Nesta review, nós temos tantas visões incríveis para mostrar para vocês. Clive Barker’s Hellraiser: Revival é o primeiro jogo em que podemos mergulhar nas dores e nas delícias do universo criado por Barker; mergulhemos então.
Sobre Clive Barker’s Hellraiser: Revival

Tudo começou em 1986, quando Clive Barker, autor de obras como The Books of Blood e Weaveworld, escreveu um conto de terror chamado The Hellbound Heart. Nele, um bandido hedonista usa uma caixa puzzle chamada de A Configuração LeMarchand para invocar Cenobitas, e essa foi a base de Hellraiser, que saiu no ano seguinte no cinema, trazendo o famoso Pinhead como personagem principal, e um dos maiores ícones do terror oitentista.
No ano seguinte, saiu o segundo filme. Depois de um hiato grande entre os filmes, tivemos mais oito filmes (não posso dizer que recomendo todos eles) entre 1992 e 2018, e em 2022, saiu um reboot, depois que Clive Barker retomou os direitos da franquia.
Apesar de um capítulo especial dedicado em Dead by Daylight, que não está disponível para compra desde o ano passado, e que foi muito elogiado, nunca houve um jogo de videogame da franquia Hellraiser sendo lançado. Houve vários projetos, desde o Super Nintendo até consoles mais recentes, mas até a Saber Interactive lançar um teaser de Clive Barker’s Hellraiser: Revival, e depois do anúncio oficial, em julho do ano passado, não tínhamos nenhuma história jogável. No fim do ano passado, uma demo já estava disponível para jogar, até que na semana passada, o jogo foi lançado, para deleite dos fãs. Apesar de este jogo ser a provável razão de não termos mais o Cenobita no DBD para novos jogadores, os dois são coisas independentes.
História

ATENÇÃO, A ANÁLISE A SEGUIR RETRATA TEMAS ADULTOS, COMO SEXO E BDSM, ALÉM DE VIOLÊNCIA GRÁFICA. NÃO RECOMENDADO PARA PESSOAS SENSÍVEIS (como quem se ofende com pronome neutro).
Antes de mais nada, é necessário explicar o que são os Cenobitas. Em Hellraiser, pessoas que buscam picos de prazer e vales de dor além daqueles que o corpo humano pode suportar podem desvendar o mistério de um cubo quebra-cabeça que invoca Cenobitas. Anjos para alguns, demônios para outros, os Cenobitas têm seus corpos modificados e causam e sentem a dor e o prazer eternos. Eles habitam o Labirinto, uma construção fora do tempo e do espaço, e adoram e são comandados por Leviatã, seu deus.

Dito isso, a cena inicial de Clive Barker’s Hellraiser: Revival traz Aidan e Sunny numa cena de sexo mais que quente. Num determinado momento, as agulhas de needle play não são suficientes, e Aidan começa a esfregar a Configuração Genesis, nome dado pelo jogo ao cubo supracitado, que começa a emitir eletricidade e acaba convocando os Cenobitas clássicos ao quarto. Pinhead, Chatterer, Butterball e Deep Throat, que na verdade têm outros nomes, mas esses são os que os fãs deram a eles, aparecem, e com suas correntes, o Sacerdote do Inferno (Pinhead) parte Sunny ao meio e some, deixando Aidan para acordar preso numa cadeira por um prego e correntes, cortesia da Igreja Escarlate, um culto que adora Leviatã e os Cenobitas.
Seu primeiro objetivo é fugir da Igreja Escarlate. Após conseguir fugir, Aidan faz um acordo com Pinhead para trazer Sunny de volta, e em troca, ele poderá levar a carne de Aidan no fim da vida.
A igreja é liderada por Marlowe, que acredita que pode usar a Configuração Genesis para fazer os membros do culto serem transformados em Cenobitas. No seu caminho, você lutará contra os Indignos, que são pessoas que não foram consideradas dignas de virarem Cenobitas, e vagam como zumbis por toda a parte (e acreditem em mim: individualmente, eles são fáceis, mas a força em números deles é assustadora), e humanos seguidores do culto. Portando armas de ataque corpo-a-corpo e armas de fogo, você vai rodar pela Igreja, e sair pelo clube de BDSM que esconde as suas operações.
Depois de passear pelo partes do Labirinto seguindo Pinhead, você recupera o corpo de Sunny, mas precisa trazer os corações de outras três pessoas que foram tocadas pelo cubo para trazê-la completamente de volta. E lá vai Aidan de novo, se metendo com a Igreja e seus membros, para poder trazer Sunny.
Para quem gosta de lore, este jogo é um prato cheio. Você encontra os salmos, encontra outros livros religiosos, gravações e bilhetes que detalham não só o conhecimento dos Cenobitas como também da Igreja.
O jogo tem dois finais possíveis, e sua história, que se passa cerca de 20 anos depois do primeiro filme, é mais digna do legado de Hellraiser: Renascido do Inferno que a maioria dos filmes da franquia. Você levará cerca de 11 horas para chegar ao final, e como há saves múltiplos, pode voltar num anterior ao final escolhido para tentar mudar seu destino e ver o que acontece de diferente.
Jogabilidade

Clive Barker’s Hellraiser: Revival aproveitou tudo do bom e do melhor do que foi lançado no gênero de terror nos últimos 40 anos. O jogo não reinventa a roda; pelo contrário: em nenhum momento, ele tenta esconder suas inspirações. Se você botar num caldeirão de sangue fervente Silent Hill, Resident Evil, em especial o 4 e o Village, e Outlast, e servir num prato cravejado de detalhes de Hellraiser, você teria a receita para este jogo.
De Silent Hill, as cenas de perseguição desenfreadas, nas quais você pouco pode fazer, além de correr. Do que veio de mais recente na franquia, você pode lutar com alguns inimigos, mas a maior parte das perseguições, vale mais a pena correr sem olhar pra trás.
De Resident Evil, a organização do inventário, Zora, que é uma versão mítica Cenobita do mercador misterioso, e os recursos escassos, além de poucos pontos de salvamento manual.
De Outlast, você tem que explorar tudo o que puder, para conseguir informações e itens importantes para fugir de alguém (ou continuar sua perseguição).
De comum, os puzzles. De diferente, o combate. Sobre os puzzles, estes podem ser desde encontrar partes específicas de algo e colocar num lugar, quanto podem ser montar configurações diferentes da Configuração Genesis, para encaixar o cubo em lugares únicos de maneiras específicas.
Sobre o combate, ele não traz nada de novo, mas é competente. Os recursos são escassos, você tem armas de fogo, mas precisa encontrar ou fabricar munições, que são itens raros. Na maioria do tempo, você vai usar armas de corpo a corpo que encontrar, como facas, cutelos, tacos de baseball e mais. Estas têm durabilidade, e só aguentam uma certa quantidade de porrada antes de quebrarem. Gerenciar suas armas é importante, porque há inimigos de armadura que só podem ser afetados por armas de concussão, sendo imunes a golpes cortantes, por exemplo.
O que tem de diferente é que você vai desbloquear o poder de usar a Configuração Gênesis nas suas lutas. Quando acontecer, não apenas vai poder atrair itens que ferem os oponentes, e atirar na direção deles (cuidado, o galão de gasolina te queima se você estiver muito perto), como também vai poder coletar fogo de qualquer fonte e incendiar quem tiver no seu caminho. Isso tudo vai ser bem importante para enfrentar os bosses do jogo.

Todos os bosses são alguém que um dia foi uma pessoa, e que foi transformada em monstruosidade pelo seu desejo de renascer como Cenobita, e conforme você explora, você vai penetrar cada vez mais na carne da Igreja Escarlate. A alternância entre momentos de combate, cenas de perseguição, partes exploratórias, partes de furtividade e os quebra-cabeças fazem com que o jogo nunca fique chato, sempre que tudo parece calmo demais, o ritmo fica frenético.
O jogo conta com diversas opções de personalização de controles, além do modo mouse, e 4 níveis de dificuldade. Eu preciso muito ver alguém jogando na maior delas, Hellraiser, porque teve cenas que eu precisei reduzir de Normal para Fácil (você pode alterar a qualquer momento), porque estava morrendo muito.
Uma diferença essencial sobre as dificuldades é que nas duas mais difíceis, não há opção de autosave. Na Normal, o número de autosaves já é menor que na Fácil, mas na Difícil e Hellraiser, só enfiando o punho no buraco para salvar. A quantidade de inimigos também sobe, além de quanta vida eles têm e quanta vida eles tiram, e os recursos são ainda mais escassos, conforme a dificuldade sobe.
Parte Técnica

O jogo estava com muitos bugs na versão antes do lançamento, mas um patch no dia 01 corrigiu a grande maioria deles. Os que sobraram não são suficientes para causar incômodo. O jogo roda limpo e fluido, as telas de carregamento não são demoradas, e mesmo nos momentos mais ocupados, eu não notei queda significativa de frame rates.
A arte de Clive Barker’s Hellraiser: Revival é um primor que parece ter saído diretamente dos livros de arte originais. A direção de arte da Petra Nikolic é linda, parece que ela tirou os cenários do storyboards dos filmes. Você consegue perceber claramente as inspirações em várias cenas.
As obras de arte feitas por Bruno na Igreja alcançam a fusão perfeita entre caos e ordem, dor e prazer e sintetizam o trabalho de alguém que entendeu o que Hellraiser significa.
A atmosfera fica completa com os cenários e os sons. Você consegue ouvir o vento encapsulado dentro do Labirinto, e tanto os sons externos quanto o som de carne sendo cortada ou batida são extremamente realistas. E o elo final dessa corrente é Doug Bradley, ator que fez o Pinhead na franquia original e a voz dele no Dead by Daylight, voltando para dublar sua personagem mais famosa. E tudo fica ainda melhor no filtro VHS da edição Deluxe.
O jogo todo tem tradução em português do Brasil, e uma boa tradução foi feita, no geral, inclusive os nomes oficiais dos Cenobitas. Embora no maior tamanho de legenda, às vezes a última linha não apareça, no restante, é tudo bem feito demais, embora em alguns momentos, o branco da legenda fica difícil de ser lido quando o fundo é muito claro.
Conclusão
Clive Barker’s Hellraiser: Revival não é um jogo para qualquer pessoa. Cheio de nudez, gore, ferramentas de tortura e muito prazer misturado com dor, ele é uma obra que respeita até o limite sua origem, e fãs da franquia vão se regozijar. Ademais, fãs de terror menos sensíveis aos temas abordados também vão curtir bastante.
Análise feita com cópia Deluxe gentilmente cedida pela Saber Interactive
A Edição Deluxe te dá novas skins para suas armas, além de um Artbook digital, soundtrack digital, um conto ambientado no mundo de Hellraiser e um filtro que simula estar assistindo ao jogo num VHS.



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