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Análise Switch Switch 2

Análise – Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties

por SephLuis
13 de fevereiro de 2026 às 12:00
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Yakuza 3 foi um título que joguei quando foi lançado originalmente no PS3 e, desde então, ficou firmemente plantado nas minhas memórias como um dos capítulos mais fracos da série desde então. Com o lançamento iminente de seu remake, Yakuza Kiwami 3, aproveitei a oportunidade para revisitar Yakuza 3 em sua versão remasterizada e minha opinião acerca do jogo não sofreu alterações significativas. Rejogar, no entanto, me fez recordar do porque considero Yakuza 3 como uma oportunidade perdida e, ao mesmo tempo, porque isso levou a mudanças importantes em Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties. Para evitar possíveis confusões sobre qual versão do jogo estou falando, irei utilizar Yakuza 3 quando me referir ao jogo original e Kiwami 3 para me referir ao remake.

A história de Yakuza 3/Kiwami 3 é a mesma. Kiryu, após resolver o conflito do título anterior, resolve se afastar do clã Tojo e assumir um orfanato em Okinawa. Kiryu então se dedica a cuidar das crianças do orfanato e aproveitar sua “aposentadoria”, no entanto, o terreno de seu orfanato começa a ser visado em uma disputa para ser utilizado na construção de um resort de luxo e essa disputa tem conexões com o clã Tojo. Kiryu então retorna a ativa para proteger seu orfanato das atividades da máfia e de outros grupos.  

Como mencionado anteriormente, considero Yakuza 3 uma oportunidade perdida na forma de seu lançamento original. A história foi originalmente cogitada para ser a última aventura de Kiryu e, com isso em mente, a estrutura de sua narrativa foi dividida em duas partes: A primeira focada no orfanato e nas crianças e a segunda focada na trama acerca do clã Tojo. Devido a essa estrutura de narrativa, o início de Yakuza 3 é bastante lento e tenta criar um vínculo de Kiryu com cada uma de suas crianças e a segunda metade é excessivamente rápida e enche o jogador com grandes despejos de informações que resultam em reviravoltas e tramas estúpidas.

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Kiwami 3 trabalha largamente com os mesmos acontecimentos de Yakuza 3, mas faz alguns refinamentos em sua narrativa que a tornam melhor que sua versão original. A primeira metade da narrativa focada no orfanato foi transformada em uma grande história opcional. Isso pode parecer contraditório com a proposta do título, pois as crianças e o orfanato são a principal razão de Kiryu para retornar a ativa e relegá-los a conteúdo opcional poderia enfraquecer a importância desse grupo na história. O que acontece na realidade é que colocar o orfanato como conteúdo opcional também abriu mais oportunidades para que as interações de Kiryu com cada criança fossem maiores e mais profundas. 

O modo do orfanato permite que Kiryu realize várias tarefas pertinentes ao orfanato como cuidar da horta e dos animais, ajudar com o dever de casa, costurar roupas danificadas, cozinhar, brincar com as crianças, entre outros. Cada uma dessas atividades é um minigame e são bem divertidas, sendo que o minigame de costura foi um que particularmente gostei bastante. Ao realizar essas atividades e concluir objetivos atrelados a essas atividades, o vínculo de Kiryu com cada criança e um ranque de papai aumenta. Após chegar em determinados valores, um trecho de uma história única com cada criança é desbloqueado. Uma parte das histórias já vinha de Yakuza 3, mas Kiwami 3 acaba por alterar algumas dessas e expandi-las em conteúdo e isso faz muito bem para a caracterização do grupo como um todo. Claro, sendo um conteúdo opcional é possível que o jogador não se engaje com isso, mas considero essa alternativa melhor do que como foi feito no original. 

A segunda metade da história pertinente ao clã Tojo e a aquisição do terreno, para o melhor e para o pior, não sofreu grandes alterações. A trama principal e seu desenvolvimento permanece o mesmo em Kiwami 3 e o remake possui algumas cenas adicionais demonstrando melhor a motivação e personalidade de alguns personagens e fatos que ocorreram nos bastidores da trama no original. Algumas falas também foram alteradas para que a narrativa fluísse melhor. Kiwami 3 também alterou o visual de alguns personagens e, pessoalmente falando, esse é um dos poucos pontos que prefiro do original. 

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Algumas adições  a história feitas em Kiwami 3 e Dark Ties, no entanto, conflitam diretamente com o que havia sido estabelecido na história do original e isso traz uma gama bem complexa de efeitos colaterais: Alguns trechos ficam ainda mais inacreditáveis e estúpidos que o original e outros vão afetar a continuidade de títulos futuros. Em sua grande parte, as adições são bem vindas, no entanto, faltou o trabalho ou talvez a audácia do time de produção em alterar ainda mais a história original para comportar melhor algumas dessas mudanças. Num geral, considero a história e narrativa de Kiwami 3 superiores à Yakuza 3. Devo enfatizar que há mudanças na cena final e que irá afetar títulos futuros como um possível Kiwami 4, portanto, aqueles que pretendem continuar na história atual com a versão remasterizada de Yakuza 4 e Yakuza 5 devem, pelo menos, buscar assistir a última cena do jogo original. 

Apesar das considerações sobre a história do original, o principal problema de Yakuza 3 foi sua jogabilidade de combate e que gerou o não tão carinhoso apelido de Blockzuka. Eu poderia passar uma longa análise sobre as falhas do combate de Yakuza 3, mas simplificando bastante, Kiryu demora bastante para obter melhorias importantes no combate e a IA bloqueia com frequência grande parte das sequências de golpes, forçando ao jogador a repetir poucas estratégias que funcionam muito bem como contra ataques, agarrões ou simplesmente atirar com uma escopeta. Essa característica torna o combate de Yakuza 3 extremamente arrastado caso não tenha as melhorias certas ou bastante tedioso por limitar muito as ações eficientes em combate. Sendo o segundo jogo da série no PS3, o original também está firmemente plantado com convenções do início da série como sidequests com tempos específicos e muito bem escondidas, espaço de inventário limitado, saves não automáticos e por aí vai. 

Felizmente, quanto a jogabilidade, Kiwami 3 alterou absolutamente tudo. O combate é muito mais próximo a Kiwami 2 e LaD Gaiden, sendo que Kiryu tem acesso ao seu estilo tradicional do Dragão de Dojima e um novo estilo chamado Ryukyu. Enquanto o estilo do Dragão de Dojima é baseado em luta mão a mão e bastante eficaz em lutas 1 contra 1, o estilo Ryukyu utiliza de uma variedade de armas e é muito mais eficiente contra um grande grupo de inimigos. Ambos os estilos são muito divertidos de se jogar e podem ser melhorados com pontos obtidos da lista de atividades do jogo que segue atividades como minigames, conquistas em batalha, avanço das sub histórias, etc. 

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De certa forma, o design de combate de Kiwami 3 age como um grande filtro nas idéias que conceberam o combate de Yakuza 3. Não há mais os Revelations, eventos que ensinavam heat actions para Kiryu, sendo que agora são poucas heat actions no total e obtidas pelo menu de melhorias de estilo de combate. Não há mais equipamentos, sendo substituídos por enfeites no celular que garantem algumas melhorias pontuais de forma passiva. Não há mais armas para criar ou customizar, sendo que todo armamento que Kiryu necessita já é intrinsecamente colocado no estilo Ryukyu. Enquanto Yakuza 3 tinha três mestres diferentes que treinavam Kiryu, Kiwami 3 simplificou tudo em um único mestre com condições bem fáceis de serem atingidas e poucas técnicas trancadas por esse meio. 

Apesar de todas as remoções, o combate de Kiwami 3 traz também algumas poucas e significativas novidades. Kiryu tem uma nova mecânica chamada de despertar do Dragão que o deixa em um estado extremamente forte temporariamente e os inimigos agora possuem uma aura visível que, quando desaparece, indica que estão vulneráveis a combos ainda mais fortes. A filosofia de combate em Yakuza 3 foi tornar os inimigos, mesmos os comuns, em ameaças e isso resultou em um combate onde Kiryu parecia fraco. Kiwami 3 é o oposto, esse combate coloca o foco em tornar Kiryu uma força muito maior que seus oponentes. Pessoalmente falando, eu prefiro essa abordagem de Kiwami 3 para o combate, no entanto, aqueles que buscam um certo desafio nos confrontos certamente se sentirão desapontados aqui. 

Quando comparado com o original, há muitas mudanças pertinentes a conteúdo em Kiwami 3. Muitas sub-histórias, por exemplo, foram completamente reescritas em Kiwami 3, algumas foram incorporadas ao modo do orfanato e outras passaram a ser parte da narrativa principal. Há muitas novas sub-histórias também, no entanto, muitas que eram favoritas dos fãs do original simplesmente foram cortadas. É difícil dizer se pode ter sido produto pela falta de certos modos como o encontro com hostess ou o minigame de cabaret, ambos inexistentes em Kiwami 3, ou outras razões. 

Kiwami 3 também conta com outra história opcional que coloca Kiryu ajudando uma gangue de motoqueiras e, nesse modo, o combate assume uma vertente mais próxima de um título Musou (Dynasty Warriors e afins) com dezenas de inimigos e aliados na tela. Para minha surpresa, o Switch 2 teve um desempenho muito satisfatório nesse modo e durante todo o jogo. Completar a narrativa principal, as duas histórias paralelas do orfanato e da gangue de motoqueiras e uma boa parte das sub-histórias me levou cerca de 30 e poucas horas, então é uma quantidade de conteúdo bem condizente com a do original.

A expansão Dark Ties adiciona cerca de mais 3-4 horas de história principal ao pacote ou até umas 10 horas se resolver fazer tudo. Dark Ties conta a história sobre como Yoshitaka Mine, um dos personagens centrais da trama de Yakuza 3, se uniu a Yakuza e aprofunda na sua relação com Kanda e Daigo. A trama principal é bem interessante, no entanto, por ser bem curta é como se fosse um bônus ao pacote do que uma aventura completamente nova. Para efeitos comparativos, é como se fosse a saga de Majima em Yakuza Kiwami 2. Mine tem seu próprio estilo de luta que também é bem divertido e agressivo e sua aventura conta com sidequests extremamente pequenas e um coliseu. É uma adição legal ao pacote, especialmente para aqueles que já pretendiam jogar Kiwami 3, mas caso você só tenha interesse em Dark Ties, melhor aguardar uma promoção. 

Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é um remake que usa a base do original e traz uma experiência drasticamente diferente. A história é largamente a mesma, para o melhor e para o pior, considerando que o título tinha uma intenção clara em realizar alterações. A jogabilidade, no entanto, teve enormes mudanças e, por isso, Kiwami 3 é a minha versão preferida de Yakuza 3. No entanto, mesmo com todas as mudanças, ainda não penso que tenha chegado ao nível dos patamares mais altos que a série alcança. 

Jogo analisado com código fornecido pela Sega. 

Veredito
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é um remake que usa a base do original e traz uma experiência drasticamente diferente. A história é largamente a mesma, para o melhor e para o pior, considerando que o título tinha uma intenção clara em realizar alterações. A jogabilidade, no entanto, teve enormes mudanças e, por isso, Kiwami 3 é a minha versão preferida de Yakuza 3. No entanto, mesmo com todas as mudanças, ainda não penso que tenha chegado ao nível dos patamares mais altos que a série alcança.
Prós
Novo combate
Conteúdo adicionado como Dark Ties e histórias
Novas cenas da trama
Contras
Falta de Desafio
Remoção de várias sub-histórias e minigames do original
A trama continua uma bagunça
7.5
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties
JogosGame-Key CardPT-BR: Não

Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties

Editora: SEGA

Desenvolvedora: Ryu Ga Gotoku Studio

Tipo de Mídia: Digital, Game-Key Card

Lançamento: 12/Fev/2026

Plataformas: Switch 2

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Opções de Compra:

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Tags: Ryu Ga Gotoku StudioSEGAYakuza Kiwami 3Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties


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