Absolum combina a maestria em gameplay de jogos beat ‘em up da Dotemu e da Guard Crush com as espetaculares artes e animações do estúdio Supamonks. Com ação acelerada e fator replay infinito, Absolum desafia os jogadores com múltiplos caminhos para explorar e encontros imprevisíveis em experiências sempre novas a cada jogo.
Desde o retorno da franquia famosa no console da SEGA, Streets of Rage 4, Dotemu vem revivendo algumas franquias com ótimos jogos novos e não se limitando apenas ao beat ‘em up, recentemente tivemos o retorno de Ninja gaiden também pelas mãos da editora e ainda esse ano teremos Marvel Invasion. Esse ano, a editora não está de brincadeira.
[T-07]Combos, rituais e arcanas[/T-07]
Absolum traz a fluidez, velocidade e imprevisibilidade do gênero roguelite, e mistura isso com o clássico briga de rua em arenas para tentar criar algo novo. Digo tentar, porque a princípio não parece muito diferente de alguns roguelikes frenéticos, com diversas salas e caminhos, diversos tipos de inimigos que se repetem infinitamente, mas Absolum não é tão simples; não é apenas sair batendo ou ficar jogando habilidades aleatórias.
Cada personagem tem uma jogabilidade única e que pode sofrer variações ao longo do caminho, e isso é incrível.
Galandra por exemplo é uma espadachim formidável, mas também se garante com socos e chutes com todo seu treinamento como cavaleira de Yeldrim. Karl é o último anão de sua espécie que não está sobre o controle do rei dos anões e usa seus punhos como brigão que é, mas sempre tem seu fiel bacamarte à mão para um emergência, Brome, um mago poderoso e último da sua espécie usa sua magia e cajado para com um leque de magias e por fim a Cinder, membro de uma ordem obscura e sem lembranças de seu passado.
Cada um tem um kit tão único que não parece um beat‘em up ou roguelite, é quase um jogo de luta. O sistema de combos é incrivelmente fácil de se dominar, mas ele não é só porrada, temos agarrões, golpes de prioridade, contra-ataques para quebrar a guarda e desestabilizar inimigos e saber manter a variedade do combo para manter domínio do adversário.

Um sistema de combate maravilhoso e satisfatório; manter o domínio de um ambiente com vários inimigos é essencial em roguelikes, e Absolum te dá um controle excepcional sobre ele com a quantidade até que boa de personagens que contam com uma variedade de arcanas, magias que ainda bem que custam mana. Agradeço muito à equipe de devs por não utilizar o clássico ataque mortal que tira sua vida, já que é um recurso bem escasso em roguelikes.
O que torna o combate de Absolum tão bom é a combinação de simplicidade e aleatoriedade: cada um deles conta com um botão para um ataque normal, que dá pra fazer um combo simples de pelo menos 3 ataques, um ataque especial pesado, que além de mais lento, geralmente não tem sequência, e pelo menos uma arcana que começamos, todo variações aéreas. A princípio, parece até simples demais, mas é aí que entram a aleatoriedade do roguelike: os rituais são contratos com as forças da natureza e a magia desse mundo, e podem imbuir todos os tipos de ataques com algum elemento ou habilidades. Elas podem até ser sobrepostas e contam com sinergias entre si para criar mais e mais variedade. Nunca se sabe o que vamos encontrar pelo caminho mas raramente você vai ficar insatisfeito com o resultado das bênçãos encontradas pelo caminho.
Claro que isso são recursos que vão sendo liberados conforme avançamos, então a variedade aumenta com o tempo de jogo, e mesmo que individualmente, elas tenham o mesmo problema do kit do personagens a soma geral dá um bom resultado.
Um sistema muito bom sem ter do que reclamar, embora ainda queria alguns recursos a mais para modificar o conjunto de ataques dos personagens.

O enredo bebe também se utiliza do roguelike para se desenvolver e de forma resumida é atravessar o mundo para descer a porrada no tirano que assola esse mundo.
A forma mais extensa, o mundo de Talamh, após sofrer com evento desconhecido e catastrófico chamado de cataclisma, passa a sofrer opressão do Rei Arza, que limita o uso de magia e de criaturas vindas dela para evitar que isso se repita.
Vamos aprendendo e enriquecendo o enredo conforme jogamos, cada personagem e cada área conta uma história, revela seus segredos para tentar criar uma narrativa única para cada tentativa, e até consegue individualmente, mas parece um pouco rasa na visão geral.
Cada personagem tem seu passado, sua história e suas próprias resoluções nesse mundo misterioso até demais.Apesar de ter uma boa quantidade de diálogos sobre o mundo e os personagens, ainda pareceu um pouco raso, principalmente ao final das missões individuais. E não parece falta de informação, mas só que a informação não chega de uma forma objetiva, o mundo vive sua vida e ignora que o jogador que saber mais sobre aquele mundo. Um bom exemplo disso é o próprio cataclisma, várias vezes somos informados que Uchawi a mãe raiz e o Rei Arza estavam envolvidos mas não fica claro o que aconteceu ali além de trazer o Absolum a esse mundo por acidente, aparentemente.
Inclusive o mesmo só é mencionado de terminar o jogo a primeira vez, ficando tão de lado e ao mesmo tempo tão trabalhoso que o final verdadeiro pareceu ter menos peso que o primeiro final.
[T-07]Parte técnica [/T-07]
Absolum tem toda sua estética de magia medieval com cenários muito detalhados desenhados à mão e até com segredos, mas o principal não é segredo. O motor gráfico todo em cima de streets of rage 4 criando cenários em 2.5D. A riqueza de detalhes é tão grande e fluida que é quase jogar um desenho em alta definição, mostrando que roguelike nem sempre precisa ser só pixelart.
Como dito, a jogabilidade é fluida e responde muito bem. Fazer combos insanos, bem como punições e parries até em chefes é simplesmente delicioso. Isso torna a repetição da jornada, somada o pequeno elenco de personagens, bem mais leve, fazendo as sessões serem menos cansativas. A variedade de caminhos também ajuda, já que conta com várias possibilidades de caminho mesmo com pontos fixos.
Novamente, falta um pouco mais de personalização pré-tentativa para dar mais diversidade às sessões e só conseguimos mudar isso derrotando chefes e contando com a sorte.
Espero que futuramente chegue alguma atualização com novo conteúdo, porque não sobrou nada para fazer mais, e quem sabe algumas mudanças de qualidade de vida venham.
A trilha sonora é incrível, com tema de magia, idade média e semelhantes. É claro que a trilha tem muitas faixas de músicas orquestrais com direito a vocais de soprano, violinos e cellos. O tema principal já chega como uma pedrada e ajuda a contar a história da cena sem diálogos e já te deixa no clima. Além de tudo, é totalmente dublado, mesmo que em ingles.
Mas também foi feita uma escalação de peso com Gareth Coker (Ori, Halo Infinite, Prince of Persia), com colaborações de Yuka Kitamura (Dark Souls, Elden Ring), Mick Gordon (Doom Eternal, Atomic Heart). É uma sinfonia de ânimo, literalmente, do início ao fim.
Os destaque ficam para o tema principal, o tema de um dos primeiros cenários Green River, e as músicas dos chefes finais Arza e Absolum. Absolutamente boas.
Absolum
Editora: Dotemu, Silver Lining Games
Desenvolvedora: Guard Crush Games, Supamonks
Tipo de Mídia: Cartucho, Digital
Plataformas:




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