Empunhe suas armas contra o feiticeiro corvo maligno que fez uma lavagem cerebral na sua trupe.
Atomic Owl é um jogo desenvolvido pela Monster Theater e distribuído pela eastasiasoft, chega ao Nintendo Switch um ano depois da seu lançamento original e se vende com uma proposta de um rogue lite de rolagem lateral de ritmo acelerado com combate hack n slash dinâmico, além de uma variedade de armas e em sua forma definitiva que traz a opção de jogar sem o sistema de rogue lite, novo balanceamento geral das armas e aprimoramento geral do jogo, mas isso está longe da realidade.
Rogue lite leve demais
Atomic Owl tem um enredo interessante ao mesmo tempo que parece bem batido: Hidalgo, o príncipe do reino de Judanest e também um dos bravos guerreiros Bladewing, um dia se vê forçado a lutar contra seus companheiros que foram postos sob o controle de Omega Wind, um velho inimigo do reino que conseguiu um novo poder chamado Meza, que além de controlar os companheiros de Hidalgo também o fortalece. Agora, o jovem príncipe do reino precisa enfrentar seus amigos para acabar com a tirania de Omega Wing.
Esse é um resumo bem pequeno porque é realmente pequeno. Embora pareça direto ao ponto, a introdução se estende um pouco, com diálogos tentando criar uma história de fundo, mas é na maior parte do tempo vazio e um tanto desconexo, já que somos apresentados aos bladewings sem saber o que eles são exatamente e o que fizeram para serem como são. Cada um tem um clara característica diferente, que pouco é apresentada fora das batalhas contra os mesmos, o que deixa tudo um pouco raso demais, e embora eu seja fã de piadas, nem as tiradas da nossa espada falante (que fala por motivos de sei lá porque) salvam, porque em sua maioria parecem insultos aleatórios e um sarcasmo de alguém que tá sempre de mau humor; uma espada de língua afiada corta toda a vibe de herói nobre o Hidalgo tenta passar.
Ter um roteiro simples e leve não é de muito problema, mas em alguns pontos parece que claramente falta algo por conta de cortes secos na sequência dos diálogos e acontecimentos, o que só deixa mais dúvidas do que esclarece os fatos ocorridos, principalmente na segunda metade do jogo.

A maneira como Atomic Owl aplica o sistema rogue lite é bem simples: o jogo todo tem 8 cenários, onde dois deles são enfrentando o Omega Wing, depois outros 3 estágios regulares de desafios de plataforma, onde enfrentamos os bladewings no final de cada um, e depois 3 estágios somente de desafios de plataforma. Caso você morra em algum momento, pode voltar no início dos 3 primeiros, se não derrotou o Omega Wing, ou na primeira fase após a derrota do mesmo, tendo que fazer todo o caminho até o segundo confronto.
Ao derrotar inimigos, ganhamos fontes de meza diferentes, que podem aumentar nossa vida com um sistema de level, e com outra fonte nos fornecem pontos para gastar em algumas poucas melhorias para uma nova tentativa. A única coisa que se perde são algumas medalhas de melhoria que caem aleatoriamente de inimigos a uma taxa totalmente imprecisa. Cheguei a fazer runs em que cheguei no último chefe e nada apareceu. Ironicamente, as medalhas e os sistemas são o maior motivo para jogar sempre no modo rogue lite ligado, pois, fora dele, você vai continuar na última fase em que morreu, podendo até ser a do Omega Wing, onde você pode acabar meio estagnado, sem ter melhorias temporárias, ou conseguir aumentar a vida e melhorar outras habilidades, entre tentativas, e o que parece ser um facilitador no fim só deixa mais difícil.
O combate que se vende como rápido, frenético e estilo hack n slash não parece nada disso: mezameta tem 4 formas e cada uma é um estilo de diferente de combate, sendo a espada a mais equilibrada, o martelo para longa distâncias, mas com dano e velocidade reduzidos, o chicote para alcance médio e uma espada larga com mais dano e menos velocidade, além de contar com yumameta, uma foice que consegue atacar vários inimigos em sequência, mas tem uso limitado e tempo de recarga. Com tantos recursos, poderia sim parecer um combate acelerado, porém o posicionamento dos inimigos, os desafios de plataforma e algumas camadas de dificuldade do combate tornam tudo bem mais lento.
De início, a foice vai ser a melhor fonte de dano e alcance, mas então são adicionados escudos que precisam ser destruídos com a forma certa da mezameta, ou precisar absorver um buff azul dos inimigos (às vezes os dois no mesmo) e locais de difícil acesso em uma arena com outro inimigo ainda mais forte e com mais vida. Isso quebra totalmente o ritmo, e ainda por cima acontece várias vezes nas partes finais, onde somem totalmente os desafios de plataforma e viram várias arenas de combate para te cansar para o final.

Os únicos lugares onde o ritmo é acelerado são nas partes de desafios de plataforma, que são até bem feitos, e inclusive contam com níveis escondidos. Somado a isso, o fato de que só podem ser concluídos uma vez por save, e sua recompensa é somente aumento de experiência para vida, mas o combate não é nada dinâmico ou rápido. As batalhas de chefe até são um pouco mais rápidas, se você conseguir entender o padrão.
Atomic Owl é bem curto, apesar de tudo. Com certa destreza, se chega na parte final em uma ou duas horas, mas demore um pouco mais para terminar em si por conta de ter que voltar algumas casas depois de perder, o que é o core de rogue lite / like isso não dá para negar.
Parte técnica
Os gráficos em pixel art de Atomic Owl são muito bons em tudo: personagens, fase, cenários de fundo, caixa de texto, e inclusive há uma abertura animada e com música tema vocalizada, embora se você jogar na versão do Nintendo Switch 1 talvez não a veja. Não lembro se nem sempre ela carrega, se só demora demais pra carregar e acabava pulando logo que possível, mas o ponto é que por algum motivo parece ter mais dificuldade em rodar no Switch 1 do que no 2, e não só por conta disso. Algumas fases iniciais também costumam ter uma queda brusca de taxa dos quadros por algum motivo, o que é bem estranho para um jogo leve, mesmo ocupando 2GB de espaço.
Falando em espaço, a distância da câmera é algo que incomoda bastante; principalmente se você gosta de jogar no modo portátil, o personagem e os inimigos são minúsculos em áreas abertas dos desafios de plataforma, o que dificulta uma jogabilidade mais precisa que depende de pulos e investidas. Contra chefes não temos esse problema, no entanto.

A música é a única coisa que salva Atomic Owl, sem defeitos na trilha sonora, toda trabalhada no sintetizador, dá um ótimo tom tecno. A estética neon-japan de Judasnest e o tema de abertura, Odyssey, são coisas que vou levar daqui para minha playlist de músicas de jogos.
A jogabilidade de Atomic Owl não é ruim, mas o que ele vende engana muito e pede mais precisão do que tem à disposição, principalmente quando se tem que lidar quedas de quadro, mas ao menos ele se salva com mecânicas que facilitam a vida, como um detecção de borda que não te deixa cair e errar o fim de uma escalada de parede, bem como subidas automáticas por baixo de plataformas, um detalhe até bem pensado e que salva bastante.
Atomic Owl
Editora: eastasiasoft
Desenvolvedora: Monster Theater
Tipo de Mídia: Digital
Lançamento: 20/Mai/2026
Plataformas:
Opções de Compra:
Nintendo eShop



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