The Crew Motorfest é um game de corrida em mundo aberto da Ubisoft, ambientado no Havaí, com uma enorme variedade de veículos, eventos e atividades para você explorar. A versão de Nintendo Switch 2 é uma ótima adaptação, com gráficos muito bonitos, principalmente no modo portátil, e paisagens que tornam simplesmente dirigir pelo mapa uma experiência incrível. O problema é que algumas decisões de design, como exigir conexão permanente com a internet, obrigar você a criar uma conta Ubisoft e limitar bastante as opções de multiplayer, acabam atrapalhando uma experiência que tem tudo para ser muito mais acessível e conveniente. Enfim, o quanto esse port tardio para o Switch 2 vale a pena?
Um dos melhores passeios sobre rodas no Switch 2

No geral, The Crew Motorfest é um port excelente para o Switch 2. Na maior parte do tempo, os gráficos são lindos em uma tela 4K, mas isso fica ainda mais evidente no modo portátil, em que você consegue apreciar os detalhes dos veículos e os cenários sem precisar de uma televisão. O desempenho é limitado a 30 fps — não amo, principalmente em corridas, mas ok.
E que mundo bonito! As paisagens são simplesmente espetaculares, com praias, estradas cercadas por vegetação, montanhas e cenários que dão vontade de continuar dirigindo só para descobrir o que existe depois da próxima curva. O mundo é de tirar o fôlego! A qualidade dos ambientes faz uma diferença enorme porque Motorfest não é apenas sobre chegar em primeiro lugar: parte da graça está em explorar o mapa e aproveitar a viagem. Dirigir pelo Havaí é uma das melhores experiências que o game oferece, e a possibilidade de fazer isso no modo portátil deixa tudo ainda mais interessante.
Carros, motos, aviões e barcos: escolha seu caminho

Uma das melhores características de Motorfest é a variedade de categorias de corrida e veículos disponíveis. Você não fica limitado a carros esportivos e corridas tradicionais. Também pode pilotar motocicletas, aviões e barcos, o que muda bastante a maneira como você percorre o mundo e participa das atividades. Essa variedade ajuda a manter a experiência interessante, porque você não precisa passar horas fazendo exatamente a mesma coisa.
A personalização também está presente tanto nos personagens quanto nos veículos. Você consegue ajustar a aparência do seu personagem e melhorar os carros para deixá-los mais adequados ao seu estilo de condução. As melhorias dos veículos são especialmente importantes porque permitem evoluir sua coleção e preparar seus carros para diferentes tipos de eventos. É uma combinação que funciona muito bem em um título com tantas categorias.
Uma corrida a 30 fps que ainda funciona bem

Apesar do jogo estar limitado a 30 fps, eu não considero isso um problema tão grande quanto poderia parecer. A resposta dos controles é boa, e você não sente aquele atraso de entrada que prejudica tanto os jogos de corrida quando mal implementado. A direção continua agradável, as curvas são controláveis e você consegue reagir ao que acontece na pista sem sentir que o jogo está brigando contra seus comandos. Isso é fundamental, porque uma taxa de quadros mais baixa não significa automaticamente uma experiência ruim quando a resposta dos controles é bem feita.
Por outro lado, é uma pena não existir uma opção de 40 ou 60 fps. O jogo roda a 30 fps e pronto, sem permitir que você escolha entre uma apresentação visual mais bonita e uma experiência mais fluida. Considerando o hardware do Switch 2, seria interessante ter essa alternativa, principalmente para quem prefere desempenho a qualidade gráfica. Felizmente, a boa resposta dos controles ameniza bastante essa limitação, mas isso não muda o fato de que uma opção adicional de desempenho seria muito bem-vinda.
Multiplayer com algumas ressalvas importantes

Jogar online funciona bem, e a experiência é bastante agradável quando você consegue reunir seus amigos. O problema é que o crossplay não funciona da maneira que você provavelmente espera. Em vez de simplesmente convidar alguém que está jogando em outra plataforma, você fica limitado a atividades específicas que permitem encontrar pessoas de outros sistemas — o famoso matchmaking. No geral, apenas algumas modalidades suportam a jogatina entre plataformas. Me senti muito tapeado.
Essa limitação é especialmente frustrante porque o game tem uma proposta que combina perfeitamente com jogar em grupo — afinal, o nome é The Crew. Seria muito mais conveniente abrir a lista de amigos, enviar um convite e sair dirigindo pelo mundo juntos. Em vez disso, você precisa lidar com as restrições de cada atividade e torcer para conseguir encontrar com as pessoas que deseja. Pessoalmente, tentei por 60 minutos e não consegui tal feito: foi enfurecedor.
O mundo aberto que não deixa você em paz

Uma das minhas maiores reclamações é que Motorfest faz você dirigir para praticamente todos os lugares. Se você quer participar de uma atividade em uma região que ainda não visitou, não basta abrir um menu e selecionar o destino: primeiro, precisa chegar lá dirigindo. Eu entendo que explorar o mapa faz parte da proposta de um mundo aberto, mas isso não significa que toda viagem precise ser obrigatória. Às vezes, eu só quero selecionar uma corrida e começar a jogar, sem precisar atravessar metade do Havaí para chegar ao ponto de partida.
A situação melhora depois que você desbloqueia os pontos de viagem rápida, mas ainda existe uma restrição desnecessária: você precisa visitar um lugar antes de poder viajar rapidamente para ele. Isso transforma o deslocamento em uma obrigação durante parte da progressão. Na minha visão, o ideal seria deixar você escolher entre dirigir até o destino e acessá-lo diretamente pelo menu. Quem quer explorar o mundo teria liberdade para fazer isso, enquanto quem prefere se concentrar nas corridas não precisaria perder tempo com viagens que não deseja fazer.
Sempre online, mesmo quando você só quer jogar

O requisito de conexão permanente com a internet é outra decisão que prejudica bastante a experiência. Se sua conexão cair durante uma partida, você é enviado de volta ao menu principal. Isso é extremamente inconveniente, principalmente quando você está no meio de uma atividade e não tem controle sobre a estabilidade da sua rede. Em vez de simplesmente lidar com uma desconexão temporária, você precisa voltar ao início e passar novamente pelos menus para continuar jogando.
E tem mais: deixar o Switch 2 em modo de descanso também pode fazer você voltar ao menu principal. Isso é particularmente irritante em um console portátil, no qual colocar o aparelho em suspensão e continuar depois é uma das funcionalidades mais convenientes. Você está jogando, precisa parar por algum motivo e espera retomar a experiência mais tarde, mas o jogo não permite essa flexibilidade da maneira que deveria. Como se não bastasse, é obrigatório criar uma conta Ubisoft para jogar. Sim, obrigatório! No mais, não há um modo offline, e a Ubisoft já foi obrigada a resolver tal problema com The Crew 2 quando ameaçou de desligar os servidores.
Uma corrida que demora para começar

Outra coisa que me incomoda é a quantidade de diálogos e cenas que você precisa assistir antes de finalmente começar a correr. Motorfest parece fazer questão de apresentar personagens, explicar situações e interromper a experiência quando tudo o que você quer é entrar em uma corrida e acelerar. Não me entenda mal: contexto e personagens fazem parte da apresentação, mas existe um limite para a quantidade de conversa que você precisa ouvir antes de realmente jogar.
E, para piorar, toda vez que você inicia o game, volta para a área de exposição de veículos. Isso se torna irritante quando você só quer continuar de onde parou ou entrar rapidamente em uma atividade específica. Em vez de respeitar seu tempo e facilitar o acesso ao conteúdo, Motorfest insiste em colocá-lo novamente nesse espaço antes de você poder fazer o que realmente deseja. São pequenas decisões que, somadas, tornam a experiência menos prática do que deveria ser.
Um passeio inesquecível com muitos “poréns”
The Crew Motorfest é uma adaptação excelente para o Switch 2 e um game de corrida que impressiona pela beleza dos cenários e pela variedade de veículos. Eu só gostaria que a Ubisoft não complicasse tanto uma experiência que deveria ser simples: escolher uma corrida, dirigir e se divertir. Entre a conexão obrigatória, a falta de modo offline, as restrições do crossplay e a ausência de tela dividida, existem limitações demais para um jogo tão bom ao volante.
Chave de Switch 2 gentilmente cedida pela Ubisoft



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