O Senhor dos Anéis: Guerra no Norte é um RPG de ação focado em combate cooperativo, colocando três personagens diferentes para enfrentar uma campanha ambientada no universo de Tolkien. A proposta é bastante arcade, o que torna o jogo fácil de pegar e jogar, especialmente quando você está com amigos. Mas o quanto vale a pena revisitar um produto da década passada?
Três heróis contra a escuridão

A ideia de controlar uma equipe de três personagens funciona muito bem para um RPG de ação. O game é bastante arcade, então você não precisa passar horas aprendendo sistemas complexos antes de começar a se divertir. Você entra na partida, escolhe seu personagem, começa a atacar inimigos e rapidamente entende o que precisa fazer. Isso deixa Guerra no Norte muito fácil de pegar e jogar, principalmente quando a intenção é simplesmente chamar alguns amigos e avançar pela campanha.
O multiplayer online também funciona muito bem tecnicamente. Durante minhas partidas, a conexão foi estável e sem problemas de lag, o que é essencial em um jogo tão focado em combate direto. Mas o grande diferencial está em poder colocar dois jogadores no mesmo console e ainda entrar em uma partida online. Isso é cada vez mais raro atualmente, já que muitos jogos cooperativos permitem multiplayer online, mas limitam cada console a apenas um jogador conectado à sessão. Aqui, você consegue reunir duas pessoas localmente e ainda jogar com outra pessoa pela internet, o que é uma solução excelente para quem quer jogar em grupo — pena que não existe Game Share ou algo do tipo pra aproveitar a versão de Switch 2.
Construindo seu próprio herói

A progressão também é uma das partes mais divertidas da experiência. Conforme você avança, consegue desenvolver seu personagem e escolher como quer melhorar suas habilidades. Existe uma sensação boa de evolução porque você não está apenas aumentando números: também está desbloqueando novas habilidades passivas e ofensivas que realmente entram no combate.
Distribuir os pontos é particularmente interessante porque dá uma pequena identidade ao personagem. Você consegue decidir quais habilidades quer priorizar e montar um estilo de combate que combine melhor com a maneira como gosta de jogar, além de ser possível equipar novos itens em seu corpo. Não é um sistema absurdamente complexo, mas funciona justamente porque mantém a proposta simples e direta. Você joga, ganha pontos, desbloqueia habilidades e volta para a batalha para testar o que acabou de conseguir.
Uma equipe que não sabe trabalhar em equipe

Infelizmente, essa ideia de equipe funciona muito melhor com jogadores humanos do que com a inteligência artificial. A IA dos companheiros é terrivelmente configurada. Os personagens controlados pelo computador são muito burros, frequentemente não ajudam quando deveriam e parecem não entender direito como participar dos combates. Em vez de complementar seu personagem, eles muitas vezes simplesmente ficam por perto fazendo pouco e precisando serem levantados com frequência.
O pior é que eles deixam a guarda aberta com uma frequência absurda. Isso faz com que você precise lidar com situações que deveriam ser responsabilidade dos próprios companheiros. Em um game construído ao redor de uma equipe de três personagens, isso é um problema enorme. A proposta é que vocês lutem juntos, mas quando a IA não consegue cumprir seu papel, você acaba sentindo que está carregando a equipe nas costas.
Um caminho quase sem desvios

A campanha também é bastante linear. Você segue os caminhos já determinados, enfrenta os inimigos colocados pelo caminho e continua avançando para a próxima área. Os próprios personagens também não ajudam muito nesse aspecto de descobrimento. Eles são bastante sem graça e não têm o carisma necessário para carregar uma aventura desse tamanho. Mesmo dentro de um universo tão conhecido, os protagonistas não conseguem criar uma conexão forte, e os diálogos raramente ajudam a mudar essa impressão — diferente dos protagonistas dos filmes e livros.
Por fim, o balanceamento também é bastante irregular. Existem momentos em que tudo parece equilibrado e outros em que a dificuldade simplesmente aumenta de maneira desproporcional. Isso faz com que você morra com frequência e precise repetir trechos várias vezes, não necessariamente porque cometeu um erro claro, mas porque foi colocado numa situação que parece muito mais difícil do que deveria.
Esse tipo de dificuldade acaba ficando cansativo porque a campanha já é bastante linear. Quando você morre, não existe aquela sensação de estar aprendendo uma nova estratégia ou descobrindo uma solução diferente. Muitas vezes, você simplesmente precisa repetir o trecho até conseguir passar.
Uma boa ideia presa em um RPG limitado
O Senhor dos Anéis: Guerra no Norte Legacy Edition ainda tem uma proposta cooperativa bastante divertida, principalmente quando você joga com amigos e aproveita o sistema de progressão para construir seu personagem. O multiplayer online funciona muito bem e a possibilidade de colocar dois jogadores no mesmo console e ainda entrar em uma partida online é um diferencial excelente. Pena que o restante da experiência não acompanhe essa boa ideia: a IA é ruim, a campanha é linear, os personagens são pouco carismáticos e o balanceamento frequentemente transforma a aventura em repetição. No fim, é um RPG de ação que funciona melhor como diversão cooperativa direta do que como uma grande aventura de O Senhor dos Anéis.
Importante: apesar do jogo na eShop estar listado como 1 jogador (local), é possível jogar em até 2 pessoas no mesmo console.
Chave de análise gentilmente cedida pela Aspyr




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