Um levantamento publicado pelo perfil NinPatentWatch aponta que a mídia física ainda tem peso relevante nas plataformas Nintendo quando a comparação se limita aos jogos que também são vendidos em pacote. A análise parte dos dados financeiros da Nintendo e tenta separar, dentro do índice digital oficial, conteúdos como Nintendo Switch Online, DLCs e jogos lançados apenas por download.
O tema ganhou destaque após a Sony Interactive Entertainment anunciar, por meio do PlayStation Blog, que a produção de discos físicos para novos jogos de consoles PlayStation será descontinuada a partir de janeiro de 2028. No comunicado, a empresa afirmou que, depois dessa data, novos jogos estarão disponíveis na PlayStation Store e em revendedores parceiros “apenas em formato digital”.
No caso da Nintendo, o número oficial mais recente mostra que as vendas digitais chegaram a ¥ 407,6 bilhões no ano fiscal encerrado em março de 2026, representando 54,6% das vendas totais de software para suas plataformas dedicadas, conforme o material financeiro da companhia. A própria Nintendo, no entanto, explica que esse total inclui versões digitais de jogos vendidos em pacote, jogos apenas digitais, conteúdos adicionais e Nintendo Switch Online, entre outros itens.
Por isso, segundo o levantamento, o percentual oficial de 54,6% não mostra sozinho como os consumidores escolhem entre mídia física e digital quando um mesmo jogo está disponível nos dois formatos. Ao isolar apenas os jogos vendidos em pacote, a estimativa do NinPatentWatch aponta que a receita registrada ficaria em uma proporção aproximada de 61% para mídia física e 39% para versões digitais desses mesmos tipos de jogos.
A análise também faz ajustes para considerar como a Nintendo registra receitas digitais de jogos de outras publicadoras e como a venda física passa por preço de atacado e varejo. Com esses ajustes, o levantamento estima que o gasto do consumidor ficaria em 59,0% para mídia física e 41,0% para digital, ou 55,9% contra 44,1% caso seja considerado um desconto médio de 12% no varejo para jogos físicos.
Em volume de unidades, a estimativa também mantém a mídia física à frente. Partindo de preços médios iguais entre físico e digital, o levantamento calcula uma proporção de 59,0% para mídia física e 41,0% para digital. Em um cenário no qual as versões digitais de jogos vendidos em pacote tivessem preço médio 20% menor que o preço sugerido da mídia física, a diferença cairia, mas ainda ficaria em 53,5% para físico e 46,5% para digital.
Esses números ajudam a explicar por que uma mudança semelhante à da PlayStation seria mais difícil para a Nintendo no momento. Mesmo com o avanço das vendas digitais, a mídia física ainda representa uma fatia expressiva dos jogos também vendidos em pacote no ecossistema do Nintendo Switch, o que torna esse formato parte importante da forma como a empresa distribui software aos consumidores.
A posição pública da Nintendo também segue nessa direção. Em uma sessão de perguntas e respostas com investidores realizada em maio de 2024, Shuntaro Furukawa afirmou que o objetivo da companhia não era simplesmente aumentar a fatia digital, mas maximizar as vendas totais de software, incluindo mídia física. Na ocasião, segundo o registro oficial da Nintendo, Furukawa disse que essa política “permanecerá inalterada daqui em diante”.
Assim, enquanto a Sony justificou sua decisão como uma adaptação às preferências de consumo e ao avanço do digital, os dados levantados para as plataformas Nintendo mostram um cenário diferente: o digital cresce, mas a mídia física ainda aparece como parte relevante do negócio, tanto em receita estimada quanto em unidades de jogos vendidos em pacote.


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