É raro quando surgem jogos dos quais são estampados o termo videogame art, como fez Shadow of Colossus (2005) e Okami (2006).
Particularmente não gosto do termo, porque parece que um jogo só possui um alto valor artístico se seguir os critérios desses títulos para se tornar grande e, além da narrativa envolvente, há outros fatores necessários que devem ser levados em consideração em um jogo, especialmente a jogabilidade.
Mas se fosse considerar esse termo, South of Midnight com certeza levaria essa estampa. Com uma narrativa emotiva incrível, uma direção de arte sem paralelos e uma atuação de voz e músicas originais com letras que se encaixam nas tramas do jogo, South of Midnight é um game muito raro de se encontrar por aí.
South of Midnight traz uma protagonista um tanto carismática
South of Midnight possui uma história muito original, dirigida de forma excelente e com uma atuação de voz incrível.
No papel de Hazel, uma moradora da cidade pantanosa de Prospero, ela vê sua casa (com sua mãe dentro) sendo levada por uma grande onda após um furacão atingir a cidade, o que a fará embarcar em uma incrível aventura que envolve tecelãs e criaturas míticas.

Um dos fatores que mais me chamou a atenção do jogo é a atmosfera. É uma mistura de aventura que parece inocente, mas que se torna sombria bem rápido. A tempestade, as vilas abandonadas quando você encontra a criatura mítica Bagre (sim, um peixe!), cada canto de Prospero é uma obra de arte.
Durante sua aventura, Hazel vai encontrar 7 histórias (chamadas de Tramas) que precisam ser curadas, e essas histórias narram tragédias bem pesadas, que se tornam ainda mais emocionais com a batalha contra o chefe final de cada trama, que acontece com músicas que possuem letras que narram a tragédia de forma muito inteligente e emotiva.
Tudo se encaixa de forma tão artística e bem-feita que é impossível não sentir o peso da história, que também envolve questões de escravidão e moradias precárias como as senzalas em suas entrelinhas (mas sem fazer um comentário social direto). E o melhor é que, além da incrível história e gráficos originais, a jogabilidade de South of Midnight também diverte e é bem desenvolvida.

Divertido e desafiador na medida certa
South of Midnight é um jogo um tanto linear, com pequenas áreas para se explorar da qual é possível encontrar Felpos, que servem como pontos para evoluir as habilidades de Hazel.
O jogo possui um sistema de exploração enxuto, porém bem rico. Conforme o jogador navega por pântanos, cavernas e vilas, Hazel vai encontrando cartas, jornais e outros arquivos que amplificam a história já muito bem narrada do jogo.
A exploração é interrompida de tempos em tempos por batalhas contra as assombrações, da qual são necessárias vencer para destravar o caminho e seguir em frente. Esse sistema deixa o jogo bem linear. Apesar disso, as batalhas não são só um apetrecho a mais para o jogo acontecer. Muito pelo contrário, além de mecânicas bem implementadas, também é gradativamente desafiadora.

Hazel conta com duas agulhas de tecelã que servem com uma espécie de adagas, que possuem combos, golpe carregado e aéreo. Até o capítulo 5 a protagonista vai conquistando suas principais habilidades como tecelã, que além de ajudar nos momentos de plataforma, também podem ser usados durante as batalhas.
Prender o inimigo envolto de uma linha, puxar, empurrar, esquivar no momento exato para atordoar o inimigo entre outras habilidades trazem diversas combinações divertidas de serem usadas. Além disso, há ataques das assombrações nas quais determinadas habilidades garantem efeitos especiais, como por exemplo, empurrar insetos que explodem de volta nos inimigos.
A variedade também é inteligente. South of Midnight vai apresentando novos inimigos de tempos em tempos e, conforme o jogo avança, as batalhas passam a misturar estes diferentes tipos, trazendo momentos bem desafiadores. Os inimigos também não perdoam: só porque uma assombração começou o ataque não quer dizer que os outros ficarão parados para dar uma colher de chá ao jogador, mesmo quando não estão sendo exibidos na câmera.

Os momentos de plataforma também possuem um desafio gradativo, porém não achei tão bem implementado quanto o sistema de batalha. Em plataformas muito próximas nem sempre eu conseguia distinguir se Hazel iria parar na beirada ou simplesmente cair no abismo abaixo. Além disso, o jogo possui alguns momentos em que Hazel fica escorregando nas plataformas ao invés de dar um pulo mais alto, não sei se por algum erro de colisão do cenário ou outro bug.
Mas é importante notar que são poucos momentos em que isso ocorre, e grande parte das seções de plataforma ocorrem de forma fluida, especialmente as que são cinemáticas, do qual é necessário executar de forma rápida as ações.
Gráficos incríveis, performance nem tanto
Sendo um jogo criado no Unreal Engine 5, temos alguns antigos problemas na plataforma. Primeiramente, é notável em diversos momentos ver a textura carregando e se formando no cenário conforme o jogador explora, em tempo real.
Além disso, em certos momentos do jogo ocorrem quedas de quadros pequenos, mas notáveis. Eu nunca passei por isso durante os momentos de plataforma e batalhas, mas notei muitas vezes enquanto explorava o cenário, o que realmente me incomodou.

Tirando esses pequenos detalhes, é impossível não ficar encantado por este grande jogo que, apesar da linearidade, possui uma movimentação literalmente única, diferente de qualquer outro jogo que eu já tenha jogado com essa estética 3D, além de uma história com diversas tramas emotivas e momentos, junto da música e da atuação de voz, que coloca muito filme no chinelo.
Análise realizada com uma chave gentilmente cedida pela editora.
South of Midnight Weaver’s Edition
Editora: Microsoft Studios
Desenvolvedora: Compulsion Games
Tamanho do Arquivo: 48 GB
Lançamento: 31/Mar/2026
Plataformas:
Opções de Compra:
Nintendo eShop



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