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Análise

Analise – Mars 2120

Um metroidvania com uma mistura de combates corpo a corpo e à distância inspirados nos clássicos.

por Igor Rangel
19 de agosto de 2024 às 12:00
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Mars 2120 é um metroidvania com combate corpo a corpo e que faz uso de habilidades especiais ligadas a elementos, não esconde suas origens e se inspira em clássicos como Super Metroid, Castlevania: Symphony of the Night e Guacamelee!
Criado e distribuído pelo estúdio brasileiro QUByte Interactive, inicialmente lançado em acesso antecipado na Steam e passando por inúmeras mudanças, o game finalmente chega para o Nintendo Switch.

A primeira colônia humana em marte

Em Mars 2120, controlamos a sargento Anna “Treze” Charlotte, que foi enviada a Marte para responder a um pedido de socorro da colônia localizada no planeta vermelho, mas sua nave sofre um acidente na órbita do planeta, ocasionando em um pouso forçado.

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Uma história nada inovadora e até bem segura para um metroidvania, porém, tudo isso que expliquei foi tirado das páginas da loja do jogo. Em nenhum momento é explicado porque você chegou ali, quem é o seu personagem e o que devemos fazer.
Por mais que seja recomendado você ler a página do produto que está comprando, não dá para limitar o roteiro somente ao que está escrito ali.

Mars 2120 até tenta desenvolver a trama durante o caminho para tentar compensar esse início, mas não consegue. Durante a aventura, encontramos pelo caminho gravações deixadas pelos moradores da colônia marciana, mas elas não ajudam em nada, pois o jogo tenta reter sua atenção criando mais mistérios que nunca são resolvidos e sequer dá dicas de onde devemos ir. Além disso, também não temos como ouvir novamente as gravações.

Entendi que os criadores queriam fazer uma aventura com um ar de thriller junto à exploração, espalhando gravações para tentar falar do ocorrido, mas elas são espaçadas e sem orientação; tudo é confuso e não há nenhum suspense ou terror. Nem mesmo os chefes te pegam de surpresa, já que os checkpoints denunciam que eles estão perto.

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Aliás, falando nos chefes, eles são os mais aleatórios e chegam até se repetir em conceito — ou seriam os mesmos, apenas mudando de elemento? Temos golens de gelo e grama, aranhas gigantes de todos os elementos e máquinas rebeldes que parecem ter sido feitas para acabar com a humanidade. Nenhum deles tem carisma ou personalidade para marcar o jogador, seja pelo design ou pelo combate. Não sei qual era o objetivo dessa colônia marciana, mas parece que não é para melhorar a vida humana. O game traz uma narrativa bem rasa, que poderia ter sido mais trabalhada.

Sobrevivendo à colônia

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Se a história de Mars 2120 já não te anima muito, a jogabilidade vai te frustrar. Dividido em combate corpo a corpo e à distância com o rifle, o primeiro momento parece bem interessante, mas logo mostra a falta de polimento do jogo e o excesso de mecânicas.

Começamos apenas com o rifle com elemento elétrico, que dispara rajadas de 3 tiros rapidamente é bem funcional contra inimigos no chão, mas ao se deparar com inimigos voadores, a arma se mostra problemática. Sem o recurso de mira automática, é quase impossível acertá-los sem perder boa parte da vida. Para piorar, o rifle tem um limite de carga bem demorado de início. Também não adianta tentar ir na base do soco, porque você não vai acertar, e mesmo com esse recurso ligado (é preciso ligá-lo), você ainda vai levar pelo menos um golpe, pois a inteligência e velocidade dos NPCs é muito alta e te vê a quilômetros.

Com o tempo, conseguimos mais elementos e melhorias. O combate até fica um pouco melhor com novos tiros, mas as outras melhorias são puramente chaves para novas áreas e poucas têm utilidade em combate; e até as que têm podem ser difíceis de aplicar em combate. Cada um dos elementos tem uma habilidade para cada direção que você pode andar (e no estado neutro, sem se mexer). Vamos desbloqueando uma a uma dessas habilidades em cada elemento, um por um, tornando a evolução da Treze bem lenta e sem agregar muito a jogabilidade.

O excesso de mecânicas em Mars 2120 são outras melhorias, que podem ser encontradas pelo mapa e têm efeitos diversos, como melhora do tempo de recarga, mais dano elementar, armadura etc. Mas não basta encontrá-las: temos que encontrá-las, voltar ao ponto de salvamento para comprá-las e só depois equipá-las. Felizmente, o jogo é bem generoso com pontos; eu mesmo nunca precisei juntar pontos para equipar as melhorias (ou talvez eu tenha me perdido demais e acumulei), mas essa bagunça de recursos é demais.

Outro destaque no combate é que os inimigos também têm afinidade com elementos e, com isso, certas imunidades ao mesmo tempo. É até bom para variar e entender todos os elementos, mas isso não melhora o combate e até o deixa mais lento, principalmente porque o jogo tem diversas áreas de carregamento dentro do mesmo mapa. Apesar disso, alguns inimigos não renderizam até passar por essas áreas.

As batalhas contra os chefes não são nada intuitivas, e nas lutas em que usamos o elemento gelo, levamos mais tempo que o normal, pois você precisa carregar o tiro mais forte, e ele consome toda a munição. Fora que o dano dos chefes é consideravelmente alto, e caso você perca, é obrigado a recomeçar da primeira fase com a vida que chegou no checkpoint, que não é um ponto de salvamento só de retorno rápido.

Pode parecer que durante essa análise eu só joguei mal e por isso estou trazendo um relato tão detalhado, mas na verdade terminei Mars 2120 em 10 horas — e fiquei mais tempo perdido tentando ler o mapa do que preso em algum chefe.

Parte técnica

Mars 2120 mais uma vez mostra a falta de polimento no port para o Switch. A queda na qualidade gráfica parece estranha, já que todo ambiente parece que usa mais efeitos e iluminação mais fortes em alguns momentos e fracos demais em outros. Não é algo tão ruim, mas isso poderia ter sido feito de maneira mais suave.

A interface de usuário é algo muito estranho, não dá pra ler bem na TV ou no modo portátil. Mas se você usar um monitor a 1 metro do seu rosto, fica legível, independentemente das configurações de opacidade que você usar (que nem parecem funcionar em algo que não seja a legenda).

Apesar de poucos, Mars 2120 tem alguns bugs. A maioria são de colisão, como não conseguir rolar em ladeiras e a personagem voar longe ao tomar golpes (podendo ser atingida mais vezes nesse meio tempo), mas o que com certeza mais estraga o fluxo foram crashs que ocorrem ao pegar algumas melhorias, te obrigando a lutar novamente com os chefes. Esse último aconteceu ao menos duas vezes em momentos diferentes.

No final, Mars 2120 passa a sensação de um jogo cru, que ainda não saiu do acesso antecipado da Steam e foi direto para os consoles. Projeto ambicioso, mas mal executado.

Veredito
Mars 2120 se inspira em clássicos, mas esqueceu de criar sua própria identidade. Com combate ruim, pouco intuitivo e problemas de performance, o game poderia ter sido trabalhado por mais tempo.
Prós
Dublagem e texto em português.
Contras
Combate pouco intuitivo;
Interface de usuário confusa;
Narrativa descolada do jogo;
Personagens sem personalidade;
Má otimização e bugs.
4
Fraco
Tags: MARS2120Review


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