que ainda mantém certos jogos com sistema de salvamento e checkpoints tradicionais, com um progresso mais contido e linear, como é o caso de Devil May Cry 5 e agora Onimusha.
O primeiro ponto é como Onimusha: Way of the Sword se mantém fiel às suas raízes na jogabilidade. Ele pega o sistema de defesa perfeita e issen (atacar no exato momento em que o golpe inimigo for atingir o jogador para contra-atacar) e expande essas mecânicas de maneira precisa, singular e de forma contida, sem sobrecarregar o jogador.

O mesmo vale para a direção e a história. A série sempre teve um clima de horror similar a Resident Evil, porém passado na era dos samurais, com uma forte pitada de direção de filme clássico japonês ao maior estilo Akira Kurosawa e, assim como a jogabilidade, a mais nova iteração da franquia permanece fiel na maestria cinematográfica.
História e direção incríveis
Na pele de ninguém menos que o maior samurai já existente do Japão antigo, Miyamoto Musashi (se não conhece a história japonesa, talvez tenha ouvido falar do personagem no famoso mangá Vagabound, por Takehiko Inoue), o jogador deve caçar os temerosos Genmas com a ajuda dos espíritos e armas dos Onis, uma raça de guerreiros que vem protegendo a Terra por muitos anos contra essas forças do mal.
O jogo pega diversos elementos da história japonesa, tanto real quanto folclórica, e cria uma verdadeira atmosfera de terror com uma narrativa envolvente e muito inteligente.
Os personagens, tanto Miyamoto quanto os que o ajudarão na aventura, são extremamente carismáticos, e é impossível não se apegar rápido. O jogo irá pôr o jogador em diversas missões secundárias também, onde os NPCs são menos únicos (na aparência), mas ainda assim trazem uma ótima contextualização. Toda missão secundária tem a ver com a narrativa e nada parece forçado ou só mais uma atividade para se fazer (até mesmo porque são poucas).

A forma como o jogo é dirigido, somado aos incríveis gráficos no Switch 2, tanto no modo portátil quanto no Dock, é simplesmente fenomenal. É possível já sentir isso no início, que serve como um tutorial do jogo, que já mergulha o jogador na história. Aqui também vem o primeiro contratempo do jogo, que, diferente dos outros, possui um início bem lento e longo até pôr o jogador no controle total de Musashi, porém não é nada que estrague a experiência.
E, para completar com a cereja do bolo, o jogo é completamente dublado de forma maestral. A atuação de voz nacional encaixou como uma luva na direção, que contou com uma tradução de naturalização da língua portuguesa, ao invés de só jogar uma tradução qualquer em cima dos diálogos.
Jogabilidade inovadora que respeita suas origens
Indo direto ao que importa: a jogabilidade de Onimusha: Way of the Sword é incrível. Em todos os sentidos.
Mas não é somente isso. Ao invés de trazer um sistema de renascimento infinito como virou moda depois que Demon Souls apareceu, o novo jogo da franquia é, em essência, um action adventure tradicional.
Ao invés de elevar a dificuldade em nível insano, com velocidade e tempo de respostas extremamente rápidos, como Lies of P, Nioh ou Wo Long, por exemplo, Onimusha é um jogo com um personagem pesado e batalhas mais contidas, mas não se engane, é extremamente técnico, possui um peso e uma física sem paralelo e uma precisão desafiadora.

É incrível como é fácil sentir o impacto das espadas se chocando durante as batalhas, a satisfação em acertar uma defesa perfeita, um aparo ou ou um issen. É desafiador, preciso e mesmo assim não usa das velocidades e tempo de resposta exagerados que os jogos de action adventure passaram a ter nos últimos anos.
Esse é um fator incrível da Capcom, que é possível sentir em outros jogos da empresa, como Resident Evil 9 ou Devil May Cry 5: são jogos técnicos, desafiadores e precisos, porém muito mais acessíveis que os outros jogos mencionados acima.
Se você é um jogador casual, não sentirá que não conseguirá passar de uma fase (tirando certos momentos). Se você é um jogador que gosta de desafio, tentar derrotar os inimigos da forma mais precisa e técnica será sempre um desafio constante entre acertar o tempo certo dos golpes e aparos, aceitando o risco enorme de ser atingido.
É um balanço sem precedentes que eu não via há anos em um jogo deste escopo.
Técnicas ampliadas, mas sem sobrecarregar o jogador
Se você já está acostumado com os clássicos jogos da série, sabe o quão divertido é tentar sugar mais almas vermelhas derrotando os inimigos com uma defesa perfeita ou issen.

Em Way of the Sword, a Capcom usou a mesma fórmula, porém expandiu de forma precisa e divertida. Musashi e os inimigos, além da vida, agora possuem uma barra de vigor, mas não é nada do que você está pensando: nada de barra de vigor quando você ataca. A barra aqui só quebra conforme você é acertado. Certos inimigos e especialmente chefes possuem uma vida robusta, então, quebrando a defesa deles com um aparo, defendendo na hora certa, desviando e carregando a barra de esquiva entre outras técnicas, é possível acabar com o vigor do inimigo e arrancar um bom pedaço de vida.
Esse sistema é viciante, especialmente contra os chefes, que exige decorar todos os golpes e saber qual técnica usar contra cada uma delas. Existem inimigos mais lentos, outros mais rápidos, alguns com golpes com atraso… são tantas variantes que toda vez que o jogador consegue acertar as técnicas, a sensação de vitória é fenomenal. Além disso, muitos golpes podem ser contra-atacados de diversas formas, mas sempre há a mais vantajosa.
Todas as novas técnicas, como o aparo, a esquiva perfeita, o modo escaldante (que é carregado após um certo número de defesas perfeita) até à transformação em Onimusha são apresentadas pouco a pouco conforme o jogador avança, o que cria um certo balanço também nas primeiras partes do jogo. Além disso, há diversas evoluções para as técnicas e todas elas fazem sentido e uma grande diferença nas batalhas.
Uma das grandes diferenças nesse título estão nas armas. Aqui, Musashi possui só uma espada, que pode ser evoluída aos poucos. Com o botão R, o protagonista pode usar uma arma secundária, que funciona como as armas Oni dos clássicos. Ao todo são seis, cada uma com uma habilidade diferente (uma para conter vários inimigos, outra pra liberar almas de vida, outra que ajuda a quebrar o vigor do inimigo mais rápido e por aí vai). É bom ter uma variedade de armas Oni e, apesar de usar todas, ao encontrar a que mais se encaixava com meu estilo de jogo, acabei usando somente nela.

Onimusha 2 parece ter sido uma grande inspiração
O jogo que mais se assemelha ao novo Onimusha é o segundo, pois possui uma cidade para a qual Musashi sempre volta (Quioto), assim como Jubei fazia no 2, além das fases (que é sempre possível retornar depois), e ela se expande aos poucos, com novas missões secundárias e segredos para serem encontrados.
Essa exploração rende materiais e itens para evoluir a roupa, arma e manopla de Musashi. Além disso, existem também amuletos para serem encontrados (e que também podem ser evoluídos) e novos cosméticos.
Eu finalizei o jogo no modo ação fazendo 100%, e isso rendeu um pouco mais de 41 horas, e senti que mais para o final do jogo a busca por materiais para evoluir o que restava ficou um pouco tediosa. O jogo equilibra bem o encontro desses itens até a reta final, mas as últimas evoluções precisavam de materiais escassos que deu trabalho encontrar, o que fez eu ficar dando voltas por Quioto.

Se você não gosta de fazer 100%, é possível finalizar o jogo em menos tempo, entre 30 horas ou menos, porém pode passar por mais dificuldades devido às evoluções, mas é sempre possível deixar o jogo mais acessível para jogadores mais casuais diminuindo a dificuldade no menu de opções.
Onimusha: Way of the Sword é um dos melhores jogos do ano
O novo jogo da franquia é quase um balanço perfeito, seja você um jogador casual ou experiente nesse gênero, com somente alguns picos de dificuldade em certos momentos. A jogabilidade é extremamente técnica, mas nada parece impossível ou frustrante (aparte do último chefe), o que traz uma experiência muito divertida.
O mais impressionante é como o jogo conseguiu inovar e se modernizar, mesmo mantendo e respeitando às suas raízes, criando um ótimo ritmo e velocidade de batalha.

No Switch 2, os gráficos dos personagens e do cenário estão lindos, com somente alguns contrapontos, como os cabelos e a água, mas nada que chame a atenção como certos jogos mal otimizados que são lançados no sistema.
No híbrido da Nintendo, o jogador ainda tem a vantagem de levar a qualquer lugar, o que é ótimo, especialmente porque, diferente de Wo Long e Lies of P que requerem uma precisão tão dificultosa diante de uma velocidade muito rápida que só me vejo jogando num controle e na TV, é completamente divertido e preciso no portátil, rodando perfeitamente liso e sem falhas, com loadings extremamente rápidos, até quando estiver se teleportando de uma área à outra.
Análise realizada com uma chave gentilmente cedida pela editora.
Onimusha: Way of the Sword
Editora: Capcom
Desenvolvedora: Capcom
Tipo de Mídia: Digital, Game-Key Card
Tamanho do Arquivo: 34.2 GB
Lançamento: 04/Set/2026
Plataformas:
Opções de Compra:
Nintendo eShop R$ 339,00 Amazon BR R$ 379,90Pré-venda Shopee Play-Asia



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