Os bons tempos de ficar navegando por calabouços escuros em primeira pessoa, repleto de armadilhas, inimigos e recompensas, volta em um formato nostálgico em Dragon Ruins II, o novo Dungeon Crawler trazido pela Kemco.
Prepare sua party e venha ler esse artigo para saber mais sobre o game.
Arte original, porém com pouco conteúdo visual
Dragon Ruins II traz um gráfico bem original, mesmo com tantas ideias visuais criativas que o gênero possui por aí, como Labyrinth of Zangetsu e Darkest Dungeon.

O título da Kemco busca algo mais retrô, e consegue fazer muito bem. O jogo consegue trazer um ar esotérico, com inimigos parecendo criaturas saídas de um Dark Souls (porém em 2D) e cenários em 3D com um filtro que lembra muito os ambientes poligonais da era do Playstation 1, porém com mais resolução.
No entanto, o jogo carece muito em quantidade de conteúdo visual. Apesar de trazer calabouços visualmente diferentes, o jogo possui quase nenhum recurso para trazer variedade ao visual. Nem mesmo a cidade principal tem gráficos, o jogador só enxerga os NPCs em um fundo preto. Para ajudar, os inimigos são apenas quadrados na tela, e a única forma de enxergá-los por inteiro é ao abrir o bestiário quando o jogador volta à cidade.
As armas também carecem de conteúdo visual, sendo representadas somente por ícones (e muito poucos ainda para ajudar, já que armas da mesma categoria são sempre representadas pelo mesmo ícone) o que faz o jogo cansar muito rápido a vista.
Os calabouços possuem mais variações, que vão desde o tradicional subterrâneo cheio de celas, mansão mal-assombrada e até templos pagãos. Porém, são limitados em sua quantidade. Cada calabouço tem uma média de três quests diferentes, dadas pelo mesmo ou diferentes NPCs.

Atmosférico, mas sem profundidade
A arte original consegue trazer uma atmosfera muito bacana ao jogo, mas que logo cai por terra pela falta de conteúdo e história.
Umas das funções mais legais de jogos do gênero Dungeon Crawling é você construir sua própria party e nomear os personagens, especialmente quando jogado com amigos. Quando não é possível nomear, esperamos personagens ricos com uma história profunda.
Aqui não existe nenhum dos dois: os personagens são só nomes para retratos, sem contexto e história de fundo e não é possível renomear os heróis para você criar suas próprias aventuras.
O mundo de Isigwere é simplesmente oco e sem personalidade.

Um jogo simples porém funcional
É importante notar que esse Dungeon Crawler não é para veteranos do gênero. O jogo é fácil e não conta muito com os elementos de RPG para criar estratégias viáveis. Ao invés disso, o jogo é um simples ciclo de matar monstros, evoluir os personagens e armas, voltar para a cidade para se recuperar e voltar para o calabouço. Esse ciclo é simples e, apesar dos buffs e debuffs que o jogo oferece, eles não são um diferencial ou necessidade para vencer o jogo.
Dragon Ruins II também conta com 21 classes, porém você pode transformá-los em qualquer categoria dependendo das armas que atribuir aos personagens. Eu tenho um mercador que é um exímio mago por causa dos equipamentos e armas que atribuí a ele.
Além disso, há um ataque especial em grupo que carrega razoavelmente rápido, que toda vez que é usado contra um chefe é garantia de vitória na maioria dos casos. O mais próximo de uma mecânica que realmente faz diferença estratégica aqui é a formação de avanço e recuo dos quatro personagens, que faz com que os que estão na dianteira sejam mais visados para ataques inimigos, assim poupando os pontos de vidas dos heróis que estão na retaguarda.

Mesmo assim, para não veteranos ou para quem busca uma aventura mais casual, o jogo é um tanto viciante e de certa forma divertido. O ciclo de ficar voltando pra cidade quando estiver prestes a morrer (seja manualmente, pagando um guia ou usando uma magia de voltar para a cidade), se recuperar, usar dinheiro ganho pra evoluir as armas e assim conseguir prosseguir para ir mais longe no calabouço acaba prendendo o jogador.
Somado às batalhas automáticas, tudo acontece com uma facilidade que não requer muito pensamento que acaba fluindo e trazendo aquela sensação de progresso que, mesmo raso, acaba por divertir.
Análise realizada com uma chave gentilmente cedida pela editora.


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