Um policial que luta com pinball.
Karma City Police, do estúdio brasileiro Mecagames, finalmente chega ao Nintendo Switch, portado pela Ratalaika games, e é um jogo em várias camadas. Baseado em narrativa, mas com combate de pinball e também um simulador de telefonista, com tudo isso iremos conhecer o dia-a-dia não só da delegacia mas um pouco da vida de Karma City.
[T-05]Atendente? Não, estagiário[/T-05]
Chegamos na delegacia de Karma City para nosso primeiro dia de trabalho atendendo ligações telefônicas. Nosso personagem, sem nome pelo que lembro, é um ex policial vindo de outra delegacia e foi rebaixado para este cargo como seu antigo superior.
Em seu novo cargo, uma de nossas funções é atender ligações e gerenciar os recursos da delegacia; conforme o nosso entendimento da chamada, podemos enviar (se disponíveis) agentes com ou sem equipamentos, ou com viaturas para um atendimento mais rápido, mas não é tão simples. A delegacia tem recursos limitados e algumas chamadas podem ser trotes. Para nos ajudar, o sistema de ligações analisa as vozes dos cidadãos, e as nossas perguntas ajudam a perceber alterações na fala dos mesmos.
Por sorte, nós atendemos apenas 3 ligações por turno, o que torna um pouco mais fácil gerenciar, mas não decidir. Não é tão simples decidir se devemos mandar uma equipe armada para uma rua porque alguém te disse que vai ter uma briga de duas facções naquele lugar, porque no final pode ser uma distração e estar ocorrendo uma invasão do outro lado da cidade (experiência real). O sistema analisador só reconhece o tom de voz de quem liga, o que não é muita informação, estando ali mais para dar uma chance ao jogador de pensar do que realmente ajudar, já que dublagem o jogo não tem. Mas seu turno acabou, e chega a hora de se reportar ao delegado e saber o resultado das ligações. Apesar disso não pesar para o futuro do jogo, pode ser que pese em você, porque não evitou uma tragédia ou acabou causando uma com policiais.

Essa é uma das camadas da narrativa de Karma City Police, te mostra como a vida ali não é fácil. Mesmo que por poucas ligações, nem sempre dá pra resolver tudo, porque faltam recursos, e às vezes a melhor solução é só seguir para próxima ligação. Não é apenas a vida dos cidadãos, mas também as dos policiais estão nas suas mãos, dependendo das suas decisões.
A interface não é muito elaborada e talvez seja pouco intuitiva se não ler o tutorial corretamente, mas ainda sim é bem legal.
As ligações não mudam, então se você tem um quê de perfeccionista, pode salvar antes de cada turno e tentar de novo.
Mas se fossem aleatórias ou em com mais variedade, ia ser bem mais interessante e imersivo.
Então, acaba seu turno de atendimento, e a primeira coisa a fazer agora é receber o relatório de turno com o resultado do seu atendimento. Como o estagiário não pode ficar passeando por aí, você vai acabar tendo que levar café para alguém no caminho, inclusive para o delegado.
É aqui que entra a narrativa: entre receber seu relatório e partir para o próximo turno, conhecemos o dia a dia da delegacia de Karma City, um lugar sucateado, onde faltam recursos, o serviço nunca acaba e, para piorar, o prefeito sempre aparece com uma lei doida que dá mais trabalho para todo mundo. Parece familiar? Sendo um jogo brasileiro, você pode sentir o reflexo em qualquer lugar de onde esteja lendo.
A narrativa com certeza é o melhor ponto de Karma City Police; consegue criar um clima de tensão quando quer, mas ainda tem um toque irreverente para desprender da realidade. Embora eu esperasse que ficasse um pouco mais sombrio conforme o avanço, até fica, mas não tanto.
Se você chegou até aqui esperando saber sobre o pinball, sinto dizer que ele é a camada mais fina de Karma City Police. Quando ocorre algum desentendimento ou briga, é aí que entra o pinball. Ele é o sistema de combate, e o objetivo nas partidas é derrotar colegas de trabalho, prisioneiros e quem mais se meter a valentão. Ele é a camada mais fina e mais fraca, pois isso acontece pouco considerando a campanha inteira. Ele tem alguns problemas de jogabilidade e, apesar de uma boa variedade de “mesas”, os combates têm curta duração.

Karma City Police tem uma campanha bem curta: levei em torno de 5 horas para finalizar. Não sei se existe algum final alternativo ou uma recompensa por acertar todas ligações, mas se você busca acertar todas, pode demorar um pouco mais.
[T-05]Parte técnica[/T-05]
Karma City Police, com seu estilo pixel art em 16 bits e com ângulo de cima, tem um visão bem ok. Falta um pouco de personalidade e polimento no geral. Fora as batalhas de pinball, todos os personagens são um tanto quanto estáticos durante as conversas. Eles até se mexem bastante em grandes cenas, mas parece que fica faltando alguma coisa para dar ênfase às ações, como um balão com um emoji ou um pouco mais de detalhes às feições deles, porque às vezes o clima da história muda, mas a animação não acompanha. Parte por conta disso, parte da música que é muito boa em alguns pontos, o jogo não consegue entregar as mudanças dos acontecimentos de uma forma boa pois parece sempre tudo muito calmo, mesmo em momentos de tensão.
Falando em polimento, o pinball também poderia receber um pouco, já que física dele é um pouco estranha, além de ter transições bruscas de início e final.

Como é um jogo brasileiro, obviamente temos localização em nosso idioma, mas infelizmente ela não está muito boa, pois a versão portada pela Ratalaika, no momento, está com algumas falhas que fazem textos sumirem e indicações de ícones não estarem indexadas corretamente. Enquanto escrevia essa matéria, informei os Devs, mas como eles não têm acesso à versão portada para o console, resta aguardar a correção.
No fim, Karma City Police foi uma grata surpresa no Nintendo Switch, e fazia tempo que queria jogar. Apesar de tudo, foi uma ótima experiência que queria poder ter aproveitado mais com um modo infinito e aleatório do minigame de atendente, e uma opção de poder jogar as mesas de pinball.
Karma City Police
Editora: Ratalaika Games
Desenvolvedora: mecagames
Tipo de Mídia: Digital
Tamanho do Arquivo: 116 MB
Lançamento: 18/Jul/2025
Plataformas:
Opções de Compra:
Nintendo eShop



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