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Análise

Análise – BlazBlue entropy effect X

por Igor Rangel
12 de março de 2026 às 12:00
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Mergulhe em combates espetaculares, com combos gratificantes e controles precisos, com personagens do universo BlazBlue.

BlazBlue é uma franquia famosa de jogos de luta, talvez nem tão famosa por aqui como merece, mas ela se destaca bem por personagens com muita personalidade e poderes bem diferentes dos tradicionais jogos de luta. Nascida como franquia irmã do Guilty Gear em uma época em que a empresa não podia trabalhar com Guilty Gear por questões complicadas, acabou sendo a salvação tanto da empresa como da sua irmã. 

O gênero principal de luta conta com diversos jogos além de spin-offs com participações especiais e é aqui que se encontramos BlazBlue Entropy Effect X, um roguelike que combina a ideia dos comandos dos jogos de luta com a imprevisibilidade e o caos do roguelike.

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BlazBlue, entropia e o mar de possibilidades

Entropia é uma grandeza da termodinâmica que mede o grau de desordem, aleatoriedade ou indisponibilidade de energia em um sistema físico. Segundo a segunda lei da termodinâmica, em sistemas isolados, a entropia tende sempre a aumentar, indicando que processos naturais avançam da ordem para o caos e são irreversíveis.

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Você deve estar se perguntando por que dessa pequena lição de física acima; é muito simples: além de estar no título do jogo, entropia é a coisa que melhor descreve a história de BlazBlue no geral.

Caso não esteja familiarizado com o enredo desse universo, o breve resumo é que, ao final de cada jogo, todo o universo é reescrito por algum personagem, seja mudando a si mesmo, todo o universo ou até mesmo apagando existências simplesmente pelo caos e nesse spin-off não poderia ser diferente. Aqui somos Ace, um dos cientistas de um projeto desconhecido em um local apenas conhecido como “laboratório” , que junto de outros misteriosos cientistas trabalha em uma pesquisa que visa salvar o mundo de uma destruição iminente. Para isso, precisamos mergulhar no mar de possibilidades e coletar fragmentos de lembranças usando os avatares que são os personagens do jogo de luta, em uma busca para tentar atrasar o fim do mundo.

O trabalho de Ace ao mergulhar no mar de possibilidades é onde entra o roguelike. Com nosso avatar escolhido, passamos por cenários gerados aleatoriamente e enfrentamos hordas de inimigos e ao final somos recompensados com o prêmio que a sala contém e escolhemos previamente. Até aqui, tudo bem padrão para um roguelike, porém BlazBlue Entropy Effect X começa a se destacar com uma dessas recompensas: o potencial.

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O potencial tem diversas possibilidades, como desbloquear ataques novos com novos comandos e alterar propriedades de ataques. Cada personagem conta com diversos potenciais, alguns com comandos mais comuns, como um ataque após uma corrida, enquanto outros são únicos daquele avatar e necessitam de uma série de comandos para serem feitos, exatamente como um jogo de luta. As possibilidades são infinitas, pois até os potenciais têm variações que também não têm ordem certa para serem obtidas, o que torna cada rodada única. 

Também podemos contar com táticas, poderes elementares de luz, sombra, gelo, fogo e raio que podem ativar se as condições para uso forem cumpridas, coisas que vão de acertar um ataque até uma esquiva, bem simples e direto ao ponto, um pouco diferente dos potenciais.

Apesar de alguns serem bem simples, mesmo como ataque+cima e uma breve descrição do que acontece e talvez algo que possa seguir (follow-up), alguns são quase um TCC com tanta explicação, comandos, tópicos e citações de outras fontes. Claro que você pode ignorar quase tudo e só se atentar aos comandos e ir experimentando, mas caramba, a equipe realmente estava inspirada, tão inspirada que se você ainda assim ficar na dúvida de como usar, pode apertar um botão e entrar em um mini tutorial sobre aquele comando em específico; e eu nem tinha percebido que isso estava ali de tanta informação que tinha. Apenas apertei um botão na hora errada e simplesmente abriu, novamente impressionando. Parece um pouco de empenho demais, mesmo parecendo que isso poderia afastar muita gente, no final do dia é tudo bem desenrolado e natural.

Depois do susto passado com tanta descrição, BlazBlue Entropy Effect X é bem fluido no combate; com um ou dois potenciais já conseguimos realizar combos interessantes, já que além de um ataque básico que faz um combo de 3 ataques, também contamos com ataques especiais que custam mana. Até um chefe pode levar um combo infinito se você conseguir pegar ele no tempo certo, um combate muito prazeroso, um ponto muito importante para manter atenção do jogador em um roguelike, e somado à quantidade de personagens, quase 20, o fator replay é grande e bem necessário para chegar ao fim do jogo.

O elenco com certeza ajuda bastante bastante, afinal, para avançar na história, precisamos chegar até o fim do mergulho diversas vezes, e conforme vamos realizando as missões, recebemos tokens para liberar os personagens na ordem que quisermos. Ou seja, se você tem algum favorito, pode pegar logo de cara. Aliás, há dois personagens convidados que têm um método para liberar diferente. 

BlazBlue Entropy Effect X tem um sistema legado bem interessante também. Normalmente, quando acaba uma tentativa, seja vitória ou derrota, na maioria dos jogos tudo se perde ficando apenas com aquele dinheiro que se usa fora das dungeons para melhorias gerais de atributos base e outras vantagens iniciais. Aqui, além disso, temos à disposição o legado das tentativas anteriores, que pode ser até duas táticas que escolhemos guardar naquela versão do avatar que correu, e que também pode te auxiliar com um golpe especial (que esqueci de usar várias vezes) durante uma nova tentativa, e você ainda pode levar até dois. 

BlazBlue Entropy Effect X não é um roguelike difícil porque ele quer que você progrida na história, então eventualmente você vai chegar ao final pela primeira vez e se deparar com um modo com modificadores para dificultar a sua jornada. A campanha não te obriga o tempo todo a usar esse sistema, porém, o que o torna bem acessível para quem pensa que roguelikes são difíceis demais ou escalam muito rápido. Dá muito bem para aproveitar a jornada até o fim, e se ainda quiser mais um desafio depois, é só mergulhar de cabeça.

Tenho quase certeza de que tem um final secreto, mas ainda estou tentando chegar nele.

A história é um pouco abstrata, na falta de uma palavra melhor, já que ela vai contando fragmentos de acontecimentos dos jogos principais que talvez façam pouco sentido para quem não conhece bem a história. Até os próprios personagens não sabem muito sobre isso, o que torna tudo um pouco mais interessante, porque você pode ir de cabeça limpa e ir conhecendo o universo pelo enredo e pelas anotações sem prejudicar sua experiência sem ter conhecimento prévio, mas se você tiver, é algo a mais. 

É interessante que o loop de replay de BlazBlue Entropy Effect X  é mais baseado no modo normal que nos modos com modificadores, torna a experiência mais atrativa como roguelike e deixa a vontade de se desafiar na sua mão, além de contar com online. Também tem um modo extra ao final da campanha, que é outro modo história e ajuda um bocado se você gosta de seguir jogando e ter alguma recompensa no final, podendo usar o save finalizado ou criar um novo só para essa nova campanha, já que algumas recompensas são repetidas do início do jogo.

parte técnica

BlazBlue Entropy Effect X é puro anime graficamente falando, do HUB até os combates, tudo feito em animação japonesa com um estilo neon punk, onde os cenários alternam entre cidades vibrantes e locais desolados. O que chama a atenção são os cenários de chefes, que são bem detalhados, principalmente os mais avançados. Alguns até têm mudanças durante a luta, e a trilha sonora segue na mesma pegada, com uma batida entre nightcore e lofi que também não se sobressai fora das lutas de chefe.

Tudo isso para deixar a dublagem em evidência, que conta com boa parte do elenco original dos lutadores, seja em japonês ou em inglês. Particularmente, sou adepto da japonesa, principalmente se for ficar ouvindo os ataques dos personagens porque a entonação fica bem mais interessante.

Os controles são ótimos e responsivos, tal qual um jogo de luta, dá até pra fazer cancelamento de ataques nos combos e com certeza, a parte mais satisfatória de BlazBlue Entropy Effect X é descobrir como quebrar a guarda do chefe e conseguir criar um combo que tire uma quantidade massiva de vida dele, isso é algo que só a mistura do roguelike com um jogo de luta pode fazer. 

Único problema no entanto é que há carregamentos um tanto demorados na versão de Nintendo switch 1, no 2 não é tanto, mas em ambas as versões isso atrapalha um pouco no fim das partidas que retornamos com fragmentos, pois acontecem alguns travamentos do jogo tentando carregar a próxima parte da história e cenas, o que acaba criando situações como tela preta durante uma cena, que até dá pra resolver só reiniciando o jogo mas aí tem que carregá-lo de novo, o que demora um pouco.

Veredito
BlazBlue Entropy Effect X é um roguelike bem inovador com sua mecânica de evoluir o moveset dos personagens. Além de ser um prato cheio para jogadores de jogos de luta da franquia, também é bem acessível tanto para entusiastas do roguelike que não são tão familiarizados com combos como para jogadores mais casuais. É muito viciante quando se pega ritmo, e a variedade de personagens e estilos ajuda bastante a sair da simples repetição do gênero.
Prós
grande variedade personagens
jogabilidade inovadora que mistura roguelike e jogos de luta
alto fator de replay
difícil mas ainda acessível
localização em pt-br para interface
ótima dublagem em japonês
Contras
carregamentos demorados
falta de otimização em alguns pontos estraga o fluxo do enredo
8
Tags: 91ActBlazBlue: Entropy Effect XNINTENDOSWITCHReview


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