Inazuma Eleven: Victory Road marca o retorno global da franquia de futebol com RPG da Level-5 após um longo hiato. Funcionando quase como um reboot, o jogo se passa cerca de 25 anos após a trilogia original e apresenta uma nova geração de personagens, mantendo o estilo exagerado, dramático e cheio de golpes especiais da era Nintendo 3DS. O resultado é um futebol estilizado que mistura estratégia, narrativa e sistemas de progressão, traduzindo com competência a fórmula clássica para os consoles e PC atuais.
Uma nova geração, mesma essência

O Modo História acompanha Destin Billows, um estudante que inicialmente rejeita o futebol, mas acaba liderando a reconstrução do time da South Cirrus Junior High rumo ao torneio Football Frontier. Em paralelo, acompanhamos Harper Evans, filho do lendário protagonista da trilogia original, criando um contraste interessante entre talento natural e paixão genuína pelo esporte.
A narrativa é mais pé no chão que alguns arcos mais fantasiosos da franquia, mas funciona muito bem como ponto de entrada para novos jogadores. O elenco é carismático, os diálogos têm aquele clima de anime esportivo clássico e Destin se destaca como protagonista estrategista, sempre surpreendendo aliados e adversários com seus planos. Embora algumas reviravoltas sejam previsíveis e faltem antagonistas realmente ameaçadores, o carisma do grupo sustenta a campanha com competência através das interações.
Futebol em formato de duelo tático

É importante reforçar: este não é um simulador tradicional e muito menos um futebol básico. Victory Road é, acima de tudo, um RPG que usa o futebol como palco — e até desculpa. O sistema gira em torno de confrontos individuais chamados Focus Battles, em que decisões rápidas e uso de habilidades especiais definem quem avança com a bola.
O Tension Gauge alimenta essas habilidades, que podem garantir vitórias em disputas ou fortalecer chutes ao gol. Para marcar, é necessário enfraquecer o goleiro ao longo da partida, reduzindo seus pontos até que a bola finalmente entre. É uma mecânica que lembra jogos inspirados no recente Captain Tsubasa: Rise of New Champions, mas aqui ganha mais camadas estratégicas com bloqueios defensivos, habilidades concorrentes e gestão de recursos.
Há impedimentos, faltas, substituições e formações táticas, mas tudo filtrado por uma lógica de RPG. Em partidas roteirizadas da campanha, eventos scriptados garantem momentos dramáticos — inclusive gols inevitáveis do adversário para fins narrativos. O problema é que, fora dessas partidas principais, a CPU pode se tornar relativamente fácil, reduzindo o desafio nas partidas comuns.
Progressão, personalização e muito conteúdo

Cada jogador evolui automaticamente com experiência obtida em partidas. Há equipamentos como chuteiras e acessórios que alteram atributos, além de árvores de habilidades que desbloqueiam bônus passivos e técnicas especiais. Também é possível criar seu próprio jogador e evoluí-lo conforme preferir, personalizando itens cosméticos.
O Chronicle Mode revisita confrontos clássicos da franquia, exigindo partidas duplas contra cada equipe (uma com o time original, outra com seu próprio elenco). A ideia é interessante, mas o formato pode se tornar repetitivo rapidamente por conta do sistema de RPG em si.
Já o Competition Mode traz disputas contra CPU e online, incorporando elementos estilo Gacha para desbloquear personagens — são mais de 1500 disponíveis. A quantidade impressiona, mas também pode sobrecarregar, especialmente considerando o excesso de moedas e sistemas de upgrade. Há ainda um modo de customização de cidade e campo, ampliando o leque de atividades além da campanha principal.
Tradução moderna da fórmula clássica

Visualmente, o jogo preserva o estilo característico da série e o adapta bem ao HD. As animações de golpes especiais continuam espetaculares e exageradas na medida certa. A dublagem em inglês tem qualidade variável, com aquele clima de desenho animado de sábado de manhã — o que combina com a proposta.
A trilha sonora mantém o ritmo empolgante, especialmente nos momentos decisivos das partidas. O port para o Switch 1 é um meio termo entre belo e aceitável, visto que a capacidade do console já é ultrapassada para os dias atuais. Na TV os gráficos são bem aceitáveis, assim como a performance. Porém, não é possível dizer o mesmo no modo portátil.
Retorno sólido, mas com espaço para evoluir
Inazuma Eleven: Victory Road consegue trazer a essência da franquia para a nova geração com bastante fidelidade. O sistema híbrido continua único, a campanha é envolvente e há conteúdo suficiente para dezenas de horas. Por outro lado, modos paralelos carecem de um loop realmente envolvente, o desafio poderia ser mais consistente e a estrutura altamente “RPGizada” pode cansar quem busca algo mais próximo do futebol tradicional — o que, aqui, podia ter sido opcional. Ainda assim, é um retorno forte para a série, com espaço para rever alguns conceitos de game design.
Chave de review gentilmente cedida pela Level5 Games


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