O primeiro Tormented Souls foi uma verdadeira homenagem aos jogos clássicos de horror, especialmente para quem amou Resident Evil 0 e o remake de Resident Evil 1 no Game Cube e relançamento nas demais plataformas.
O segundo jogo da franquia chega contendo o mesmo visual fenomenal dos cenários pré -renderizados com um jogo de luz que, arrisco dizer, poucos jogos conseguem fazer.
Mas e quanto ao conteúdo do jogo? Será que faz juz ao seu antecessor? Pegue o isqueiro e não leia o artigo no escuro!
Caroline Walker retorna em Tormented Souls 2
A história continua logo após a finalização do primeiro jogo, com Caroline Walker e sua irmã mais nova (trazida do passado para o presente no primeiro jogo) embarcando em um trem rumo a um convento para escapar dos horrores vivenciados no primeiro título.
Apesar de contar uma história própria, Tormented Souls 2 possui muitas referências ao primeiro, e recomendo jogar este antes de começar a sequência.
Assim como seu antecessor, o jogador deverá sobreviver a criaturas horrendas gerenciando itens e munições limitadas, encontrando recursos pelo cenário e resolvendo quebra-cabeças para poder avançar na história do jogo.

Um jogo inferior ao primeiro
Tormented Souls foi uma verdadeira homenagem aos clássicos, porém, acima de tudo, trouxe um balanço excelente quando se tratava de recursos, dificuldade e quebra-cabeças.
O segundo jogo da franquia regride drasticamente em quase todos os sentidos. Ao invés de aprimorar e tentar inovar os recursos do passado, o jogo simplesmente piora o que o jogo anterior tinha de bom.
O que mais pesa é a jogabilidade. Walker pode andar e atirar/recarregar ao mesmo tempo, trazendo um movimento livre e fluido ao jogo, mas assim como o primeiro, se a protagonista ficar no escuro, ela morre com o tempo e não consegue realizar certas ações.
No primeiro jogo, as partes onde eram necessários enfrentar inimigos, ou eram iluminadas, ou davam chance ao jogador de iluminar (acendendo velas e interruptores de luz) da área antes de tentar sobreviver aos inimigos. Neste título, muitos inimigos aparecem quando o cenário ainda está escuro. Diversas vezes morri porque pisei dois passos à direita, onde era um pouco mais escuro (e ainda parecia iluminado), causando muitas mortes injustas no jogo.
Isso causa diversos momentos de frustração, tirando o passo do jogo, que já é repleto de backtracking sem sentido. Em resumo, o primeiro equilibrava as áreas de sobrevivência e exploração. Aqui o jogo tenta misturar os dois, e o que ocorre são surpresas em cima da hora sem chance de reação. Isso é ainda mais grave quando comparado ao botão de atalho rápido (onde é possível puxar o isqueiro para tentar fugir), que no lançamento chegou bugado (foi corrigido depois do último patch).

O jogo melhora (e muito!) depois de pegar a lanterna, o que ocorre muito tarde no jogo, onde os momentos de frustração já dominaram quase metade do caminho.
Gráficos melhores, quebra-cabeças nem tanto
Comparado ao primeiro jogo no Switch 1, os aprimoramentos gráficos dos modelos dos personagens, apesar de melhores, ficam muito abaixo do que o console pode oferecer. No entanto, os cenários e os efeitos de luz tiveram melhorias significativas, e maiores resoluções que trazem uma atmosfera incrível de terror e opressão ao jogo.
Em diversos momentos, ao movimentar a personagem e ver a diferenciação nas sombras em relação aos objetos, me peguei parando de andar por ter achado que um monstro se movimentou ou surgiu (o que às vezes realmente ocorre). O único jogo que me causava tremores com o cenário e sons assim eram os antigos Silent Hills. Em Tormented Souls 2 o jogo de luz ajuda muito a criar esse ambiente de puro terror para quem está jogando e, misturado com a ótima direção de ângulos de câmera, é uma verdadeira carta de amor aos fãs de jogos de terror clássicos.
O problema é que o restante o jogo sofreu um downgrade muito grande. Os quebra-cabeças dessa sequência são muito simples, pouco criativos e usam as mecânicas dos menus mais para consumir tempo do que para realmente acrescentar algo ao jogo.

Em um determinado momento, devemos pegar um líquido (que para evitar spoilers não irei falar aqui) em uma bombinha. Precisei de um tempo pra entender que eu deveria examinar o objeto, e pressionar a bomba antes de usá-lo depois de ter posto o líquido no frasco. Me pareceu só encheção de linguiça do que realmente uma mecânica interessante para resolver um puzzle.
Além disso, Tormented Souls 2 usa muito backtracking de ir de ponto A ao B para pegar um objeto, para depois voltar de B para A para usá-lo, isso em um jogo que já é bem curto, o que parece ter sido feito com o propósito de aumentar o tempo do jogo de forma artificial. Essa mecânica era divertida nos anos 90/2000, quando os jogos de survival horror estavam engatinhando, mas hoje em dia é necessário justificar melhor o backtracking (como, inclusive, o primeiro jogo fazia muito bem).
O jogo também conta com os dois modos de controle da personagem: usando o d-pad, você controla Caroline Walker em modo tanque (ou seja, é necessário apertar “cima” no d-pad para caminhar pra frente, enquanto os lados giram a personagem) ou o controle 3D, que dá mais liberdade de movimento, porém que, devido as câmeras fixas do jogo, deixam o controle da personagem um tanto estranho (mas a opção está lá para quem prefere jogar com movimentos totalmente 3D). Lembrando que essa opção também era presente no primeiro jogo.

História forçada e muito louca
O grande problema, no entanto, é a história. O primeiro jogo também tinha um conto um tanto fora da casinha, mas caía como uma luva na trama. Além disso, envolve mistérios e reviravoltas que, junto dos arquivos que o jogador vai encontrando, criava uma certa ansiedade em tentar descobrir o que estava acontecendo.
Como Tormented Souls 2 usa as mesmas personagens, e em um período de tempo extremamente curto de intervalo, a história é limitada só a sadismo sem mistério nenhum. Os personagens encontrados são fáceis de ler, as motivações são fracas e as reviravoltas caem por terra com a simplicidade do roteiro.
No entanto tenho que tirar meu chapéu por terem trazido uma ambientação diferente ao jogo com uma vila semiaberta (lembra um pouco Resident Evil 3), ao invés de ficar confinado somente em um hospital, como no primeiro.
Análise realizada com uma chave gentilmente cedida pela editora.
Veredito – Universo Nintendo
Tormented Souls 2
Boa homenagem, mas sem esmero
Pontos fortes
- Um dos melhores efeitos de luz e sombra que já vi em um jogo
- Atmosfera opressora muito bem construída com o cenário
- Gráficos dos cenários excelentes
Pontos de atenção
- Muito backtracking sem sentido
- Quebra-cabeças simples
- Jogabilidade frustrante devido ao sistema de luz (até encontrar a lanterna)



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