A série de zumbis mais conhecida do universo dos jogos chegou com tudo, tomando todas as notícias de games com seu lançamento, e com o Nintendo Switch 2 não foi diferente.
Um dos grandes títulos de porte gráfico robusto a chegar na nova plataforma da Nintendo (como Cyberpunk 2077 e Wild Hearts S), o nono game da série principal da franquia promete trazer o horror dos clássicos e misturar com a ação dos jogos mais recentes.
Como ficou essa mistura? Economize balas e leia esse file… digo, essa análise!
Resident Evil Requiem tenta agradar dois públicos
Desde à vinda de Resident Evil 4 no Game Cube em 2005, os fãs de longa data e novos jogadores da franquia ficaram divididos com aqueles que preferem o aspecto técnico e preciso da ação, com aqueles que preferem o aspecto de sobrevivência e economia de recursos ao máximo.
Resident Evil Requiem tenta trazer os dois modos em um único jogo, focado em partes de terror e sobrevivência nas sessões onde controlamos Grace, uma nova personagem muito bem-vinda à franquia, e Leon S. Kennedy, veterano que protagoniza as partes mais frenéticas de ação do game.
O jogo força os jogadores a atravessar os dois modos para finalizar o jogo, com capítulos intercalados. É possível escolher entre 1º e 3ª pessoa nas opções para ambos os personagens e, apesar do controle apresentar layouts similares, a forma de sobreviver é um tanto diferente.

Com Grace, o jogador se vê explorando áreas pequenas, porém cheias de desafios para cruzar: quebra-cabeças que requerem itens para avançar portas e abrir novos caminhos, hordas de inimigos difíceis que irão testar não só habilidades, mas também a capacidade de otimizar itens, segredos e easter eggs, além de momentos verdadeiramente horripilantes.
É notável o equilíbrio que a Capcom encontrou nos momentos com a Grace, especialmente o quanto as sessões com ela recompensam a economia de itens, o backtracking e as formas inteligentes de se cruzar certos caminhos. Em diversos momentos o jogo deixa no ar certas ações e objetos que, se o jogador analisar bem e for curioso, recompensam com itens ou segredos relacionados a história que fazem a gente querer ainda mais tomar certos riscos para ver o que há escondido pelo cenário.
Já com Leon, o jogo vem no maior estilo Resident Evil 4 Remake, com ação frenética que requerem uma mira precisa, velocidade de esquiva, noção de espaço e muita habilidade para sobreviver aos chefes e hordas de zumbis. No entanto, com o clássico protagonista, além do inventário grande, a quantidade de itens que dá para fabricar é muito maior, especialmente se o jogador revisar bem o cenário e economizar munição derrotando alguns inimigos de forma furtiva, o que deixa o jogo muito mais acessível que os Resident Evils passados (finalizei Requiem na dificuldade clássica).
É bom deixar claro também que, apesar de ter um mapa semiaberto bem enxuto em uma sessão com Leon, o jogo não é mundo aberto e não é possível andar de moto livremente, como alguns jogadores acreditavam que podia.

Uma história superior ao que estamos acostumados na série
Resident Evil sempre teve uma narrativa de filme B, especialmente quando RE 5 e 6 entraram em cena.
Resident Evil Requiem conseguiu quebrar esse paradigma. A história é envolvente, traz uma forma inteligente de trazer antigos personagens e até em confundir o jogador, sem saber se alguns personagens clássicos são suas contraparte verdadeiras.
Além disso, ao invés de ser só um filme de herói fazendo coisas impossíveis, traz momentos realmente emotivos, como a sensação de impotência de se salvar alguém, além do senso se responsabilidade, especialmente de Leon, quando comparado aos acontecimentos em Resident Evil 2 (há muitos momentos de nostalgia inteligentemente aplicados no jogo, especialmente em Raccoon City). O jogo também traz reviravoltas intrigantes, especialmente na escolha final, além de uma questão muito impactante envolvendo a Umbrella e seus fundadores. É realmente uma narrativa envolvente que é intensificada por sua ótima direção.

Infelizmente, algumas sessões quebram um pouco o passo da narrativa emotiva e da atmosfera de terror com as cenas absurdas de heroísmo a là Resident Evil 5, como a sessão de moto do Leon, ou na parte do trem. É notável ver que o título tenta agradar dois públicos diferentes, mas com um enredo forte que soube conectar bem as edições antigas, essas partes absurdas parecem mais intrusas do que realmente um adendo significativo para o jogo. Esse fator é interessante de notar porque, mesmo sendo grandes jogos os Resident Evil 7 e Village, eles não conseguem conectar seu enredo com os clássicos da série tão bem quanto Requiem faz.
Excelentes gráficos e efeitos de luz sem paralelos
Não é nem preciso dizer o quão impressionante é o gráfico no Nintendo Switch 2, tanto na televisão quanto no modo portátil. Porém, o que me deixou mais impressionado foram os efeitos de luz. Não só o quanto cada luz tem seu diferencial e grau de iluminação, como a adaptação dos olhos dos personagens às diferenciações da claridade.

Os cenários também são muito impressionantes, além dos detalhes, são raras as ocasiões que encontrei texturas baixas. Ou elas ficam escondidas, ou o jogador tem que aproximar muito a câmera para notá-las.
A trilha sonora é outro ponto forte, com batidas eletrônicas e quedas de graves intensos. o jogo possui diversos momentos tensos que são aprofundados com a música, causando calafrios e, em outros momentos, cenas épicas, como a primeira aparição de Zeno.
Tudo isso é reforçado por uma ótima atuação de voz muito bem dublada. Há alguns momentos que a dublagem de Leon fica muito estúpida, mas isso é devido mais as tirinhas (one liners) básicas da escrita do que da atuação de voz em si. Em certos momentos é tão clichê que pensei estar ouvido Duke Nukem, ao invés de um policial tornado agente secreto que carrega uma consciência pesada.
Divertido em um nível que poucos jogos alcançam
Dito tudo isso, um fato é inegável: seja a parte com Grace ou com Leon, Resient Evil 9 Requiem é muito divertido.

O jogo é desafiador, cheio de segredos inteligentes e possíveis (apenas um deles achei obscuro demais), com uma jogabilidade desafiadora mas que se adapta a habilidade do jogador e com uma exploração recompensadora que poucos jogos conseguem alcançar.
As partes com Grace recompensam muito a exploração, e é em um nível tão inteligente, que faz com que o jogador pense antes de realizar cada ação. Após a descoberta de novas fabricações de itens, das moedas e as evoluções possíveis das habilidades de Grace, o jogo facilita um pouco, mas somente mais para o final de cada sessão é possível realmente buscar fazer 100% do cenário.
Já com Leon, é onde ocorre um certo downgrade quando comparado a outros jogos da série. Apesar de divertido, quando comparado ao Remake do 4, as partes com o antigo policial da R.P.D são muito básicas, e a furtividade ajuda a economizar muitos recursos, o que faz o jogo ficar muito fácil ao longo do tempo (e isso na dificuldade clássica).
Um ponto positivo é que, comparado a outros jogos da série, as partes com Leon permitem que o jogador evolua as armas mais rápido, e de forma inteligente (qual arma evoluir primeiro, qual carregar, gastar em proteção ou força, etc.), mas é outro fator que, ao longo do tempo, facilita o jogo. Em resumo, as partes com Grace eu sempre fiquei com o coração na mão, pensando em como eu poderia passar de determinadas partes, quanto que com Leon, nenhum momento ficou muito tenso, porque eu tinha tantos recursos e habilidades que nada mais me parecia uma ameaça.

Mas só para deixar claro: nem por isso o jogo deixa de ser divertido. A ação, a velocidade, a exploração, no final tudo compensou, mesmo tendo algumas partes que não ocorrem nada de interessante. Existem partes no jogo que são lineares e extremamente curtas, como o orfanato, e isso funciona porque, além da atmosfera, acrescenta muito pra história.
Veredicto
Resident Evil Requiem é um verdadeiro triple A que vale cada centavo. Divertido, desafiador, recompensa a exploração com uma sensação inteligente de conquista ao resolver quebra-cabeças e de sobreviver a monstros e chefes.
Apesar de algumas partes que não fazem sentido estarem presentes, elas não conseguem ofuscar a diversão e a narrativa deste grande jogo que conseguiu misturar o melhor de dois públicos de uma única franquia.

No Nintendo Switch 2, não é só o gráfico que impressiona: os carregamentos são extremamente rápidos e os efeitos de luz são sem paralelos, seja no Dock ou no modo portátil. Na plataforma da Nintendo, ainda encontrei momentos muito bons quando levava o videogame ao trabalho, na hora do intervalo, para fazer o que faltou da exploração, quando chegava em casa continuava a história, com tudo revisado.
O jogo possui muitos conteúdos extras, inclusive novos files (arquivos) no modo de dificuldade insano, que muda até a disposição de alguns itens. Sem contar que a Capcom já encontrou um equilíbrio, até no tamanho dos arquivos, para não ficar maçante as partes de leitura para não estragar o passo do game.
Resident Evil 9 Requiem não é perfeito, mas é quase. E o mais importante é que é divertido a beça, pra quem é fã, e pra quem tá iniciando na franquia somente agora.
Análise realizada com uma chave gentilmente cedida pela editora.
Resident Evil Requiem
Editora: Capcom
Desenvolvedora: Capcom
Tamanho do Arquivo: 29.3 GB
Lançamento: 27/Fev/2026
Plataformas:
Opções de Compra:
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