Um dos primeiros jogos a testar a capacidade gráfica do Switch 2 em maior escala, Wild Hearts, lançado para Playstation 5, Xbox Series S/X e PC em 2023, chega ao queridinho da Nintendo.
Wild Hearts S (versão com melhorias exclusivas para o Switch 2) é uma resposta da Tecmo / Omega Force (criadores de Dynasty Warriors, Nioh, etc.) para competir com Monster Hunter, série de sucesso da Capcom e que já está no mercado há anos.
Com um ambiente mais oriental, lembrando o Japão antigo, o jogador se vê caçando monstros que são uma mistura de animais com elementos da natureza, enquanto busca por materiais para criar armaduras, armas, acampamentos e equipamentos, enquanto desenvolve Minato, a cidade principal onde o jogador pode pegar missões secundárias e avançar na história do jogo.
Narrativa profunda e interessante
Na pele de um caçador criado pelo próprio jogador, Wild Hearts S lança o protagonista nas terras de Azuma. Conforme o jogo se desenvolve, o caçador chega a uma cidade chamada Minato, uma cidade que tenta sobreviver no que é provavelmente o terreno mais hostil da face da Terra, cercada por regiões evitadas pela humanidade devido às criaturas gigantescas e perigosas que ali vivem, enquanto busca conhecer mais sobre a linha celestial, um fio que conduz tudo o que é vivo na Terra (e é um dos artifícios do jogo para criar armadilhas e objetos de madeira que irão ajudá-lo nas caças).

A Tecmo é conhecida por sempre trazer contextos históricos e apostar pesadamente na história, (especialmente quando carrega a bandeira de Kou Shibusawa), e aqui não é diferente. Enquanto a Capcom traz uma história mais leve com momentos cômicos em Monster Hunter, Wild Hearts S traz uma história dramática, política e profunda.
Além de toda a questão em relação a natureza e a evolução tecnológica (neste caso, das linhas celestiais) e de como isso afeta todo o ecossistema, Wild Hearts S também traz uma mensagem muito forte sobre imigração e esforço coletivo humano, tão atual e necessário na situação atual da humanidade.
Na cidade, os cidadãos de Minato têm sempre algo a acrescentar, e cada missão secundária traz um pouco mais de riqueza para a história já muito profunda do jogo. Além disso, ao escolher uma região (no maior estilo Monster Hunter Rise), é possível encontrar documento que explicam um pouco sobre o que ocorreu naquela área e porque ela está deserta e com casas abandonadas.
É necessário dizer também que a tradução é uma das melhores para o português brasileiro que já vi. Além do cuidado com as frases, os tradutores tiveram um esmero único com a naturalização do jogo. Ao invés de trazer nomes japoneses das criaturas, o time de tradução misturou palavras brasileiras para trazer nomes criativos, como Ornitóxico e Roespero. É um charme, deixa tudo muito mais fácil de entender e decorar não só o nome das criaturas, como todo o bioma de cada região.

Wild Hearts S tem elementos da Capcom com a ação da Tecmo
Se você já jogou Monster Hunter, não ficará surpreso ao descobrir muitas similaridades na estrutura do jogo.
Com uma cidade principal, o jogador, na pele de um caçador que se torna uma espécie salvador de Minato, pode escolher entre 5 regiões para caçar Kemonos, os monstros que assolam esse território.
Cada região possui seus próprios biomas, criaturas pequenas e monstros, do qual são possíveis adquirir materiais caçando, acariciando ou minerando para desenvolver novas armaduras e melhorar as armas existentes. O jogo foi tão bem planejado que até mesmo os mínimos detalhes acontecem, como por exemplo, quando uma criatura muda o bioma de uma região durante a história do jogo, como transformar uma área da praia em um lugar gelado, criaturas que só aparecem na região gelada passam a surgir nessas área da praia que agora está coberta de neve. A atenção ao detalhe é imprescindível.
Wild Hearts S também tem uma vantagem em relação ao incrível jogo da Capcom, que é a curva de aprendizado. Com menos armas e uma ação mais rápida, as batalhas do jogo lembram uma mistura de Wo Long e Nioh com Monster Hunter. Essa velocidade vem misturada com uma certo timing também, porém ocorre em uma velocidade muito maior, podendo agradar jogadores que buscam um jogo de ação 3D mais próximo de títulos como os mencionados acima. Um exemplo que posso passar é que eu nunca me sinto um arqueiro de verdade em Monster Hunter (não me entenda mal, eu amo MH e acho muito bem-feito), são mais uma série de combos com combinações de botões que você faz com essa arma. Em Wild Hearts S há diferentes instâncias e o uso do arco e flecha é literalmente mirar e atirar.

Apesar de não ter a mesma quantidade de armas que sua contraparte da Capcom, Wild Hearts S possui uma boa variedade, cada uma com três tipos de impacto (corte, batida ou perfuração) somada a elementos como fogo, água, vento, etc. e atributos como veneno e fadiga.
Cada arma se comporta de uma forma bem diferente, e todas tem suas forças e fraquezas contra os inúmeros Kemonos do jogo.
Além disso, há também os Karakuri, objetos e armadilhas que o jogador pode criar rapidamente durante as caças para ajudar a causar danos nos monstros, desde que tenha linha celestial suficiente para fazê-las. Aqui é onde mora o charme do jogo. Conforme o jogador caça monstros, é possível expandir ainda mais os tipos de Karakuris para usar. E, como se não fosse o suficiente, ao enfrentar monstros é capaz de ter epifanias, do qual o caçador aprender a misturar dois ou mais tipos de Karakuri para fazer uma armadilha nova, que é o ponto fraco da criatura que causou essa epifania no protagonista.
Parece ser muita coisa, mas tudo flui de forma muito natural no jogo. Há uma mecânica ou outra que o jogador só compreende ao avançar um pouco durante a jogatina, mas mesmo assim a curva de aprendizado e a velocidade da ação conseguem deixar o jogo desafiador e ainda assim mais amigável que Monster Hunter para novos jogadores não acostumados com este gênero.

Testando a potência do Nintendo Switch 2
Os gráficos são lindos, e realmente testam a potência do Switch 2, não só em relação ao grande cenário de cada região, mas até a velocidade que a ação do jogo acontece (sem nenhuma queda de quadros, roda lisinho) até os incríveis detalhes nos rostos e roupas dos personagens.
As texturas dos rostos e das roupas são muito realistas, no entanto falta alguns detalhes em certas cenas, que faz, às vezes, parecer que os NPCs estão olhando para o vazio. Também há um certo desleixo em relação onde o personagem pode pisar no cenário. Não há nada que quebre ou emperre o jogo, mas usando um Karakuri tirolesa, consegui alcançar lugares que não tinham a pretensão de serem alcançados. Esse fator não quebra o jogo, mas você nunca veria esse desleixo no Monster Hunter, por exemplo.

Outro fator interessante é que é possível fazer diversas construções nas regiões, desde acampamentos até cadeiras, mesas de desenho, torres de mineração… enfim, a quantidade de customização de cada cenário é enorme, e tudo roda perfeitamente e carrega rápido, especialmente ao fazer viagens rápidas durante uma caça.
Além dos gráficos, a trilha sonora é linda, épica, e orquestrada de forma oriental que faz com que cada luta pareça uma obra de arte emocionante.

Divertido e com progressão inteligente
É incrível como Wild Hearts S é viciante. Ficar buscando materiais para criar novas armaduras humanas ou a base de Kemonos é muito divertido e tem uma progressão que nunca fica enfadonha. Além disso, cada região é cheio de colecionáveis e de poços de evolução que transformam navegar na região mais fácil conforme você as descobre.
Alguns Kemonos são bem difíceis e podem ser estressantes, mas com a estratégia certa e se preparando para caça, há sempre uma forma inteligente de derrotá-los. E tudo isso com aquela jogabilidade de ação tão boa e fluida que a Tecmo é conhecida em fazer.
Mas pera aí, continua muito difícil? Fica tranquilo!
Modo online divertido, sem lags e com muitos jogadores ajudam você na caça
Mesmo se você continuar com dificuldades, é possível chamar de forma prática (só segurar para baixo no D-pad) outros jogadores (até 4, eles aumentaram o número em relação às outras plataformas). Desde antes do lançamento do jogo (provavelmente outros redatores) até após a liberação do jogo, eu sempre consegui jogar entre 3 a 4 jogadores nas caçadas, e continua dessa forma até o momento.

O jogo não parece ter restrição de região, joguei com pessoas de diversos países e foi muito divertido. Aprendi muito também como caçar alguns monstros e como usar melhor as armas vendo jogadores veteranos. E o melhor, sem nenhum lag ou queda de conexão. A estrutura Online do Switch 2 está cumprindo com o trabalho, ao menos no Wild Hearts S.
Uma experiência que vale a pena ser vivida
Apesar de não ser tão polido quanto Monster Hunter em certos aspectos, Wild Hearts S pode agradar muito jogadores não só do nicho, como também quem busca um jogo mais orientado para ação (como Wo Long) do que para a caça ritmada e lenta. Além disso, possui gráficos mais realistas (não que isso seja uma vantagem, Monster Hunter Rise é lindo, mesmo com a limitação gráfica do Switch 1) e uma liberdade para criar armas e armadilhas sem nenhuma queda de frame durante as épicas batalhas, seja no modo singleplayer ou online.
Jogo fornecido para análise pela Koei Tecmo America
Wild Hearts S
Editora: Koei Tecmo
Desenvolvedora: Omega Force
Tipo de Mídia: Digital
Lançamento: 25/Jul/2025
Plataformas:
Opções de Compra:
Play-Asia



Discussões sobre isso post