Em entrevista ao Canal Coelho no Japão durante a gamescom latam 2026, Bill Van Zyll, executivo da Nintendo of America voltado à América Latina, comentou sobre a localização de jogos da Nintendo para o português do Brasil após ser questionado sobre títulos recentes e futuros que não incluem o idioma.
Durante a conversa, o entrevistador Rodrigo “Coelho” citou casos como Pokémon Pokopia, Tomodachi Life, Splatoon Raiders e Rhythm Heaven Fever como exemplos de jogos sem suporte ao português do Brasil, perguntando se os fãs deveriam se preocupar com os próximos lançamentos da empresa ao longo do tempo.
Van Zyll respondeu destacando que ainda há jogos importantes a caminho com localização em português do Brasil. Entre os exemplos, ele mencionou Yoshi and the Mysterious Book e os novos títulos de Pokémon:
“Não, não. Então, você tem, por exemplo… Eu vou responder à sua pergunta, mas quero destacar Yoshi and the Mysterious Book. Ele está em português brasileiro. Estamos muito empolgados com o novo filme, em que Yoshi aparece com destaque em Super Mario Galaxy: O Filme. Achamos que as pessoas vão ficar empolgadas com o jogo do Yoshi, e ele estará em português. Então, isso é uma grande vitória.
O outro que eu destacaria é, da parte de Pokémon, um anúncio enorme, enorme. E essa é uma tarefa gigantesca, ainda mais sendo uma nova geração. Imagine todos os nomes dos Pokémon e tentar acertar cada um deles, com a sensação certa no idioma local. Então, é uma tarefa enorme, mas é um passo enorme que eu sei que os fãs vinham pedindo e que nós esperávamos.”
O executivo também afirmou que existe dentro da equipe uma pessoa de localização focada no português do Brasil, presente no estande durante o evento. Ainda assim, ele explicou que a definição sobre quais jogos recebem o idioma não é automática e depende de uma análise individual para cada lançamento.
“Há definitivamente mais coisas vindo e, trabalhando no nosso grupo aqui, nós temos alguém da nossa equipe de localização focado no português brasileiro. Ela é brasileira e está aqui trabalhando no estande. Eu não quero fugir da sua pergunta. Então, é uma pergunta desafiadora que a equipe precisa responder quando olha para cada jogo: quais vocês localizam? Quais fazem mais sentido? Quais realmente precisam, por causa do texto e de outros fatores, de localização? Então, a decisão é feita jogo por jogo. Essa é a resposta oficial.”
Ao detalhar os fatores considerados, Van Zyll citou diferenças entre jogos first-party, third-party e second-party. Segundo ele, em alguns casos, a Nintendo pode publicar ou deter a propriedade intelectual, mas o desenvolvimento fica a cargo de outro estúdio, o que pode impactar os recursos disponíveis para localização.
“O que eu compartilharia com você, meio que à parte, é que, se você olha quem está desenvolvendo esses jogos, há um fator: também existe o que chamamos de second-party. Você tem jogos first-party, que são da Nintendo; a equipe da Nintendo desenvolve esses jogos. Então você tem third-party, que é completamente de fora. E então você tem second-party, em que talvez nós publiquemos e talvez sejam nossas IPs, mas é um estúdio diferente que está desenvolvendo esses jogos. Então, os recursos que eles têm podem não permitir. Em vários dos títulos que você mencionou, essa é a situação.”
Outro ponto citado pelo executivo foi a continuidade de franquias que não começaram com suporte ao português do Brasil. Nesses casos, segundo ele, adicionar o idioma em uma sequência pode gerar confusão ou exigir que a empresa revisite títulos anteriores.
“E o outro desafio que você tem também é: se a geração anterior, se aquela IP não começou com português brasileiro, e agora você tem um jogo seguinte, normalmente esses jogos não terão português brasileiro, porque isso pode causar confusão. Ou você teria que voltar e, sabe, abrir o jogo original. Então esse é apenas outro fator. Estou compartilhando um pouco demais aqui sobre os bastidores, sobre quais são os outros fatores, e, novamente, essas duas coisas são fatores na maioria dos jogos que você mencionou.”
Apesar das ausências pontuais, Van Zyll reforçou que o compromisso da Nintendo com o idioma não mudou. Ele disse que a empresa tem jogos importantes chegando em português do Brasil e que há foco no país e na América Latina.
“Mas o compromisso não mudou, e isso volta ao ponto em que começamos. Temos alguns jogos grandes e importantes chegando, e eles estão em português brasileiro, e estamos muito empolgados com isso.”
Quando o entrevistador afirmou que os fãs continuariam pedindo por mais jogos localizados, Van Zyll disse entender a cobrança e afirmou que a Nintendo segue atenta ao tema.
“Não, por favor, façam isso. Eu acho isso energizante. Às vezes é frustrante, porque eu quero a mesma coisa. Eu quero sorrisos, eu quero nosso consumidor feliz. Mas, novamente, fiquem tranquilos: seja falando de preços, seja falando de português brasileiro, estamos cuidando disso. Podemos nem sempre entregar tudo tanto quanto gostaríamos, mas estamos absolutamente em cima disso. E há muito foco na América Latina e muito foco no Brasil agora.”
O que você espera ver nos próximos jogos da Nintendo em relação ao suporte ao português do Brasil?
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