Apesar de ter um enorme alcance na Ásia, Romance of the Three Kingdoms é uma série que possui uma base de fãs pequena (apesar de dedicada) aqui no ocidente. Tanto o contexto histórico quanto os jogos têm ganho volume ao longo dos anos com a vinda de jogos com a mesma ambientação, como Dynasty Warriors ainda na era do Playstation 2 (DW no PSX ainda era um tanto tímido) e Wo Long.
Com tanta tradição (o primeiro jogo da série saiu em 1985 para o PC-88, sendo portado depois para o Nintendinho), e somente agora ganhando remakes, o último jogo da série contínua é a edição XIV (14), objeto desta análise. Como ele está no Switch? Vem comigo e vamos descobrir.

Um romance histórico com uma tradição sem paralelos nos games
A produtora Kou Shibusawa é uma verdadeira amante da história dos países asiáticos, e fico impressionado como a equipe da Tecmo consegue fazer um trabalho sem paralelo com os jogos da série.
Apesar da empresa japonesa realizar romances históricos ambientados no Japão, do qual grande parte do público brasileiro possui mais conhecimento, com seus personagens clássicos como Nobunaga, Sanada e atualmente até William Adams em jogos como Nobunaga’s Ambition, Samurai Warriors e Nioh, é no contexto chinês que encontro muito mais magia e interesse.
Não me entendam mal, já consumi muita mídia histórica japonesa, mas é incrível como isso ofusca a história de outros países da região que também são repletos de heróis e histórias épicas e emocionantes.
Romance of the Three Kingdoms é, em certos aspectos, muito superior a Nobunaga’s Ambition, porém requer uma curva de aprendizado muito maior, porque a estratégia e os elementos de simulação estão atrelados às crenças clássicas do imaginário chines.

Esse é um ponto muito forte dos simuladores históricos da Kou Shibusawa que, independentemente se é um jogo do Japão ou da China, pega elementos da crença e da língua desses países e incorpora na jogabilidade: seja a criação da fama dos generais, a iluminação para conquistar novas habilidades após visitar uma montanha (como vimos em RotTK X) e muitos outros elementos.
E aqui é onde Romance of the Three Kingdoms XIV brilha: sua simplicidade e menu intuitivo quando comparado com os jogos anteriores da série (uma tendência que já havia iniciado em RotTK XIII).
Intuitivo, rápido e divertido
Particularmente eu prefiro os títulos mais antigos, mas entendo que é porque gosto do livro escrito por Luo Guanzhong (O Romance dos Três Reinos, do qual o jogo é baseado, escrito no século XIV, porém que narra os eventos ocorridos entre 169 a 280 da EC) e que, para novos jogadores ou para quem só quer uma boa estratégia, os elementos de simulação dos clássicos se tornam um tanto complexos e impraticáveis.

RotTK XIV funciona como um jogo de estratégia total na essência, removendo elementos como entrar em cidades e vê-las por dentro, ou ter sua casa, conversar com amigos e casar.
Alguns desses elementos sumiram, outros se tornaram mais práticos e rápidos. Apesar disso, não se preocupe: as cenas históricas, lindamente desenhadas por uma equipe de arte extremamente dedicada, que sempre faz centenas de cenas e retratos de personagens diferentes para cada novo título da série, continuam presentes.
Ou seja, em cada campanha histórica presente no jogo, como a revolta dos turbantes amarelos, a coalizão anti Dong Zhuo entre outros cenários, terão cenas lindamente desenhadas, trazendo a atmosfera que RotTK sempre teve em termos históricos.
O único defeito em relação à arte é, assim como em Romance of the Three Kingdoms 8 Remake, a animação artificial que inseriram nas artes estáticas dos personagens, para fazer parecer que estão respirando. Além de deixar a arte artificial, traz aquela sensação de Vale da Estranheza, com claro desconforto para os olhos. O ideal seria manter as artes estáticas mesmo, como feito nos clássicos jogos da série.

Uma jogabilidade refinada e rápida
O jogador enxerga a China, dividida nos três reinos de Shu, Wei e Wu, como uma espécie de tabuleiro. As ações são dadas todas diretamente clicando nas cidades ou abrindo o menu lateral esquerdo e definindo as ações com os oficiais ali agrupados, que além de marchar, também podem se tornar regentes em diversas tarefas domésticas do seu reino.
Separados por hexágonos, o jogador vai dominando os territórios ao redor da cidade (chamadas aqui de núcleo). Antes de começar a dominar as cidades inimigas ou fazer acordos através da diplomacia, é possível cortar as linhas de suprimentos dominando postos, cidades e rotas antes da cidade alvo com um segundo general, o que abre um leque de possibilidades.
O jogo acontece por turnos (3 turnos por mês), do qual o jogador pode dar diversas ordens e apontar generais para diferentes atividades domésticas e bélicas, assim aumentando o dinheiro, suprimentos e exército. Tudo feito de forma muito simples e intuitiva, diferente dos jogos mais antigos da série.

O jogo conta com diversos personagens históricos, alguns com habilidades únicas (tanto domésticas quanto bélicas), que traz muita diversidade ao jogo. É incrível o balanço que a Tecmo encontrou aqui: o jogo começa relativamente simples em todos os cenários, e conforme os turnos vão acontecendo a complexidade da guerra e dos generais inimigos se tornam detalhadas e complexas, trazendo uma fluidez e um passo gradativo em termos de dificuldade ao jogo muito bem-vindos.
Uma edição rica
A versão mais básica do título para o Switch já vem acompanhada do pacote adicional de estratégia e diplomacia, que conta com mais duas funções que adicionam muito mais ao jogo. Além disso, há dois passes de temporadas para compra que adicionam ainda mais cenários ao jogo (o que acrescenta ainda mais além dos novos cenários já disponíveis nesse pacote).

Se você gosta da história da antiga China, vai se sentir ainda mais maravilhado porque, além dos contextos históricos do livro, há cenários hipotéticos, trazendo fases novas caso algum ou outro general derrotado tivessem vencidos em um determinado cenário (da mesma forma como os Dynasty Warriors faz com seus caminhos alternativos).
Jogadores que gostam de games de estratégia, mas buscam por uma jogabilidade diferente, bem equilibrada, fácil de aprender porém difícil de ficar craque, Romance of the Three Kingdoms XIV é a pedida certa.
Análise realizada com uma chave gentilmente cedida pela editora.


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